Entrevistas

Entrevista ao produtor de Exophobia

jcastanheira

Foi durante a Lisboa Games Week que tive oportunidade de falar com José Castanheira e também de experimentar o Exophobia. Para saberem o que achei do jogo, entre outros indies que joguei no evento, visitem esta página.

Recentemente, o José aceitou responder as umas perguntas sobre o seu percurso até agora na indústria, entre outras questões mais a nível pessoal. Espero que gostem da leitura nos próximos minutos 😛

 

Qual foi o momento em que decidiste que querias fazer jogos?

Acho que não houve nenhum momento fulcral e memorável em que me apercebi que era isso que queria fazer. Desde que me lembro que rabiscava ideias para níveis e pequenos jogos/passatempos como os que se via nas revistas para crianças. Por volta dos 13 anos, andava a jogar um emulador de Mega Drive porque não tinha muita capacidade financeira para jogar jogos recentes, e lembro-me de ficar um bocado insatisfeito com alguns níveis no Sonic. Comecei a desenhar os meus próprios níveis e temas no papel. E depois aí é que me deu na cabeça ir procurar na internet como é que se fazia um jogo. Encontrei o Game Maker, um motor de jogo muito simples, em que não era preciso aprender a programar para fazer um jogo. Na altura, tinha medo de programação, mas agora tenho um curso em engenharia informática (risos). A partir daí fui fazendo testes, mas sempre com muito receio, e ao longo do tempo fui-me apaixonando mesmo pela criação de jogos e até hoje utilizo o Game Maker, mas já a programar. Como gostava bastante de artes e matemática, achei que esta área combinava muito bem ambas as coisas.

Há quantos anos é que já o fazes? Podes dizer alguns dos jogos que já fizeste ou em cuja produção estiveste envolvido?

A mexer no Game Maker comecei com 13 anos, na altura não fazia ideia do que é que fazer um jogo a sério envolvia… Não tinha ideia do que era programar, fazer o design do jogo, etc… Só mais tarde, no secundário, é que comecei a perceber que as pessoas gostavam das minhas pequenas experiências e que isto era bastante divertido. Decidi então dar uma oportunidade ao desenvolvimento de jogos e fui fazer um Curso Superior em Informática para aprender a programar a sério e entrar na área. Depois de muitas game jams, em que fazia jogos em poucos dias sobre um tema, chamei a atenção da Nerd Monkeys que me convidou para o seu estúdio como programador. Estive assim envolvido numa aplicação chamada Piropos do Jorge Daniel e no Inspector Zé e Robot Palhaço: O Assassino do Intercidades. Como projeto pessoal, também fiz um jogo moderadamente conhecido entre os criadores de jogos portugueses, o Super Arrebenta Manos, uma espécie de Smash Bros., com personagens de jogos portugueses!

Se alguém estiver interessado, onde podemos encontrar esses jogos para jogar?

Todos os meus projetos estão no meu site pessoal: Página

Os jogos em si estão alojados no itch.io e GameJolt. A maior parte são jogos de game jams e estão grátis!

Quais as maiores dificuldades na criação de um jogo?

Para mim é mesmo conseguir realizar aquela ideia que temos na cabeça! Muitas vezes pensamos que algo vai ser divertido, ou ser de certa maneira, mas depois por várias limitações o jogo pode sair um bocado ao lado, ou descobrirmos que certa ideia não funciona. E aí há que saber largar ideias com que estivemos apaixonados algum tempo e isso custa (risos). Outra coisa é que há demasiadas ideias para o tempo que realmente temos. Já tive de deixar muitos jogos que gostava de levar para a frente a sério e que até tinham boa receção, por falta de tempo e dinheiro.

Qual a atual situação do mercado indie em Portugal? E quanto aos apoios?

Não conheço muito para além do estúdio em que trabalhei, que se tem aguentado. Quanto a empresas mais pequenas nunca duram muito tempo, e isso nota-se. Os jogos não têm recebido apoios, daí ser um esforço enorme manter um estúdio cá quando se começa do nada.

exophobia

Neste momento estás a trabalhar em Exophobia. O que nos podes contar sobre ele?

