Análises

Análise de Shenmue I e II

shenmue analise

Shenmue tem uma base de fãs como poucos franchises de vídeojogos.

Talvez essa seja a razão principal pela qual iremos ter Shenmue 3 e, ao mesmo tempo, tivemos finalmente acesso a uma versão remasterizada do 1 e 2. Passaram quase vinte anos desde o seu lançamento inicial e, para muitos, foi um jogo lançado muito à frente do seu tempo. As suas mecânicas e características, fizeram dele um título a destacar-se dos demais muito facilmente. Porém, os dois jogos não foram muito bem sucedidos financeiramente, pois o seu custo de produção foi muito elevado para aquela altura e as receitas nunca compensaram. Depois disso, só uma versão do segundo jogo para a Xbox Original e nada mais. Passaram-se quase duas décadas e, finalmente, tivemos uma versão remaster. Vamos lá ver como esta se comportou!

Antes de começar, quero só deixar uma nota que no início de Junho escrevi um artigo aqui no site sobre a minha experiência com Shenmue na altura do seu lançamento, o qual podem ler neste link. Agora chegou finalmente a hora do remaster e é isso que vamos analisar já de seguida.

O jogo tem início com o personagem principal, Ryo Hazuki, a presenciar a morte do seu pai às mãos de um indivíduo chinês de nome Lan Di. Os motivos eram-nos, na altura, completamente alheios. O assassino desaparece para nunca mais ser visto. Começamos então a explorar a vila e a perguntar às pessoas se viram alguém suspeito e a tentar reunir informação para conhecer o porquê de todo aquele aparato, e consequente, morte do pai.

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 A partir daqui temos um título muito em torno da pesquisa em formato detetive. Somos forçados a fazer perguntas a muita gente até eles responderem decentemente. Por vezes, temos de esperar várias horas até certos momentos necessários para a história continuar. Os bares e lojas a que, por vezes, temos de aceder, só abrem a partir de determinadas horas e então resta apenas arranjar entretenimento para o tempo passar. Casas de arcadas ou de jogos ilegais são algumas das hipóteses. Pouco depois das 21/22 horas vê-se os donos das lojas nas ruas e as mesmas fechadas. Mostra que existe uma rotina bastante certa e estamos a falar de jogos de 1999/2001. Os bares só abrem perto das 19 horas e ficam abertos até às 4 ou 5 horas da madrugada.

Temos um bloco de notas onde vai sendo apontado tudo o que descobrimos e, se por acaso estivermos perdidos sem saber o que fazer, basta consultar o apontamento/nota sobre a nossa direção seguinte. Ao contrário dos jogos de hoje em dia, em Shenmue, apesar do mundo não ser muito grande, não existe um mini mapa. Contudo, existem zonas onde se encontra disponível um mapa que podemos consultar, com nome de alguns edifícios e lojas para nos orientarmos.

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O dinheiro também tem um peso algo importante no desenrolar do jogo, daí recebermos um envelope diariamente, entregue pela senhora que trata da casa – Ine Hayata. Apesar de não existir uma relação familiar entre os dois, ela conhece o Ryu desde muito novo. Este dinheiro que recebemos por ser utilizado em lojas para adquirir determinados produtos, nas máquinas com itens surpresa, bebidas nas máquinas de venda espalhadas pelas ruas, entre outras coisas. Eventualmente terá um papel muito importante na história principal, mas isso já fica para quando jogarem.

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Shenmue destacou-se também na altura pela atenção a todos os mínimos detalhes. Nunca eu tinha visto, naquela altura, um jogo tão pormenorizado como este. A título de exemplo, podemos andar pela nossa casa e investigar os vários compartimentos e gavetas dos móveis neles contidos. Podemos também fazer telefonemas para diversos locais e destaco ainda a existência de um relógio com hora específica e dia da semana, entre outras particularidades. Este pormenor do relógio com hora real, tem um grande impacto em tudo. Como já tinha mencionado, desde horários dos estabelecimentos, até horários para encontrar certas pessoas, ou ainda, para fazer o recolher obrigatório a casa, tudo foi algo com muitos pormenores que, a nível geral, enriqueceram e muito a experiência no início dos anos 2000.

Shenmue foi também um dos primeiros jogos a implementar os QTE – Quick Time Events. Na prática, isto quer dizer, em certos momentos, o jogo presenteia-nos com determinados botões no ecrã para pressionarmos na ordem em que eles vão aparecendo. Isto tira alguma liberdade na hora dos nossos movimentos, mas ao mesmo tempo, faz com que as cut-scenes tenham outro impacto. Foi provavelmente o primeiro que vi este mecanismo e, para sempre, ficou associado a Shenmue. Posso dizer que não fui o único, pois é uma das mecânicas mais famosas e bem implementadas da série.

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Infelizmente nem tudo são rosas. O medonho movimento do boneco continua igual. Principalmente em locais mais apertados ou em momentos em que nos temos de colocar precisamente à frente de determinado objeto, as coisas tendem a ser um pouco arcaicas. Tendo em conta ao que estamos habituados hoje em dia, em termos de liberdade, Shenmue fica ainda com pior aspeto nesta situação do que já tinha. Penso que não havia muito a fazer, senão tinham que refazer o código do jogo, provavelmente. Todavia, apesar de isto ser negativo, atribui aquela caracterização antiga, tal como o conhecíamos na altura.

