Análises

Análise de Airheart – Tales of broken Wings

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Airheart – Tales of broken Wings consistiu num jogo que me chamou à atenção pelos seus visuais bastante coloridos e uma aparente jogabilidade, bastante divertida. Jogos de aviões não é o género mais comum no mercado, pelo que foi com muita curiosidade que abordei o título.

O jogo inicia com uma premissa minimamente engraçada, mas infelizmente, pouco desenvolve com o passar do tempo. Amelia é uma rapariga que vive na cidade flutuante chamada Granaria. Antes de se mudar, Amelia vivia no solo com o seu pai, mas este quis que ela fosse para lá viver com o objetivo de ter uma vida próspera. Segundo contam as histórias, existia uma Baleia dos Céus e quem a apanhasse, ficaria rica. Sky fishing, ou se preferirem, pesca aérea, é o ganha pão naquele local e este será um dos nossos focos principais no jogo – apanhar peixes. Porém, Amelia não é a única pessoa nos céus.

 

Airheart é um jogo de ação de aviões do género dieselpunk e com morte permanente. A sua jogabilidade gira em torno de apanhar peixes e ir voando cada vez mais alto, por entre as várias zonas, todas elas sobrepostas. Estas são literalmente sobrepostas, uma vez que, quando subimos para a zona seguinte, é possível observar aquilo que ficou mais abaixo. Podemos ver a zona anterior de uma perspetiva superior, o que cria uma boa sensação de progresso em termos de altitude.

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Assim que começamos o jogo, temos disponíveis três opções: Hangar, Bancada e Loja. Na primeira é onde podem fazer a preparação para sair com o avião e onde podemos também escolher que armamento ou peças do avião levar.

Na bancada é onde podemos criar itens com o loot que vamos obtendo ao longo do jogo. Porém, não existe qualquer informação ou pista, minimamente decente, que nos ajude a criar itens. É tudo muito em torno da tentativa e erro, o que torna muito difícil acertar em alguma coisa, visto serem inúmeras as possibilidades.

Por fim, temos a loja, que nos permite compreender claramente no que consiste. É nela que vamos adquirir novo armamento e as variadas peças de aviões, cada uma com as suas características. Todas estas compras são feitas com dinheiro ganho no jogo, não sendo possível usar dinheiro real.

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Em termos de controlos, são bastante acessíveis. Com o analógico esquerdo controlamos o avião e com o direito apontamos a mira. Ao início pode ser um pouco complexo, o que alguns minutos de prática podem solucionar, e deixar de ser um entrave. Não é o único jogo no mercado com este tipo de controlos, por isso, nada de novo.

São várias as armas existentes no jogo. Desde metralhadoras a lança rockets, ou até mesmo, armas de lasers ou lança chamas, são várias as opções à nossa disposição. Algumas são bem caras para adquirir, por isso preparem-se para um grande grind. Para além destas, temos também um gancho que serve essencialmente para arrancar a armadura de aviões ou estruturas, bem como agarrar aviões inimigos e fazer o que quisermos deles.

As peças de aviões também são algumas e podem comprar as que quiserem para ajustarem de uma melhor forma à vossa maneira de jogar. Em termos de características, a título de exemplo, podemos ter uma maior quantidade de vida ou maior agilidade, entre outros pormenores. Tal como nas armas, aqui também existem partes muito caras e que vos irão obrigar a jogar muitas horas para as conseguirem obter. De salientar que sempre que obtiverem novas e melhores armas/peças, podem sempre vender as antigas para ganhar algum dinheiro e materiais. Estes podem ser obtidos através da venda de equipamentos, ou também ao destruir inimigos e apanhar o loot deixado pelos mesmos, e ainda através de caixas espalhadas pelo mapa.

Ao contrário do que talvez se pudesse esperar, não existem missões propriamente ditas no jogo. Em suma, cada vez que estiverem prontos para sair, é fazê-lo e seguidamente ir subindo pelas várias zonas. A primeira área não tem inimigos e serve como tutorial para ensinar algumas ideias base e mecânicas de jogo. É após a subida para a zona seguinte que as coisas começam a aquecer. Já existem inimigos, mas também aviões inofensivos. Porém, estes últimos se forem alvos dos nossos tiros, podem virar-se contra nós. Existem diversos tipos de inimigos, uns de menor porte, outros extremamente grandes comparativamente ao nosso tamanho e que causam um desafio ao tentar descobrir qual a melhor maneira de os derrotar.

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Se bem se lembram, referi há pouco que apanhar peixes é o foco principal do jogo. Cada zona tem um determinado número de peixes, e uma vez todos apanhados, essa mesma área deixa de ter interesse. Ainda assim, somos obrigados a passar por elas cada vez que iniciarmos voo. Não existe outra hipótese e isto prejudica bastante o divertimento porque acaba por ser um processo bastante repetitivo, já para não mencionar andar a descobrir onde fica a plataforma que vos levará até à próxima camada. Sim uma plataforma. Não podemos subir por nós próprios, temos que nos deslocar até um local específico e subir através dele. Se por acaso quiserem regressar a casa, podem fazê-lo a qualquer momento ao ficar a pressionar para baixo no D-Pad. Contudo, apenas isto não é suficiente e terão que direcionar o avião até à base, literalmente.

