Análises

Análise de Shadow of the Tomb Raider

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Ainda me lembro da primeira vez que joguei Tomb Raider, foi há cerca de 20 anos.

Foi algures entre 97/98 que, numa Sega Saturn, tive o prazer de jogar pela primeira vez esta saga. E que “jogão” que era e, ao mesmo tempo, uma lufada de ar fresco. Durante estas duas décadas, vimos várias alterações na personagem Lara Croft, talvez a personagem feminina mais conhecida nos vídeojogos. Entre altos e baixos, a saga sempre teve bastante sucesso, no geral. Depois de alguns títulos mais conturbados em termos de qualidade, em 2013 foi o ano em que vimos a saga renascer das cinzas e ser alvo de um reboot tão necessário.

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Agora no terceiro e, aparentemente, jogo final da trilogia, vamos até ao Perú. Sem querer desvendar muito, depois de uma pequena passagem pelo México, onde acontecem algumas coisas que irão despoletar o resto dos acontecimentos, viajamos então até à América do Sul. Um dos nossos objetivos, para além da contínua tentativa de vingança da morte do nosso pai, é o evitar que a entidade já nossa conhecida, Trinity, consiga executar os seus planos e tenha em sua posse, peças e artefactos que de longe dela, devem estar. Posso dizer que, no final da história, acabei por ficar satisfeito com o que vi.

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Este terceiro jogo surge com algumas novas mecânicas, a adicionar às já clássicas da série, tornado aquilo que já era muito bom, em algo ainda mais superior e rico. Tal como nos jogos anteriores, continua a ser possível fazer loot aos inimigos ou ao explorar o mapa dentro de estruturas ou em plena vegetação. As áreas de jogo são maiores que nunca e isso também permite uma exploração e imersão no cenário como nunca anteriormente.

Existem agora locais específicos no mapa, onde é possível interagir com pessoas e ouvir as suas histórias ou avisos, aceitar missões e ainda comprar e vender itens a comerciantes. Relativamente ao tipo de missões secundárias, não temos nada de extraordinário ou inovador. São bastante simples e diretas, embora muitas delas abram lugar à descoberta de novos locais por explorar, com tesouros para apanhar e enigmas para decifrar, entre outras características a que já estamos habituados na série.

No que toca à ação/exploração, temos novidades, tal como já tinha mencionado. O sistema de nadar foi melhorado, sendo possível agora nadar mais rapidamente e, em certos locais, debaixo de água, sendo que existem poças de ar onde podemos recuperar o fôlego. Existem também novos inimigos aquáticos, os quais devemos evitar ou até escondermos-nos nas folhagens. Existem ainda debaixo de água, momentos mais claustrofóbicos onde parece que estamos muitas vezes a passar por locais extremamente exíguos e com alguma dificuldade. Outra novidade neste reboot é o podermos fazer rappel, o que permite outra mobilidade na exploração. Com isso, é possível igualmente correr nas paredes para dar balanço de forma a chegar à plataforma mais próxima.

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Outras das grandes novidades deste jogo, e talvez a principal, é a possibilidade de nos camuflarmos no cenário como nunca antes. Podemos encher-nos de lama, o que vai reduzir a perceção dos inimigos sobre a nossa posição e irá permitir também o podermos mover-nos mais facilmente no cenário. Existe agora muita folhagem na selva que permite um stealth maior e mais eficaz que nunca. Estamos perante algo inspirado certamente por ícones cinematográficos como Rambo ou Predador. Este é o pico do lado negro da personalidade da Lara e gostei bastante da forma como acabou por ser implementado. Eram sempre, sem dúvida, momentos de maior tensão, mas simultaneamente, de enorme satisfação quando éramos letais e imparáveis.

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Tal como nos jogos anteriores, as armas podem ser alvo de melhorias e, por isso, o loot e as peles dos animais continuam a ser bastante importantes neste aspeto. Existem novos animais para caçar, tais como tigres, com os quais até temos alguns contactos mais intensos. No que toca a caçar animais, existe agora uma habilidade que se pode desbloquear e permite, na visão de sobrevivência, verificar onde se situa o coração do animal e disparar o arco diretamente contra ele. Isto fará com que o animal morra de imediato. Bastante útil em certos momentos, sem dúvida.

O que não podia deixar de estar presente também é a típica árvore de habilidades, divididas em três secções. Algumas das habilidades são desbloqueadas com o avançar da história, o resto fica a vosso critério. Destaque para as várias secções de destruição muito ao estilo de Uncharted, onde somos canalizados por um determinado caminho e a destruição e caos vão acontecendo à nossa volta enquanto fugimos. Foram momentos divertidos apesar da tensão à nossa volta enquanto tentava sobreviver.

