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Shenmue: quase duas décadas depois…

Shenmue CDs

Com os remasters de Shenmue 1 e 2, finalmente confirmados e com lançamento previsto para 2018, achei que esta era a altura ideal para falar da minha experiência com Shenmue e de que forma foi um jogo que me marcou para sempre.

Foi algures entre 2000 a 2001 que adquiri uma Dreamcast mas, muito honestamente, nem sei se foi por causa de algum jogo em especial ou, simplesmente porque era a mais recente consola da Sega. Como possuidor na altura de uma Mega-Drive e uma Sega Saturn, pareceu-me a escolha mais adequada. Na altura já tinha saído a primeira Playstation mas nunca cheguei a comprá-la, só joguei diversas vezes em casa de amigos. Mas essa história fica para outro dia.

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Depois de arranjar alguns jogos, eventualmente comprei o primeiro Shenmue. Uma caixa bem grande com quatro discos. Já lá vão quase 20 anos e não me lembro bem como cheguei até este jogo mas, provavelmente, foi através das revistas de vídeojogos muito usuais na altura. Assim que eu e os meus irmãos começámos a jogar, deparámo-nos com algo bem diferente do que era comum naqueles tempos. Vários eram os detalhes que marcavam a diferença por completo. Para começar, era um género de mundo aberto, embora mais compacto, mas com imensas atividades para fazer. Tinha ciclo dia-noite com alterações climáticas como neve e chuva, passando por NPC’s com vida própria e rotinas diárias ou até termos de trabalhar para ganhar dinheiro para as nossas despesas, entre outras coisas.

Os estabelecimentos tinham horários de abertura e fecho, em que muitas vezes, tínhamos de esperar várias horas para que abrissem para podermos falar com alguém em específico por causa de uma missão. Ora isto abria portas para um novo mundo de exploração. Como é que fazíamos para passar o tempo? Jogávamos mini-jogos, maioritariamente presentes nas ruas ou em casas de arcada. Diversos tipos de jogos viciantes e que, facilmente nos faziam perder bastante tempo (de forma positiva) em torno deles, de tão bons e divertidos que eram. Hang-On, o clássico jogo da Sega, era somente um dos títulos presentes por inteiro dentro de Shenmue, o que, só por si, já era fantástico.

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Os Quick Time Events foram outra funcionalidade que adorei na altura, na medida em que permitiam vermos um género de vídeo interativo onde tínhamos quase obrigatoriamente de carregar nos botões certos que iam aparecendo no ecrã. Penso que não fosse de todo obrigatório acertar a 100% mas se errássemos bastantes, teríamos de começar a cena de novo. Estes QTE estavam bastante presentes, tanto nas lutas contra inimigos, como a aprender truques com diversos personagens ou até no nosso trabalho. Era algo que não me parecia de todo descabido, pois podia tirar proveito de alguma liberdade na hora de jogar mas, ao mesmo tempo, era bastante divertido tentar acertar nos botões na altura correta e ver uma sequência de movimentos perfeita e divertida. Em alguns casos, a lista de botões que aparecia era tão grande que, a certo momento, eu e os meus irmãos já estávamos a apontar os botões todos num papel para não os falharmos. É que tenho a vaga ideia afinal que em alguns casos, os 100% eram obrigatórios, apesar de mais acima ter dito que talvez não fossem.

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A interação com o mundo era algo espantoso na altura. Começava logo na nossa casa onde podíamos telefonar para algumas pessoas, interagir com os diversos objetos, tais como abrir gavetas de móveis e ver o que há lá dentro, e muito mais. No mundo exterior, podíamos entrar em lojas e comprar, a título de exemplo, comida, lâmpadas, pilhas ou até lanternas. Tudo coisas que eventualmente iríamos precisar durante a nossa aventura. Era possível até comprar pequenos brindes em máquinas onde, ao colocarmos uma moeda, saía um pequeno boneco dentro de uma bola, sempre alusivo a um jogo da Sega.

Quando, a certa altura no jogo, pensava que as novidades já tinham aparecido quase todas, eis que surge o ter que trabalhar. Sim, onde é que já se viu trabalharmos num jogo? Provavelmente já poderia haver algum título em que tivéssemos de trabalhar, mas este foi o primeiro com que me cruzei. Tínhamos de carregar caixas ou conduzir uma empilhadora. Sim uma empilhadora… Até havia corridas de empilhadoras ao fim do dia de trabalho. Algo para mim nunca visto naquela altura. A razão do trabalhar estava também relacionada com o podermos ter dinheiro para pagar a renda de uma casa para onde nos mudámos a certa altura no jogo. Tínhamos também uma agenda onde as pistas que íamos encontrando no jogo iam nela sendo anotadas, tal como pequenos detalhes de outras coisas que no final viriam a dar jeito.

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De forma muito resumida, a história do jogo começou com o assassinato do nosso pai e depois desse evento, partimos em busca do assassino. A partir daí, iniciou-se uma viagem cheia de aventuras e emoções que, infelizmente, na altura acabou por nunca ter fim. Na altura que acabei o primeiro jogo, não sei se já sabia da existência da sequela ou não, mas o que me lembro bem, foi do segundo jogo ter tido nota perfeita na revista que comprava na altura. Quando comecei a sequela, lembro-me bem de termos saímos da terra natal e ido para uma cidade noutro país onde outra grande aventura nos esperava. Depois deste segundo jogo, seguiram-se 14 anos de espera, onde toda a gente já pensava que o terceiro jogo nunca iria acontecer, por diversas razões.

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Finalmente em 2015, depois de muita especulação e rumores, surgiu um projeto Kickstart para angariar fundos para o terceiro jogo da saga poder ser concretizado. O objetivo era cerca de 2 milhões de dólares, os quais foram atingidos em apenas 8 horas, tendo sido um recorde para o próprio site Kickstart. Lembro-me bem que o mesmo ficou inoperacional assim que o projeto ficou online, dada a quantidade de pessoas a aceder simultaneamente para contribuir. O jogo foi adiado recentemente para 2019, mas nem tudo é negativo. Depois de largos anos onde várias comunidades online tentaram vezes e vezes sem conta chamar a atenção da Sega para salvar o franchise, usando literalmente a hastag #saveshenmue, finalmente este ano, os remasters foram confirmados.  Shenmue 1 e 2 irão finalmente ficar disponíveis nas consolas atuais e assim toda a gente vai poder jogar o mítico Shenmue, que causou tanto furor na altura e manteve comunidades ativas durante todos estes anos.

Sei que na altura, e estamos a falar de há quase 20 anos atrás, perdi muitas horas neste franchise pois o acesso a novos jogos era mais difícil do que hoje em dia e a idade era outra. Tendo em conta isto, não sei até que ponto poderei gastar tantas horas nos remasters como foi na altura, pois a quantidade de jogos bons a saírem nos dias que correm, e o acesso fácil aos mesmos, podem fazer com que não explore tão bem o mundo fantástico que é Shenmue.  No entanto, para as pessoas que o jogarem pela primeira vez, aconselho vivamente a não o fazerem de forma rápida, mas sim, explorar calmamente todo o seu mundo, para poderem absorver e sentir aquilo que realmente muitos de nós sentimos há quase 20 anos atrás.

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