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Bloodborne: Uma experiência única

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Fez recentemente pouco mais de dois anos que joguei Bloodborne, e posso dizer que foi uma experiência como nunca tive em nenhum jogo anteriormente. Uma das primeiras coisas que me lembro foi o seu 1º trailer na E3 de 2014. Na altura foi algo que não me entusiasmou de todo. Nesse momento nem fazia ideia de que tipo de jogo estávamos a falar, nem das suas raízes da família Souls. Além do mais, videojogos com temática de terror, não são normalmente algo que procuro. São jogos que, pelo menos para mim, incutem stress e ansiedade e então tento manter-me afastado.

Acabei por arranjar o jogo no final do ano de 2015. Quando comecei a jogar, pensei que sabia um pouco para o que ia mas… estava totalmente enganado. Toda a mecânica de jogo foi algo que me apanhou completamente desprevenido, nunca tinha experenciado nada assim em mais título nenhum. Desde a ausência do quase habitual tutorial, passando pela falta de explicação da maioria das funcionalidades e, terminando na parte onde não há praticamente cutscenes a mostrar o desenrolar da história ou outro tipo de informação da mesma. Tudo isto me apanhou de surpresa, já para não falar que não existe qualquer tipo de indicação para onde ir. Pode dizer-se que se resume simplesmente a explorar os diversos caminhos até, eventualmente, encontrarmos um boss. Assim que esse momento acontecer, saberemos que estamos basicamente no caminho certo.

Este é, sem dúvida, um jogo diferente do comum no que toca ao enredo. Pouco nos é revelado de forma fácil como no geral dos jogos. Se quisermos saber mais sobre a história, é tentar explorar o mundo ao máximo e falar com NPC’s para podermos obter mais informações através de possíveis quests ou, simplesmente através das falas dos mesmos. Conforme as nossas ações durante o jogo, algumas quests podem ficar inacessíveis até um novo playthrough, o que torna a coisa mais interessante na hora da abordagem.

A parte de perdermos todos os XP (neste caso chama-se Ecos de Sangue) quando morremos é normal num jogo. Agora termos a hipótese de o recuperarmos por inteiro, foi algo novo para mim. Poderemos obter de volta os Ecos de Sangue ao derrotar o inimigo que nos matou ou, dependendo do tipo de morte que tenhamos sofrido, pode simplesmente estar na zona à espera de ser apanhado. Ainda assim, se morremos no caminho até lá, acabamos por perder esses Ecos de Sangue para sempre. Esta mecânica é algo que adiciona mais pressão e, ao mesmo tempo, gratificação quando os conseguimos finalmente recuperar.

O mundo de Bloodborne é tudo aquilo que eu evito normalmente nos jogos. Sombrio, assustador, arrepiante e deveras fatal ao mais pequeno deslize. Tendo em conta tudo isto, estes mesmos adjetivos fizeram sempre com que eu continuasse a voltar ao jogo, o que quer dizer bastante. O ambiente de Bloodborne é claramente um dos pilares do jogo para mim. As diversas zonas estão muito bem concebidas em termos de caracterização, onde em algumas áreas mais mórbidas, conseguem criar uma alta sensação de terror e suspense a pairar no ar. Lembro-me claramente que Forbidden Woods foi uma zona que me deixou bastante desconfortável da primeira vez que passei por lá. Os arrepios foram presença constante nessa zona.

Falando de bosses, é somente mais outro ponto soberbo neste jogo. Recordo-me bastante bem do primeiro boss que apanhei, o Monstro Clérigo (Cleric Beast), o qual era opcional por acaso. Tenho a ideia de ter conseguido superar esse primeiro boss do jogo numa mão cheia de tentativas. Para primeiro embate do género neste tipo de jogos, não achei que tivesse corrido muito mal. O pior foi quando chegou a altura de enfrentar o segundo boss, o Padre Gascoigne (Father Gascoigne). Aí é que começaram os verdadeiros desafios com os épicos bosses do jogo. Tentei bastantes vezes, mas nem por nada consegui mandar o Padre abaixo. Resolvi então pedir ajuda a um amigo já veterano no franchise Souls, que acabou por me ajudar em vários bosses durante o 1º playthrough.

Depois de ter chegado ao fim do jogo, apesar de todo o stress e pressão a jogá-lo, decidi tentar obter todos os troféus/conquistas, pois estava a adorar jogar e era somente mais uma razão para continuar. No percurso para tal, percebi que me faltava um item que tinha que ser apanhado numa certa zona quase no final do jogo. Isso obrigou-me a que eu tivesse de passar o jogo quase todo novamente. Não foi algo que me chateasse pois como tinha adoro a experiência, então rapidamente peguei no comando e comecei o New Game Plus. Foi aí que reparei que tudo pareceu mais fácil naquele segundo playthrough. Acabei por passar o jogo todo sozinho e onde nunca cheguei a morrer com nenhum boss dos obrigatórios. Pelo menos é essa a ideia que tenho. Acabei por gravar diversos vídeos dos bosses, alguns dos quais podem encontrar neste artigo, e os restantes no canal.

Os bosses do jogo foram sempre algo que me deixou bastante nervoso e ansioso. Quando os finalmente superava, ficava literalmente com as mãos a tremer e o coração a bater rapidamente com toda a adrenalina que daquele momento tinha sido gerada. Nenhum outro jogo me deixou assim até hoje. Esta é somente mais outra coisa pela qual este jogo me deixou marcado para sempre. Toda a música que acompanha os bosses é outra coisa fenomenal, criando momentos épicos durante aqueles vários minutos de pura intensidade e concentração.  A banda sonora encaixa de forma perfeita na experiência e é outro dos pontos fortes do jogo.

Olhando para trás, ainda bem que decidi quebrar a minha rejeição a este tipo de jogos. É sem dúvida um dos meus jogos favoritos desta geração de consolas e, ao mesmo tempo, de sempre. Apesar de poder ser bastante difícil em certos momentos, é sempre um jogo que aconselho a todos experimentarem devido aos diversos fatores que mencionei ao longo do artigo. Infelizmente, segundo o criador do jogo, Bloodborne não terá qualquer sequela o que é uma  pena. Pode ser que um dia as coisas mudem mas, até lá, resta-nos vaguear pelas ruas de Yarnham e continuar a desvendar todos os seus mistérios.

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