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As aldeias presentes no jogo, onde é possível falar com os seus habitantes, e muito mais, estão bem concebidas. Muita variedade de estruturas e ruínas para explorar e desvendar os seus mistérios. Algo que gostei bastante foi a possibilidade de poder escolher ter as vozes dos habitantes com o seu dialeto local, o que torna as coisas muito mais fidedignas.

Hoje em dia, já existem alguns jogos que oferecem diversos tipos de opções relativamente à dificuldade do jogo, mas na medida em que vão mais para além da dificuldade base. Falo, especificamente neste caso, de podermos mexer na dificuldade dos puzzles, do combate e da exploração. Isto faz com que pessoas que prefiram um maior desafio em puzzles, o possam ter mesmo sem aumentar o nível de dificuldade geral do jogo, e vice-versa. Tudo isto se aplica às restantes opções.

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Os visuais de Tomb Raider sempre foram muito importantes na medida em que, todos os pequenos pormenores de uma simples zona, podem torná-la memorável se reunir as condições perfeitas. Várias foram as vezes em que fiquei simplesmente a olhar para as paisagens e apreciar todo o detalhado trabalho que ali estava.  Desde as várias estatuetas gigantes, paisagens florestais ou montanhas com estruturas embutidas na sua constituição, tudo está perfeito.

As diferentes zonas do jogo têm todas pequenos toques que as tornam únicas quando comparadas. Tendo em conta isso, posso dizer que nunca tive a sensação de estar a passar pelo mesmo local duas vezes. Todas as zonas de selva estão muito bem recriadas. Toda a folhagem na mesma foi muito bem implementada de forma a se poder tirar o melhor partido do tal mecanismo à lá Rambo, onde nos enchemos de lama e chegamos “a roupa ao pelo” aos inimigos, de forma mais agressiva.

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O áudio do jogo está em grande nas diversas vertentes. As vozes da maioria dos personagens, estão muito bem executas, sendo que o destaque vai para quatro ou cinco personagens mais principais, onde se nota que houve uma especial atenção. Todos os sons da natureza ajudam bastante na imersão da experiência, ainda mais num jogo em que estamos na maioria das vezes em pleno mato florestal. Como já tinha referido anteriormente, destaque para a possibilidade de termos os habitantes das aldeias, a falar no seu dialeto local. No que toca à banda sonora, temos um trabalho com uma elevada qualidade e que, como sempre, acaba por enriquecer ainda mais esta experiência Croft.

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Mesmo depois de terminarem o jogo, poderão ainda ter muitas atividades por fazer, pois é possível continuar a jogar no momento exato antes da missão final. No entanto, se preferirem começar a aventura de novo, é possível com o New Game Plus, onde as vossas armas (e respetivos upgrades), habilidades, fatos e equipamento continuarão presentes na nova aventura. Para além disto, ainda desbloqueia três tipos de jogabilidade: o Caminho da Serpente, Jaguar e Águia. Cada uma tem os seus respetivos benefícios e prémios, acessíveis com o avançar do tempo.

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Esta foi sem dúvida, a Lara mais madura dos três jogos. Foi engraçado ver até onde chegou a relação de amizade entre ela e Jonah, o seu único companheiro presente desde o primeiro jogo nesta trilogia. Shadow of the Tomb Raider acaba por, na minha opinião, ser o título mais forte dos três. É o culminar de vários anos de trabalho e, tanto a nível visual, como de jogabilidade, estão ao mais alto nível da série. Espero poder voltar a encontrar-me com ela um dia, seja num deserto, numa floresta tropical, em zonas  de montanhas cobertas de neve ou até mesmo, no centro do mundo.

Shadow of the Tomb Raider é o culminar da trilogia, tanto a nível visual como de jogabilidade.

muito bom

positivo Excelentes e variados visuais
positivo 
Muitas zonas por explorar e desvendar mistérios
positivo 
Novo sistema stealth
positivo 
Relação entre Lara e Jonah
errado O enredo nunca foi o forte da série

Data de Lançamento: 14 de Setembro de 2018
Produtora: Crystal Dynamics, Eidos-Montréal
Editora: Square-Enix
Género: Ação, Aventura
Disponível para: PC, Playstation 4, Xbox One

Análise feita na Playstation 4.

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Ecoplay.

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