Análises

Anthem – Análise

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Anthem é um dos jogos mais esperados do ano e desde cedo teve a sua fasquia bem elevada. Porquê? Seja a inevitável comparação com Destiny em termos de tipo de jogo, seja por ser a Bioware a responsável por detrás do título, ou até mesmo por ser a EA a editora do mesmo, Anthem sempre esteve nas bocas do mundo desde o seu anúncio. Não sei se isto teve impacto ou não no desenvolvimento do jogo mas, uma coisa é certa: as diversas alterações que ocorreram na direção do jogo ao longo dos anos, acabaram inevitavelmente por influenciar o resultado final. É quase como um cabaz de Natal, tem coisas boas e coisas menos boas.

Aquilo que pareceu interessante ao início, foi-se desvanecendo com o tempo. Estou a falar do enredo. O jogo gira em torno dos Freelancers, voluntários que tentam manter a ordem fora dos muros da cidade. Porém, após determinados eventos, estes mesmos Freelancers são agora vistos com outros olhos. Após determinada relíquia ter sido roubada da cidade, partimos então em busca da mesma num mundo cheio de inimigos e mistérios. No entanto, depois de 18 horas de jogo e chegado ao fim da história, foi com uma grande desilusão que vi as cenas finais acontecerem. Não pelo simples facto de ter ficado a desejar mais, mas sim, pela primeira reação que me veio à cabeça… “É isto? Já acabou?” Não que a história tenho sido curta mas pela sensação de que o fim não teve grande impacto, embora sempre tenha sido aquele o objetivo da campanha. O que safou mesmo foi a forma como a Bioware soube promover aquilo que será, muito provavelmente, o próximo grande conteúdo do jogo e o continuar da história. Não me vou alongar mais neste assunto para não revelar algo que possa estragar a surpresa a quem ainda não jogou ou não acabou a campanha.

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Uma jogabilidade com sentimentos mistos.

Um dos pontos-chave do jogo são os “fatos” que usamos chamados Javelins (Lanças na versão portuguesa). São quatro os Javelins à nossa disposição, onde cada um tem as suas próprias características. Desde uma maior agilidade a um maior poderio defensivo/ofensivo, são várias as diferenças que oferecem uma boa variedade na jogabilidade. Podem selecionar qualquer um deles ao início, sendo que os outros três apenas desbloqueiam quando atingirem determinados níveis. É possível depois trocarem de Javelin a qualquer altura antes de entrar numa missão.

Algo com que estava bastante reticente era a mecânica de voo. Assim que levantei os pés do chão, tudo ficou claro. A implementação do voo está feita de forma exemplar e é fácil de se controlar, sendo claramente uma das melhores funcionalidades do jogo no que toca à jogabilidade. Porém, não pensem que podem voar de forma infinita sem qualquer tipo de obstrução. O fato entra em sobreaquecimento e precisam pousar ou, em caso de limite de uso, são forçados automaticamente a aterrar. Mas se no ar as coisas correm bem, em pleno solo também a sua movimentação é bem executada. Obviamente que, uns mais que outros, são fáceis de manusear sem qualquer tipo de complexidade.

No que toca a funcionalidades e armamento, cada fato tem vários ataques ou funcionalidades especiais e que podem ser alternados antes de entrar em cada missão. A par disso, também podem ter em vossa posse duas armas, ficando ao vosso critério as características das mesmas. É sempre no final de cada missão que recebem novas armas e novos “perks” para aplicar. Existem também boosts temporários em que, uma vez usados, irão desaparecer. Tendo isso em conta, convém deixar a sua utilização para momentos de maior aperto. Relativamente ainda às armas, o shooting é porreiro e sente-se cada bala disparada, sendo também uma das partes essenciais do jogo, a qual acho que não desiludiu.

