Análises

Análise de Graveyard Keeper

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Foi totalmente às escuras que comecei a jogar Graveyard Keeper. A única coisa que sabia é que seríamos um coveiro e isso bastou para me chamar a atenção. Afinal de contas, não é todos os dias que podemos estar na pele de um, certo? No entanto, tal como a própria Editora disse, Graveyard Keeper é o jogo de gestão de cemitérios na época medieval mais impreciso de sempre.

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O jogo tem início com o personagem principal a “morrer” aparentemente, num acidente de viação. Somos posteriormente teleportados para uma era medieval onde fomos então coroados com a dita profissão de coveiro. Ao chegarmos a esse mundo, tentamos saber o que se passa e onde estamos, e a insistentemente mencionar às pessoas que aquele não é o nosso lugar e que somos de outro “mundo” completamente distante. Além de nos termos tornado num coveiro, ainda levamos com o selo de maluquinho.

Somos então presenciados com a companhia de uma caveira, a qual nos dá umas orientações iniciais e igualmente algumas missões. A partir daqui, resta-nos então ir sobrevivendo naquele momento, ao fazer as tarefas diárias da nossa profissão, mas sempre com o objetivo em mente de voltar ao nosso lugar correto.

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Aquilo que parece bastante simples ao início, é de facto uma experiência deveras complexa e profunda, recheada de informação que tem de ser compreendida de antemão. Infelizmente, apesar de algumas dicas iniciais da nossa amiga caveira, somos “atirados aos leões” sem praticamente nenhuma ajuda em termos de tutorial. Tendo em conta a vasta e detalhada gestão que pude comprovar ao longo das dezenas de horas de jogo, penso que podia ter havido uma pequena ajuda para algumas ideias base que serviriam de sustento para o resto do jogo.

Como já sabemos, somos um coveiro e a nossa missão principal é enterrar corpos. Porém, meus amigos, isto é somente a ponta do icebergue. De modo a fazermos o nosso trabalho de forma correta, existe toda uma gestão de recursos que tem de ser realizada. Bom, fazer um buraco e colocar o corpo não tem grande filosofia. Apesar disso, a certo momento, iremos ter que tratar e fazer a manutenção das campas para podermos progredir no jogo.

Para tal, precisamos de determinados materiais como madeiras, ferro ou ferramentas, entre outros. Para isto, precisamos de cortar árvores, trabalhar os troncos, partir e trabalhar pedras e por aí adiante. Todas as ferramentas usadas para obter as matérias primas vão-se desgastando com o tempo e teremos, eventualmente, de repará-las, e esta é outra situação que também envolve custos. Depois de recolhidas as matérias primas, e para as podermos trabalhar, precisamos de equipamentos específicos, os quais só podem ser construídos se estivermos munidos dos materiais necessários.

Como podem reparar desde já, tudo está ligado e, para fazer algo, há sempre qualquer coisa que precisa ser executada antes. Quase nada é simples e direto. Não é que isto seja negativo, muito pelo contrário, requer uma coordenação bastante grande no início para sabermos onde investir inicialmente os escassos recursos que temos à nossa disposição, de forma correta. Como já tinha referido, não há tutorial basicamente e podemos começar por onde quisermos, o que facilmente nos poderá levar por um caminho muito mais difícil e a gastar recursos raros e preciosos, que podem ser bem mais importantes horas mais tarde no jogo.

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Como se as coisas já não fosse complexas o suficiente, para podermos criar certos tipos de materiais e equipamentos, precisamos de os aprender primeiro. E como se faz isso? Ao apanharmos as matérias primas, vamos ganhando também uns “pontos” especiais, os quais serão necessários para podermos aprender novas habilidades e mecanismos. Existem muitas coisas para ser desbloqueadas, as quais estão dispersas por entre vários grupos, sendo eles: anatomia e alquimia, teologia, escrita de livros, agricultura e natureza, ferreiro, construção e, finalmente, cozinha. São sete grupos cheios de habilidades (e não só) para aprender e, em que, algumas delas só irão começar a ter importância numa fase mais avançada do jogo.

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Caso não se tenham apercebido, um dos grupos menciona anatomia e é mesmo aquilo que provavelmente estão a pensar. Quando recebemos os corpos para os enterrar, é possível fazer uma autopsia aos mesmos e extrair certos elementos. É possível ver a qualidade do corpo e se esta for má, podemos tentar recuperá-lo para poder assim ter uma melhor nota de qualidade a nível geral do cemitério. É possível remover o sangue, a gordura, os ossos, a pele, o cérebro, os intestinos, entre outras órgãos. Se o processo for mal executado, o corpo pode ficar ainda em pior estado e, nesse caso, mais vale atirá-lo literalmente para o rio.

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Relativamente à qualidade do nível do cemitério, esta pode variar conforme a limpeza e manutenção do mesmo. As campas precisam ser tratadas e alvo de manutenção, bem como aplicação ou substituição das lápides e afins. Podem aplicar ainda vários tipos de decorativos, os quais terão de desbloquear primeiro e os criar posteriormente.

Existe um ciclo dia/noite no jogo e também alterações climatéricas. Em muitas manhãs ou madrugadas, aparece um efeito de nevoeiro, mas também temos a típica chuva em algumas alturas. Tendo em conta que o jogo tem como aspeto pixel art, posso dizer que tanto a chuva como o nevoeiro estão bem conseguidos.

