Análises

Mutant Year Zero: Road to Eden – Análise

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Mutant Year Zero é baseado numa série sueca de jogos de mesa com o mesmo nome. O estúdio por detrás desta adaptação chama-se The Bearded Ladies e contém pessoas que trabalharam em jogos como Hitman e Payday. Só há poucas semanas fiquei ao corrente do jogo e apaixonado assim que vi o gameplay. Tanto o ambiente, como os cenários e temática apocalíptica facilmente me deixaram ansioso por começar a jogar. Estamos perante um título de estratégia e com jogadas por turnos, muito ao estilo do famoso XCOM, entre outros jogos do género.

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Em termos de história, a civilização, tal como a conhecemos hoje em dia, foi dizimada por uma doença mortal e também por uma guerra nuclear, em que os humanos que sobreviveram, são agora mutantes devido aos efeitos das radiações. Vivemos atualmente na Ark, local que serve para fazermos diversos tipos de upgrades e receber missões diretamente e, curiosamente, do único humano presente na mesma, denominado de Ancião.

Em termos de narrativa, apesar de não ser uma história totalmente cativante, o ambiente apocalíptico está bem conseguido e fez-me continuar interessado até ao fim. O nosso objetivo inicial é obter recursos para a nossa base continuar a funcionar de forma a podermos sobreviver, embora isto não tenha implicações em termos práticos no jogo. Com o tempo e o desenrolar dos acontecimentos, os nossos objetivos passam a ser outros, mas não me vou alongar mais sobre o assunto para não revelar demasiados detalhes.

Existem várias zonas no jogo mas só vão ficando desbloqueadas assim que lá chegarmos. Digo isto porque, a nível de mapa, elas nem aparecem e só quando chegamos à sua fronteira é que são reveladas. Cada uma delas tem vários níveis de dificuldade, sendo que se for muito alto naquele momento para vocês, vão poder ver uma caveira a simbolizar isso mesmo. Nem todas as zonas são obrigatórias de explorar para chegar ao fim do jogo mas, a vantagem de o fazerem, está simplesmente na obtenção de mais recursos para melhoramentos, bem como melhores equipamentos dispersos pelos cenários.

Começamos o jogo com dois dos personagens principais: Bormin e Dux. Cada um tem a sua árvore de habilidades/mutações disponível para a melhorarmos da maneira que acharmos mais conveniente à nossa forma de jogar. Ao longo da campanha, iremos ter outras novas companhias, sendo possível selecionar quais os três personagens em jogo. Todos eles podem ser alvos de mutações (upgrades) de diversos formatos. Algumas são passivas e outras podem ser ajustáveis. Cada uma das personagens está focada num determinado tipo de combate e as suas habilidades estão muitas vezes relacionadas com o mesmo. Apesar de algumas destas habilidades estarem repetidas entre os personagens, existe uma decente oferta de caracterização que permite ter uma personagem focada somente num estilo. Ainda assim, seriam bem vindas mais opções ao nível da mesma. De salientar que, ao nível do armamento, também existe a possibilidade de melhoramentos.

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Gostei bastante da exploração do terreno de jogo e, embora não sendo um mundo aberto, tem espaço suficiente para nos dar alguma liberdade aos nossos movimentos. O mapa está repleto de inimigos em algumas zonas mas é possível evitar alguns destes. Ao andarmos com a lanterna ligada, os inimigos vão detetar-nos muito mais facilmente e o seu raio de deteção também é bem superior. Se apagarmos a lanterna e nos movimentarmos mais cautelosamente, podemos explorar os locais de forma mais descansada e até, examinar o terreno para saber qual a melhor tática para abordar o inimigo. De preferência, convém atacarem o menor número de inimigos ao mesmo tempo, de forma a conseguirem ser mais letais. Se pensarem em simplesmente atacar de frente todo um grupo, dificilmente as coisas irão correr bem.

É extremamente necessária uma estratégia sobre como abordar o inimigo. É possível fazê-lo em formato de surpresa, para podermos ser os primeiros atacar e assim, tentar eliminar alguém o mais rapidamente possível, sem sequer deixar rasto e alertar outros inimigos. Há certos oponentes que alertam a resistência e chamam reforços, o que torna o combate desigual e praticamente impossível de vencer. Achei a inteligência artificial do inimigo bastante razoável.

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Os visuais foram, para mim, um dos aspetos que me cativaram logo desde início. Embora não sejam extremamente detalhados, existe uma boa variedade de cenários e objetos, os quais resultam em mapas cheios de cantos para explorar e edifícios para fazer loot. O cenário apocalíptico está bem conseguido e iremos passar por diferentes zonas, muitas delas com um aspeto único. As cutscenes não são assim muitas e a maior parte dos eventos, são relatados através de imagens, as quais têm um artwork bastante bom.

Gostei também da interação entre as personagens em pleno jogo, sobre os diversos assuntos que iam falando. Um dos casos mais engraçados foi quando estavam a falar sobre alguns itens que usamos hoje em dia, mas que, para eles, são relíquias perdidas no tempo e nem sabem bem para que servem. Estou a referir-me, por exemplo, ao leitor de mp3, ao qual lhe deram um nome muito caricato. Achei o design das personagens são únicos, interessantes e algo diferente do que estamos habituados.

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Em termos de áudio, a música ambiente passou-me ao lado, na medida em que pouco dei por ela. Foi mais em cutscenes que se fez destacar mas, fora isso, acho que tem uma presença muito fraca no jogo, o que é uma pena. E continuando nos aspetos menos bons, passemos aos poucos problemas que tive com o jogo. Foram várias as vezes que o jogo saltou para a dashboard cada vez que fazia fast travel para a Ark. Apesar de nunca perder progresso devido ao auto-save, é sempre desmotivante ter que voltar a entrar no jogo. Tirando isto, por duas vezes, tive um problema com o carregar das texturas precisamente no mesmo local. Fora isso, tudo correu sempre bem.

Tendo em conta tudo isto, Mutant Year Zero: Road to Eden é um bom jogo em termos de produto final. Apesar das pequenas falhas mencionadas, os seus pontos positivos são fortes o suficientes para aconselhar este jogo, tanto aos fãs do género, como a jogadores disponíveis a novas experiências.

muito bom

positivo Bons cenários e ambiente apocalíptico
positivo Vários personagens à nossa escolha
positivo Diversos tipos de habilidades para cada uma delas
positivo Jogabilidade acessível mas exigente em termos de tática na hora de atacar
errado Vertente musical pouco presente
errado Pequenos bugs (mencionados no texto)

Data de Lançamento: 4 de Dezembro de 2018
Produtora: The Bearded Ladies
Editora: Funcom
Género: Turn-Based, RPG
Disponível para: Microsoft Windows, Playstation 4, Xbox One

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da The Bearded Ladies/Evolve.

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