yakuza artigo 1

Quando pensas que já sabes o que vai acontecer na história, levas um “pontapé nas costas” com mais uma reviravolta, no mínimo, surpreendente. Para mim, esta é a essência máxima de Yakuza em termos de narrativa. O conjunto enorme de personagens que existe e as suas ligações, oferece sempre uma narrativa interessante, a qual na maioria das vezes, nos agarra até ao fim. O existir de várias famílias no jogo, consegue sempre proporcionar diversas tramas com traições e alianças, sempre capazes de nos surpreender. É claramente um dos pontos fortes dos jogos e para quem não é fã da cultura japonesa, este consegue ser o fator ao qual dou maior destaque quando tento aconselhar a série a alguém.

No entanto, esta não se destaca apenas nesse aspeto. Muito pelo contrário. Todo o simbolismo nipónico está espalhado por toda a parte, seja pelas ruas ou dentro dos espaços comerciais, sendo uma delícia para os olhos poder ser brindado de forma tão realista a experiência de andar por estes espaços japoneses. Para alguém como eu que já esteve no dito país do sol nascente, deixem-me dizer que o jogo consegue representar, de forma inacreditável, muitos dos pormenores que pude comprovar na realidade. A título de exemplo, uma das coisas que mais me deixou impressionado na primeira vez que joguei Yakuza, após o regresso do Japão, foi o pormenor das guias no chão para os invisuais, algo que podia muito bem passar ao lado se não estivesse presente no jogo. Isto é algo insignificante, mas que é apenas a ponta do icebergue do que toca ao realismo visual na série. Algo presente também é o barulho ensurdecedor que vem do interior dos espaços comerciais, dando a sensação que existe uma competição entre as lojas para ver quem tem a música mais alta. Quem diz música, diz o som da casas de jogo com o frenesim das máquinas. Existem inúmeros pormenores que podia continuar a mencionar durante um bom tempo mas que, certamente, não terão o mesmo impacto em todo o público.

yakuza artigo 3

Apesar da sua qualidade, sempre foi um franchise com alguma dificuldade em assentar no mercado Ocidental. Culpa disso está, em parte, no processo de tradução do jogo onde o conteúdo é extremamente extenso e muitas vezes complexo pois nem todos os termos ou expressões usadas por lá têm tradução direta para inglês, ou qualquer outra língua. Foi certamente um fator que atrasou bastante o lançamento dos jogos por cá, tendo inclusive Yakuza 5 levado três anos para que ficasse disponível por estes lados e foi somente em formato digital.

Foi apenas em 2017 que começamos a ver os títulos a aparecerem com mais frequência por cá. Nesse ano tivemos direito a Yakuza 0, considerado o primeiro jogo da série, cronologicamente falando. Este foi, sem dúvida, um momento que pode ter marcado o início de uma nova era da saga em território “estrangeiro”, pois é o título ideal para qualquer pessoa começar a jogar. Muita gente gosta de começar pelo primeiro (obviamente) e, tendo em conta que o 1 e 2 tinham saído apenas na Playstation 2, eram de muito difícil acesso atualmente. Com esta situação, todos podem começar a jogar e, por acaso, ainda em 2017 saiu Yakuza Kiwami, um remake do primeiro Yakuza. Mais um excelente passo por parte da Sega, tendo a partir daqui sido sempre a subir.

Em 2018 vimos o lançamento do último jogo da saga, ou pelo menos com o personagem principal Kazuma Kiryu, e também de Yakuza Kiwami 2, o remake do segundo jogo da série. Tendo em conta estes factos, fica agora mais acessível que nunca começar a jogar visto que depois o terceiro, quarto e quinto título estão disponíveis na já velhinha Playstation 3. As boas notícias é que estão a ser feitos remasters (não remakes) do terceiro, quarto e quinto títulos para a Playstation 4, por isso ainda mais fácil será de entrarem no mundo de Yakuza.

yakuza artigo 2

Foi algures em 2007 que joguei o meu primeiro Yakuza, mais concretamente Yakuza 2 para a Playstation 2. Na altura, ouvi falar de um mundo aberto no Japão e isso rapidamente despertou a minha atenção. Confesso que sou um aficionado da cultura japonesa há já bastante tempo e também foi um fator que facilitou no processo de abordagem ao jogo. O mundo aberto não é de todo aquele espaço enorme como outros do género, muito pelo contrário. É um espaço mediano mas, ao contrário de  muitos outros, intensamente preenchido de coisas para fazer e decorações diferentes em todos os edifícios. Lá está, um mundo enorme não significa propriamente um mundo de qualidade e é precisamente isso que Yakuza faz. Tem um mapa relativamente pequeno comparando com outros, mas onde a densidade de objetos é extremamente alta.

A zona de jogo é a mesma em todos os jogos, mas na qual se pode observar várias alterações com o avançar dos anos. A título de exemplo, existe uma zona em construção nos primeiros jogos e que, se não me falha a memória, só em Yakuza 5 é que essa construção ficou terminada e onde existe um edifício enorme nesse local. Tal como isto, existem pequenas lojas que vão sendo reajustadas ou novos becos por explorar, os quais eram inexistentes nos primeiros jogos. Em suma, a zona é a mesma essencialmente mas com algumas alterações jogo após jogo. Uma vez que joguem um ou dois jogos, daí para a frente já irão conhecer os “cantos à casa.” No entanto, para além desta zona chamada Kamurocho, a qual retrata na realidade o distrito da luz vermelha em Tóquio chamado Kabukicho (já lá estive), existem outros locais e cidades que estão presentes em alguns títulos tais como Hiroshima, Osaca, Okinawa, Fukuoka, Sapporo e Nagoia, entre outros.

Muito honestamente, nunca acabei o segundo título naquele tempo e nem sei bem a razão. Devido a um grande backlog, ainda tenho o Kiwami 2 para jogar, mas é mesmo o último que me falta dos lançamentos principais. Como já tinha referido, a minha relação com a série já vem desde 2007, embora só nos últimos cinco anos tenha começado a ficar mais fervorosa depois de ter jogado Yakuza 3 em 2013, após a minha vinda do Japão. Depois de ter acabado recentemente Yakuza 6, este último só veio cimentar ainda mais a minha adoração pela série. Olhando para trás, jogo após jogo, foram sempre implementadas novas mecânicas e mini-jogos bastante peculiares e divertidos, elevando a fasquia para classificar Yakuza como um jogo como poucos em termos de oferta de conteúdo diferente, muito japonês e bastante cómico em certos momentos.

Para mim, apesar das suas excelentes histórias, embora por vezes com alguma típica lamechice japonesa à mistura, é a exploração do seu mundo que me deixa completamente imergido em toda a sua oferta e variedade. E enquanto a história é possível de ser apreciada por qualquer um, é nos pequenos pormenores da cultura japonesa presentes no jogo que faz com que esta parte não seja para todos, mas quase unicamente para os apreciadores natos da mesma. Apesar disso, aconselho vivamente toda a gente a dar uma oportunidade e, quem sabe, descobrir uma nova série favorita.

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