O ciclo dia/noite está presente no jogo e os estabelecimentos regem-se por horários específicos também. O autocarro que utilizamos para nos deslocarmos para um determinado local, também só fica disponível de x em x minutos e se for ao fim de semana, é ainda outro horário. Este é só mais um pormenor delicioso e soberbo num jogo que sai no início dos anos 2000. E engane-se quem pensa que podemos ficar na rua em plena madrugada como em outros jogos. Ali perto da meio noite, somos transportados automaticamente para casa e, no dia seguinte, ainda somos abordados pela senhora responsável pela casa a pedir-nos para que não cheguemos tão tarde.

Vão existir algumas horas mortas no jogo onde temos de aguardar por determinados acontecimentos. Nessas horas, podemos ir a casas de arcadas e jogar os clássicos Hang-On e Space Harrier. É ainda possível jogar aos dardos. Não esquecer que estas atividades custam dinheiro, o qual é necessário para outras coisas. Fora isto, não resta grande coisa para fazer para além de explorarmos a cidade e a nossa casa, treinar no dojo e é basicamente isso.

Visualmente estamos a falar de um título com vários anos e mesmo com o remaster, as melhorias não são assim enormes. Ainda assim, nota-se claramente uma imagem mais limpa e “polida” .Temos agora uma imagem 16:9, ao contrário do clássico 4:3, embora nos vídeos ainda continue com este formato antigo. Em termos de frame rate, temos agora uns estáveis 30 frames por segundo, o que era impossível na versão da Dreamcast. Os cenários não sofrem tanto daqueles problemas que se via na versão da consola da Sega, estando agora mais limpos e sem grandes pixéis nas pontas dos objetos, casas, nuvens e por aí adiante.

Os loadings também estão indiscutivelmente mais rápidos, onde na versão da Dreamcast eram longos e penosos. Shenmue tem muitos pormenores visuais que surpreenderam na altura. Hoje em dia, podem já não ser considerados tão incríveis, mas a atenção ao detalhe é algo de louvar. As lojas bem caracterizadas por dentro, os diversos pormenores na rua, ou até as alterações climáticas, são só algumas das coisas que tornaram o mundo e a experiência de Shenmue, algo ainda mais real.

No que toca à vertente sonora, temos disponíveis áudios em Inglês e Japonês. Foram várias as vezes em que apanhei uns bugs no áudio. Desde sons a repetirem de x em x segundos, ou o próprio som do Ryu a beber uma bebida não parar enquanto não saiu do bar. Estávamos dentro do bar a falar com o barman e o som de engolir continuava de fundo. Tive até uma situação em que tinha um som a dar constantemente, depois apareceu uma cut-scene onde o  mesmo parou, e quando esta terminou o som voltou. Experimentei a sair do jogo e a carregar o save de novo e o som continuava, até que eventualmente desapareceu. De salientar que a Sega já anunciou que está a trabalhar numa patch, para corrigir este e outros bugs.

Quanto a Shenmue II, visualmente está um pouco melhor e o seu tamanho também é consideravelmente superior. As texturas têm claras melhorias e os cenários são ainda mais detalhados. Tudo o que possuímos no final do primeiro jogo, pode ser passado para Shenmue 2, muito à semelhança do que já acontecia com as versões do jogo na Dreamcast. Em suma, tanto o vosso dinheiro, como itens ou brindes, tudo se irá manter e podem fazer o que quiserem deles. Podem, inclusivamente, vender os itens em casas de artigos de segunda mão, de forma a ganhar alguns trocos. Neste segundo jogo já vamos ter que pagar renda, então qualquer dinheiro que entre, é bem vindo.

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Ao invés do primeiro jogo, agora já existe mapa para se comprar, de forma a nos orientarmos melhor. Existem diversos stands de mapas dispersos pelas várias zonas do jogo, onde cada um deles tem um mapa à venda, da zona onde nos encontramos. Isto quer dizer que irão ter que comprar vários. Neste segundo jogo também foram adicionados vários mini jogos, os quais serão extremamente importantes na hora de passar o tempo livre, ou até ganhar algum dinheiro. Podemos agora jogar nas casas de arcadas o famoso Out Run e After Burner. Na rua, é possível entrar em competições de braço de ferro, combates de rua e diversos tipos de jogos, onde se destaca claramente o jogo da sorte chamada Lucky Hit, inspirado no jogo real Pachinko.

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Shenmue 2 supera claramente o primeiro jogo, a todos os níveis. Os visuais superiores a juntar a mais mini jogos e atividades, acabando no continuar de uma excelente história, fazem deste título um jogo obrigatório, até para aqueles que não gostaram muito do primeiro.

Em jeito de conclusão, estas são duas obras de alta qualidade, tendo em conta que foram lançadas inicialmente entre 1999 e 2001 (lançamento em território japonês). Estamos a falar de um franchise com um conceito bastante diferente dos demais, com muitas mecânicas a marcar pela sua forma peculiar de implementação. Apesar dos gráficos algo ultrapassados e de alguns problemas de sons e bugs, os detalhes no mundo de Shenmue são excelentes e adicionam uma imersão maior ainda a um título que, claramente, foi uma influência em diversos aspetos para muitos dos jogos de hoje em dia.

muito bom

positivo Visuais melhorados consideravelmente
positivo 
Mundo aberto bastante detalhado
positivo 
O jogo corre bem melhor nas novas plataformas
positivo 
Excelente preço por dois jogos
errado Alguns bugs em termos de audio
errado Movimentos do personagem continuam arcaicos

Data de Lançamento: 21 de Agosto de 2018
Produtora: D3T (remaster)
Editora: Sega
Género: Ação, Aventura, RPG
Disponível para: PC, Playstation 4 e Xbox One

Análise feita na Playstation 4.

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