Análises

Resident Evil 2 – Análise

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Se há algo que os remakes/remasters nos fazem, é recuar no tempo e encher-nos de nostalgia. Resident Evil 2 não foge à regra e transporta-nos para uma altura muito juvenil para muitos de nós, os quais tiveram a sorte de jogar a versão original em 1998. A segunda entrada na série é, para muitos, a melhor de todas e o entusiasmo em torno deste remake, desde o seu anúncio em 2015, só tem aumentado com o passar do tempo. Resident Evil 2 é dos jogos mais esperados do ano e, provavelmente, candidato a vários prémios quando chegar a hora. Se durante 2018 tivemos alguns bons remakes no mercado, então 2019 não poderia ter começado de melhor forma.

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O enredo continua o mesmo e estaremos na pele do polícia Leon Kennedy e de Claire Redfield, ambos apanhados na mesma situação, mas com objetivos diferentes. Se por um lado Leon vai para Raccoon City de modo a saber o que se passou com o seu departamento após ter perdido contacto, por outro lado, Claire partiu em busca do seu irmão Chris, o qual por sinal, também é polícia. Ambos chegam à cidade ao mesmo tempo mas vêem obrigados a separar-se após o despiste de um camião, o qual os forçou a seguirem caminhos opostos.

Existem duas campanhas, cada uma jogada com Leon e Claire respetivamente, onde alguns eventos vão mudando, conforme a personagem que estiverem a usar. A duração de ambas as campanhas pode rondar as 15/20 horas de jogo, dependendo do nível de dificuldade. Após terminadas, serão desbloqueados novos modos de jogo e também existem incentivos para voltar a jogar novamente.

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Como seria de esperar, as mudanças são mais que muitas. Desde a jogabilidade, aos visuais e até à câmara de jogo, entre muitas outros pormenores, estamos perante um jogo praticamente novo, mas sem nunca abandonar por inteiro as suas raízes. Temos agora um jogo na terceira pessoa com a câmara por cima do ombro direito na hora de disparar. Isto é o normal em muitos jogos de hoje em dia, mas o jogo original tinha as câmaras fixas nos corredores e no que toca à parte de fazer mira, era bem mais difícil quando chegava a hora.

Agora tudo se tornou mais fácil e, ainda bem, pois os zombies estão mais perigosos que nunca. Se jogarem como é suposto, haverá no jogo determinados locais onde apenas a vossa lanterna irá iluminar o caminho. Estarão facilmente sujeitos a um ataque repentino de um zombie que espreita no escuro, capaz de triplicar o batimento cardíaco dos mais sensíveis. Para ajudar à “festa”, os zombies são duros de matar, onde muitas vezes, vários tiros na cabeça podem não ser suficientes para os eliminar. Se à primeira vista, podem parecer que já não se vão levantar, tenham cuidado pois do nada podem voltar a erguer-se. Mesmo que saiam do local, quando voltarem a passar por lá é bem possível que ele possa estar novamente pronto para vos dar uma dentada. Toda esta situação é, no mínimo, inquietante mas, o melhor, é tentarem sempre rebentar com a sua cabeça, embora isso possa ter consequências drásticas na vossa munição. Em último caso, existe sempre a hipótese de tentarem passar por eles, para poupar na munição, o que é vantajoso a longo prazo.

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Existem novidades na jogabilidade e uma das primeiras a ser realçada é a hipótese de podermos tapar as janelas com pedaços de madeiras. Bem me lembro dos momentos de horror a passar por corredores apertados, sempre à espera do próximo zombie a entrar pela janela dentro. Agora, podem sempre apanhar vários pedaços de madeira para selar as janelas partidas. Não vai servir de muito pois existem sempre outros locais pelos quais eles poderão entrar, mas, pelo menos, sabem que dali já não vem mais nenhum. Outro aspeto que sofreu alterações foi a circulação dos zombies. Se no original eles não saíam do corredor ou compartimento onde estavam, no remake  andam por todo o lado, inclusive, podendo passar entre compartimentos ao abrir portas. Nada é seguro e isso, mais uma vez, é bastante inquietante.

Para contribuir para o ambiente de inquietação, o inimigo Tyrant, mais conhecido por Mr X, é uma pura assombração atrás de nós. Se há algo que me deixou bastante desconfortável durante boa parte do jogo, foi ouvir os seus passos e saber que estava por perto. Mas como isto não era suficiente, é impossível prever onde irá aparecer da próxima vez, sendo mais uma vez, os seus passos a única forma de saber que se está a aproximar. Puro pânico quando o encontramos em locais mais exíguos.