Quando comecei a jogar, desconhecia por completo no jogo o fator “morte permanente”. Foi com bastante surpresa que quando morri pela primeira, voltei ao menu inicial e dizia apenas “Novo Jogo”. Ora, isto adiciona uma outra dinâmica a um jogo que, a certo ponto, parecia um bom título para descontrair durante um bocado ao fim do dia de trabalho. Tendo em conta que o jogo requer um pouco de grind a nível geral, é preciso ter muito cuidado e saber qual o limite para voltar à base antes que sejam destruídos totalmente. Se por acaso morrerem, podem perder várias largas horas de progresso, e isso pode fazer  com que, eventualmente, muitas pessoas se afastem do jogo.

Resumindo, se a vossa vida estiver quase no fim, é extremamente aconselhável que se retirem. Uma vez na base, não é necessário arranjar a nave. Assim que voltarem a sair, ela estará a 100% novamente.

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À medida que forem subindo, irão eventualmente apanhar bosses, os quais obviamente têm que destruir para prosseguirem o caminho. Quanto mais alto estiverem, maior será o desafio. Apanhar peixes, matar inimigos e escapar a balas vindas de todos os lados, resulta em momentos de puro caos e adrenalina. De salientar que, no meio de toda esta confusão, os aviões podem roubar o vosso loot, mesmo à vossa frente, como cheguei a ser testemunha. Ou seja, depois de algum esforço a matar alguém, vem outro guloso e leva o prémio. Isto em pleno e absoluto caos, enquanto tentam sobreviver, custa um pouco ficarmos sem aquela recompensa.

Sem dúvida que os visuais são um dos pontos mais cativantes deste jogo. Todas as suas cores e cenários estão bem conseguidos. O pormenor de pequenas ilhas flutuantes com árvores bastante coloridas, criam uma sensação de paraíso nas nuvens. Todas estes pormenores podem ser sempre observados de cima cada vez que vamos subindo mais alto, e só é pena não podermos apreciar melhor porque os inimigos estão por todo o lado.

No que toca ao aspeto sonoro, a música cumpre o seu trabalho. Quando estamos na base ou nas primeiras zonas, temos uma música ambiente bastante relaxante. A partir de certa zona, já temos uma música mais acelerada muito a condizer com o aumentar do frenesim de aviões e da ação. O som dos aviões e armas também estão bem conseguidos e a voz da personagem principal também não tem nada a apontar, embora esta seja sempre numa perspetiva de narração e não da personagem a falar no ecrã.

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Das várias horas que joguei, o jogo portou-se sempre bem em termos de desempenho e nunca teve quebras de frame rate. Para os fãs do modo foto nos jogos, fiquem também a saber que existe um disponível e que permite fazer variados efeitos. Tendo em conta os cenários e zona do jogo, é sem dúvida uma mais valia a existência deste modo.

Airheart tem uma boa premissa e um bom conceito, mas a jogabilidade acaba por sair algo curta em termos de longevidade saudável. É certo que existem muitas armas e equipamentos para adquirir, mas tudo isto custa bastante dinheiro, o que obriga a um enorme grind.

O jogo é bastante divertido nas primeiras horas, mas a partir daí começa a tornar-se um pouco repetitivo e, infelizmente, a história acaba por nem desenvolver muito o que é uma pena, pois tinha potencial para mais. O sistema de criação de itens também está longe de simples e, pelo menos para mim, foi algo que deixei de lado bastante cedo. O sistema tentativa erro para criar algo, não me pareceu nada apelativo. A falta de explicação desta mecânica é claramente uma falha no jogo. Todavia, é um jogo com boas ideias e com a “morte permanente” a adicionar uma pimenta extra à jogabilidade.

bom

positivo Visuais muito coloridos
positivo Boa banda sonora
positivo Visão vertical permite ver sempre as zonas inferiores
errado Sistema de criação de itens pouco intuitivo
errado A morte permanente pode afastar alguns jogadores
errado Grind necessário para upgrades mais dispendiosos
errado História com bom potencial mas mal aproveitada

Data de Lançamento: 24 de Julho de 2018
Produtora: Blindflug Studios AG
Editora: Blindflug Studios AG
Disponível para: PC, Playstation 4 e Xbox One

Análise feita na Xbox One S.

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Produtora/Editora.

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2 replies »

  1. Boa análise 🙂

    Lembro de ter visto um vídeo desse jogo e me pareceu bem interessante, afinal gosto bastante de roguelikes (esse me parece ser um representante do gênero) e shoot’em ups.
    Pela sua análise, parece ser um jogo agradável e com algumas boas ideias, mas com algumas parcelas de problemas (como o sistema de criação de itens).

    De qualquer maneira, é um jogo que quero conferir no futuro 🙂

    Liked by 1 person

    • Obrigado pelo comentário. 🙂

      Eu gostei do jogo mas tem algumas coisas menos bem executadas. Como referiste e bem, a parte do crafting é algo confusa e muito tentativa erro. Temos os vários materiais disponíveis mas depois não temos nenhuma “receita” para poder executar. Pensei que pudesse ser eu que não conseguia perceber mas depois fui verificar online e era mesmo assim. Pelo que entendi, se formos colocando os materiais certos acho que vai sinalizando de alguma forma, mas nem isso consegui sinceramente.

      O jogo é divertido no geral mas o termos que percorrer sempre as mesmas zonas para ir para as novas, consegue fartar passado algum tempo. Aconselho arranjar em promoção pelo menos. 😉

      Liked by 1 person

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