O Exophobia é um FPS retro com alguma inspiração metroidvania. É sobre uma nave que aterra num planeta desconhecido e o jogador tem de explorá-la de modo a perceber o que realmente aconteceu quando aterrou. Decidi continuar esta ideia depois de um protótipo de uma game jam em 2016, passado dois anos. Comecei o desenvolvimento desta versão comercial em Outubro.

Quais foram as maiores influências para o jogo?

Toda a gente que olha para o jogo diz-me que lhe lembra o Doom ou Wolfenstein 3D, mas nunca joguei esses jogos… Para mim é um desafio de fazer o meu próprio FPS com as minhas próprias regras, um género que não jogo nem gosto de todo, por isso estou a fazer do Exophobia um FPS divertido para mim (risos).

Como tem sido a reação do público nos eventos?

Já o levei ao Lisboa Games Week, onde teve uma excelente receção! Pensei que a sua estética em pixel art fosse limitar um bocado o público alvo, mas tive pessoas interessadas em acabar a demo até ao fim com idades desde os 5 aos 50 (risos). Foi engraçado ver pais e filhos a experimentar com muita curiosidade. Também num evento para gamedevs e amantes de videojogos, o GameDev Soirée, recebi boas críticas e sugestões.

Ainda relativamente ao Exophobia, existe alguma data em mente para o seu lançamento? Quais as plataformas onde irá estar disponível?

Ainda é muito cedo para decidir uma data de lançamento, mas queria que o seu tempo de desenvolvimento fosse curto e com um preço baixo. Por enquanto penso por volta de Abril deste ano, mas se não cumprir, pelo menos algures este ano. Vou tentar lançar para a Steam, mas com toda a certeza que vai estar no itch.io.

Apesar de Exophobia ainda não ter saído, já existem ideias para o próximo projeto? Se sim, podes revelar-nos alguma coisa?

Por acaso, sim, já ando a pensar no que fazer a seguir se tudo correr bem! Ando a reescrever um conceito de uma história que escrevi em banda desenhada no secundário, e que tive ideia de passar para jogo há alguns anos. Queria voltar a fazer um jogo de luta, mais ao estilo do Super Arrebenta Manos!

exophobia1

Um pouco mais a nível pessoal, quais são alguns dos teus jogos favoritos? Existe algum jogo que esteja para sair que queiras jogar em especial?

Tenho um grande carinho desde pequeno pelo Rayman, é das minhas mascotes de jogos de plataformas preferida. Plataformas é mesmo o género que gosto de jogar mais. Na parte dos indies gosto bastante de Undertale e Hotline Miami. Por acaso não tenho assim em mente nenhum jogo que esteja para sair, mas ando maravilhado com o Return of the Obra Dinn

Return of the Obra Dinn é um jogo que desconhecia até chegar o final do ano e verificar que estava presente em vários tops de melhores de 2018. Se surgir a oportunidade, quero experimentar.

Tens alguns planos a longo prazo no que toca ao envolvimento na indústria dos videojogos?

O meu plano final é mesmo ser criador independente. Mas já vai ser uma sorte conseguir continuar a trabalhar em videojogos! Depende de como correrem estes primeiros projetos.

Antes de terminarmos, diz-nos onde podemos encontrar-te em termos de redes sociais e sites. Obrigado mais uma vez por teres disponibilizado algum tempo para responder às perguntas e venha de lá o Exophobia 🙂

De nada, eu é que agradeço, todo o apoio é imenso para os criadores!

No meu site costumo colocar o meu trabalho, é uma espécie de portefolio: Página

No Twitter partilho tudo a ver com o meu trabalho. Muita pixel art e gifs dos jogos que estou a fazer @jcccastanheira

No Facebook há uma página dedicada ao Exophobia: Página

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