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Qual a criança que, na sua infância, nunca teve medo de um certo vizinho ou certa casa? Quase todos certamente. Havia sempre alguém mais suspeito e estranho nas redondezas e que nos deixava, de certa forma, inquietos. O conceito de Hello Neighbor é bastante interessante, mas infelizmente, toda a sua jogabilidade não conseguiu fazer jus à ideia base do jogo. Estamos perante um título com base em puzzles e um pouco de horror (colorido) à mistura.

Estamos na pele de uma criança e o jogo tem início com a mesma, a deparar-se com uma situação muito estranha na casa do seu vizinho. Ao aproximar-se da janela, apercebe-se que o mesmo está a prender alguém na cave. O nosso objetivo é desvendar esse mistério.

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Assim que o jogo começa, somos projetados para o interior da arena sem qualquer tipo de instrução. A única coisa que se sabe, é que temos de obter uma chave vermelha, a qual é o bilhete de passagem para a cave. Sabemos que ela está num dos compartimentos da casa, mas apenas isso. Resta agora explorar todas as zonas possíveis e começarmos a puxar pela cabeça para ver como se pode lá chegar. E deixem-me dizer que não é, de todo, fácil. Não fazemos ideia daquilo com que podemos interagir, ou que mecânicas existem, nem qualquer tipo de pista. Não existe qualquer tutorial a ensinar as mecânicas e a única dica existente é, no momento em que colocamos em pausa, a explicação sobre como se apanha itens e como os podemos atirar com mais força. E antes que pensem que gosto das coisas fáceis, não é verdade. Sem mencionar nomes, gosto muito dos jogos da From Software e não tenho problema em aprender as mecânicas de jogo sozinho. Todavia, estamos a falar de produtos completamente distintos.

Muitos dos puzzles são confusos e sem sentido. É certo que não os precisamos fazer todos para passar o jogo mas quais fazer, fica inteiramente a nosso critério. Sem sabermos qual a maneira mais rápida de prosseguir, resta-nos apenas ir tentando resolver aquilo que vai aparecendo. Contudo, existe o famoso vizinho sempre à espreita para nos apanhar. Cada vez que somos apanhados, o vizinho coloca novas armadilhas ou entraves à nossa invasão. Estas podem ser aplicadas de diversas formas. No entanto, não perdemos nada do que temos em nossa posse e as mudanças no cenário continuam iguais às efetuadas por nós, tirando as janelas que normalmente voltam a estar intactas.

O penálti por sermos apanhados é zero basicamente e ainda bem, porque o sistema de deteção do vizinho é muito irregular. Quando aparentemente não tem razão para nos detetar, lá vem ele a correr e vice-versa. Com o passar do tempo, as suas rotinas de patrulhamento vão alterando e ficando cada vez mais apertadas. Isto tem tudo a ver com a IA se ajustar à nossa maneira de jogar e ir apertando cada vez mais o círculo ao colocar armadilhas nos locais por onde tentamos “invadir”. Contudo, o tentar resolver os puzzles começa a ser penoso porque, do nada, podemos ter que começar a fugir do vizinho novamente e fica difícil fazer algum progresso. Bom, isto falando um pouco mais no primeiro ato onde é basicamente o R/C e jardim em termos de espaços disponíveis. Como nos atos seguintes as zonas já são maiores, a coisa já corre um pouco melhor nesse aspeto. Existem três atos no jogo e, em cada um deles, a casa tem uma forma diferente na medida em que se vai expandido.

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Outra das assombrações deste jogo são os bugs. Por diversos momentos fui alvo desse problema, tal como o próprio dono da casa. Várias foram as vezes em que o vi a correr contra uma parede e simplesmente a patinar em seco. Numa dessas situações, durante o Ato 2, estava eu no topo de uma vedação a tentar fazer rodar uma das manivelas vermelhas e o dono da casa estava lá em baixo a correr e saltar contra as escadas. Por alguma razão não conseguia subir e estava ali a saltar e atirar-me objetos. Num desses saltos, fez com que eu fosse projetado pelo ar e fosse parar fora da casa, ao saltar por cima da vedação. Este enorme glitch, fez simplesmente com que aparecesse a cutscene final do Ato 2 e começasse de imediato o 3. De salientar que poucos minutos estavam decorridos no Ato 2, o que fez com que eu saltasse uma grande parte do jogo. Nem queria acreditar no que tinha acontecido. Um jogo que já foi lançado há sensivelmente oito meses para PC e Xbox One, não podia ainda conter este tipo de anomalias.

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Hello Neighbor tem um visual muito cartunesco e engraçado, mas não passa disso mesmo. Nada é para ser levado a muito a sério e nada tem grandes pormenores ou detalhes. Infelizmente, não há muito mais a salientar sobre este aspeto do jogo, o que é não é positivo. A acompanhar os indiferentes visuais, temos um áudio muito simples e quase ausente. Tirando a parte em que o vizinho nos persegue e temos um som que transmite uma sensação de maior tensão, fora isso nem dei por ele, sinceramente.

Todas as situações menos positivas que fui descrevendo ao longo da análise, acabam por tirar bastante gozo do jogo. Como já tinha referido inicialmente, bastaram alguns minutos para me aperceber que aquilo que parecia bom e interessante, era só fachada. Os diversos bugs e uma jogabilidade com bastantes falhas, fazem deste jogo uma experiência bastante desapontante.

razoavel

positivo Bom conceito
positivo 
IA vai ajustando à nossa forma de jogar
errado Muitos bugs
errado Stealth pouco funcional
errado Puzzles pouco elucidativos

Data de Lançamento: 27 de Julho de 2018 (PC/Xbox One Dez 2017)
Produtora: Dynamic Pixels
Editora: tinyBuild Games
Género: Ação, Aventura
Disponível para: Android, iOS, Nintendo Switch, PC, Playstation 4 e Xbox One

Análise feita na Playstation 4

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Produtora/Editora.

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