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Continuando no aspeto do ciclo dia/noite, no topo superior esquerdo podem visualizar em que ponto do dia é se encontram, mas, ao simultaneamente, irão reparar em vários símbolos. Esses símbolos estão associados a certos NPC’s ou situações. Isto significa, pelo menos por experiência própria, que só conseguimos executar certas missões se tivermos no dia correto do símbolo em causa. Vou dar alguns exemplos.

Apesar de sermos um coveiro, por alguma razão também damos missa na igreja do cemitério, mas só podemos fazê-lo num dia específico, ou seja, quando o respetivo símbolo estiver ativo. Outra das situações, são alguns NPC’s só aceitarem que se fale com eles nesses mesmos dias específicos. Se for noutro dia, eles podem não responder ao nosso diálogo, nem mesmo estar presentes para estabelecer uma conversa. Isto acontece também durante a noite, onde todas as pessoas recolhem a casa pouco antes de escurecer, e só de manhã é que voltam a sair para continuarem as suas rotinas. Quando precisarem de comprar determinados materiais a certas pessoas, terá sempre de ser feito durante o dia.

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Existem muitos NPC’s que vendem materiais que nós precisamos para podermos progredir em diversas situações. Seja comida, matérias-primas ou ferramentas, entre outras coisas, existe uma boa oferta de “lojas”, as quais também vão oferecendo cada vez mais produtos com o tempo. Isto é, quanto mais comparem numa loja, mais “afinidade” irão ganhar com ela e desbloquear novos produtos. Quanto ao dinheiro para comprarem coisas, esse ganha-se ao enterrar os corpos. Ao fazermos esse processo, é-nos dado um documento o qual se pode vender na taberna. Também podemos vender os nossos materiais ou tudo o que tivermos em nossa posse, ou se preferirem, podem usar como moeda de troca ao adquirirem outros produtos.

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Todas as nossas ações fazem com que o personagem se canse. Existe uma barra que se vai esvaziando com o tempo, à medida que apanhamos flores, cortamos árvores, partimos pedras, entre muitas outras atividades. Quando a barra ficar vazia, não conseguirão fazer mais nada e só vos resta duas soluções: dormir em casa, o qual tem um resultado mais eficaz se for durante a noite, ou comer alimentos se tiverem alguns em vossa posse. Pode ser qualquer tipo de alimento, incluindo até flores. É importante que vão apanhando flores de vez em quando para terem sempre em vossa posse, para que no caso de ficarem sem energia, as possam consumir. Isto irá permitir que continuem a trabalhar mais algum tempo sem terem obrigatoriamente de ir para casa dormir todas as noites. Se por acaso estiverem a meio de um processo, esse processo irá ficar parado até terem novamente energia e o possam retomar no ponto em que o deixaram.

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Como se o jogo já não tivesse imensas atividades e cuidados para ter em mente, ainda existem as dungeons, ou em português, masmorras. Estas estão repletas de inimigos e têm vários níveis. O loot que ganham também varia conforme o nível e é uma boa maneira de conseguirem itens. No entanto, não se preocupem muito cedo com elas pois precisam de várias horas de jogos para desbloquear determinados itens para só depois terem acesso. Acreditem que vai dar bastante luta chegarem a esse ponto.

Graveyard Keeper tem um aspeto pixel art e está muito bem conseguido. Os detalhes nos cenários estão bastante bons e os próprios personagens também. É um estilo de visual que tem tido uma grande evolução nos últimos anos e cada vez se vêem coisas mais detalhadas dentro do género.

A banda sonora do jogo é bastante agradável. As músicas são bastante relaxantes e criam um ambiente de pura descontração enquanto estamos na pele deste peculiar coveiro. Quanto a vozes propriamente ditas, não existem. Cada personagem tem um murmurar estranho como se de uma língua primordial se tratasse. Confesso que não sinto falta de vozes verdadeiras e até fica bastante engraçado assim.

Depois de ter mencionado tantos aspetos positivos, tenho a dizer que nem tudo está bem conseguido. Apesar de no início não ter havido qualquer tipo de problema, com o tempo comecei a notar cada vez mais o jogo aos soluços, apesar de muito leves. A fluidez desapareceu e nota-se uns pequenos brakes, de vez em quando. No entanto, tenho conhecimento de que já está a ser trabalhada uma patch para as consolas (para PC já saiu), em que esta situação, e muitos outros pequenos detalhes, irão ser corrigidos.

Graveyard Keeper é um jogo para durar horas e horas a fio. Apesar do conceito simples, existe toda uma complexidade por detrás que vos irá levar ao desespero (inicialmente) mas que, com o tempo, irão então perceber como tudo funciona, e que, afinal, nem é assim tão complicado. Este é um jogo com uma temática diferente de quase tudo o que existe (embora exista a base da gestão noutros jogos) e que só por isso já vale a pena jogar. A qualidade do título é inegável e, para já, é uma das boas surpresas de 2018.

muito bom

positivo Temática do título
positivo Horas e horas de jogo
positivo Sistema de gestão bastante detalhado
errado Falta de tutorial (sistema bastante complexo de perceber inicialmente)
errado Alguns problemas de frame rate

Data de Lançamento: 15 de Agosto de 2018
Produtora: Lazy Bear Games
Editora: tinyBuild Games
Género: Ação, Aventura, Estratégia, RPG, Simulação
Disponível para: PC e Xbox One (jogo disponível no Xbox Game Pass)

Análise feita na Xbox One S.

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Produtora/Editora.

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