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A posição dos inimigos também foi outra situação que mudou. Para os fãs de longa duração do segundo título, haverá algo de novo neste aspeto. Não esperem ver o mesmo posicionamento nas diversas áreas, bem como a famosa e atormentadora presença dos amigáveis Lickers. Ah, meus amigos como (não) tive saudades vossas! Alguns dos itens necessários para avançar no jogo, como chaves ou peças essenciais para puzzles, também foram reajustados no cenário e a sua localização passou novamente a ser uma incógnita, criando mais uma vez, um novo desafio aos fãs mais antigos da série.

Existem várias armas e agora também podemos aplicar peças extras às mesmas, tornando-as mais letais na hora da ação. Também temos acesso a facas, as quais são preciosas em certos momentos de aperto quando temos um zombie sobre nós. Se formos agarrados, aparece a opção no ecrã para espetarmos a faca no zombie. No entanto, só a podemos recuperar após matá-lo. Caso tenham que fugir, bem podem dizer-lhe adeus, pois provavelmente irá desaparecer. Em todo o caso, irão encontrar várias facas espalhadas durante o jogo pois estas têm uma certa durabilidade e, uma vez partidas, precisam equipar outra. Quem diz equipar uma faca, também diz equipar uma granada, a qual é colocada automaticamente na boca do zombie se a opção aparecer no ecrã. Também é possível usá-la de forma livremente, atirando-a para onde quisermos.

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Os puzzles estão obviamente de volta, ou não fossem eles parte da jogabilidade principal do jogo. Para aceder ao compartimento X, ou para usar determinada alavanca, é muitas vezes preciso obter algo antes e que pode estar facilmente escondido por trás de um puzzle. A nível geral, são acessíveis, embora muitas vezes, as coisas não sejam entregues de bandeja e vos forcem a procurar por várias zonas do mapa aquilo que realmente precisam.

Visualmente, estamos perante algo ao melhor nível desta geração. O jogo usa o RE Engine, o mesmo motor aplicado em Resident Evil 7. Os efeitos de luz estão soberbos, bem como todo a violência visual e o impressionante gore em situações mais delicadas. A brutalidade visual não foi poupada e bem cedo somos bombardeados com momentos de deixar mal dispostos os mais sensíveis. Seja um corpo dividido ao meio onde se vê todo o seu conteúdo interior, bem como uma cara completamente rasgada, são imagens que tão cedo não deixarão as minhas memórias associadas ao jogo. Então e o escuro! Ai o escuro! Um dos maiores inimigos no jogo e, mesmo sem nos fazer mal diretamente, consegue fazer-nos sentir frágeis e à mercê de qualquer zombie que esteja na escuridão, pronto para nos dar uma valente “abraço”. Foram vários os  momentos em que me senti sufocado e sem conseguir engolir a saliva, enquanto tentava fazer o mínimo barulho, de forma a poder ouvir qualquer mínimo som que pudesse aparecer. Isto em plena escuridão, onde apenas o raio de cobertura da lanterna nos faz ver qualquer coisa e, nesse momentos de maior aperto, essa pequena luz parece quase inexistente.

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Toda a banda sonora foi refeita e o som trabalhado de forma a ter o maior e melhor impacto possível na experiência. O som dos zombies está melhor que nunca e se usarem phones, a imersão será soberba e fará com que se sintam no local, capazes até de começar a sentir suores frios por cada passo que dão. As vozes dos personagens também foram novamente gravadas e por outro elenco, resultando certamente num melhor trabalho de dobragem do que há duas décadas. Na minha opinião, qualquer uma das vozes esteve bastante bem, dando  um maior dinamismo e realidade a toda a trama.

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Muito sinceramente, não acho que o jogo tenha grandes problemas, tirando talvez algumas texturas aqui e ali que não pareciam tão boas, comparativamente ao resto do jogo. No entanto, dada a elevada qualidade a nível geral, é um pequeno pormenor que tem muito pouco peso, tendo em conta tudo o que jogo faz de bem.

O remake de Resident Evil 2 levou tempo a ser feito mas o resultado final é extraordinário. As melhorias e mudanças são consideráveis e acabam por oferecer uma experiência praticamente nova a todos aqueles que jogaram o original, bem como uma nova aventura de elevada qualidade a todo os restantes que ainda irão jogar pela primeira vez.

EXCELENTE

positivo Jogabilidade com novidades e ajustada aos dias de hoje
positivo Violência e Gore ao mais alto nível na série

positivo A escuridão proporciona momentos de claustrofobia e pânico
positivo Depois de terminadas as campanhas, existem novos modos de jogo
positivo Efeitos sonoros continuam a contribuir para momentos aterradores
errado Algumas texturas menos boas mas muito raras

Data de Lançamento: 25 de Janeiro de 2019
Produtora: Capcom
Editora: Capcom
Género: Survival Horror
Disponível para: Playstation 4, Xbox One e PC

Análise feita no PC.

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Ecoplay.

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