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Existem também desafios e feitos que irão acabar por realizar durante o jogo, os quais podem desbloquear novos projetos (blueprints) para novos equipamentos e armas. Para poderem criar os mesmos, necessitam de recursos, os quais podem ser apanhados durante as missões. Por falar em missões, digamos que muito rapidamente começam a tornar-se repetitivas. Consistem essencialmente em limpar zonas repletas de inimigos, enquanto defendem algo durante X minutos e pouco mais.

As missões são dadas na cidade, a qual está bem concebida visualmente, embora pareça muito vazia, seja de dia ou noite. No início é divertido vaguearmos pelos corredores e átrios da cidade mas, rapidamente, as coisas tornam-se desmotivantes ao percorrer vezes sem conta lugares caracterizados pela ausência de vida humana. De salientar que não estão totalmente inócuos, mas penso que poderia haver uma maior vivacidade. São vários os personagens que irão encontrar na cidade e que, mérito seja dado, são bastante interessantes no geral. Todos aqueles com que terão de interagir, têm uma personalidade vincada e única. Cada uma destas pessoas dará missões relativamente a algo específico no jogo, sejam elas principais, secundárias, contratos, entre outros. Porém, algo que não gostei foi o facto de sermos coagidos a ir ao encontro de cada uma destas pessoas sempre que tenhamos concluído a missão no terreno. Apenas após um diálogo com elas é que as missões são dadas como efetivamente terminadas. Isto quebra bastante o ritmo entre as missões, visto as pessoas estarem dispersas por várias zonas.

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As Fortalezas (Strongholds) são um tipo de missões no jogo em que terão de derrotar um boss no final, após eliminarem inúmeros inimigos pelo caminho. É uma das partes mais divertidas do jogo e se as missões da campanha se fazem facilmente na dificuldade normal, já as Fortalezas não se pode dizer o mesmo e convém estarem bem preparados para o desafio. Se por acaso não quiserem fazer nenhuma missão em especial, fiquem a saber que existe a possibilidade de explorar o mundo de Anthem de forma livre. Todavia, mesmo nesse modo, existem sempre eventos a acontecer e que darão alguma ação, se pretendida pelo jogador.

“O jogo é como uma caixa de sortido de bombons – existem os mais doces e os mais amargos. “

Destaque para a campanha, pois pode ser jogado a solo ou em coop com outros três jogadores. Joguei sempre a campanha acompanhado e um problema com que me deparei várias vezes foi o de ser teleportado automaticamente para o local da missão, caso ficasse muito para trás. Isto até pode fazer sentido acontecer mas o problema foi que isto ocorreu várias vezes mesmo estando a três ou quatro segundos de distância dos meus companheiros. Ainda assim, o jogo avisou-me que dentro de dez segundos iria ser teleportado para a zona necessária. Mesmo chegando junto dos meus companheiros, o jogo não o conseguiu, concretizando na mesma o teletransporte  para um local onde já me tinha encontrado previamente. No entanto, isto deixou de acontecer com tanta frequência após um dos últimos updates feitos.

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Um mundo cheio de esplendor visual mas, algo vazio.

Quanto ao mundo de Anthem, é impossível negar a qualidade visual e os detalhes de toda a natureza e ruínas deixadas por civilizações antigas. A mistura entre os vestígios de maquinaria e a natureza está muito bem implementada, dando uma sensação de algo ancestral perante nós. Os efeitos da água, da natureza e de todas as suas partículas no ar, é algo soberbo de se observar. Os efeitos de luz estão muito bons e as explosões nos combates e todo o seu espetáculo visual estão ao nível do melhor que já se viu nesta geração. Algo negativo que tenho a apontar à natureza em si diz respeito ao facto de estar praticamente ausente de vida animal. Para além dos inimigos, sejam humanos ou animais, pouco mais existe a habitar as densas florestas e vales tão bem recriados. É uma pena algo tão bem executado visualmente, não atingir o patamar de perfeito por falta de algo que é suposto estar presente de forma inevitável.

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A parte sonora do jogo é como uma caixa de sortido de bombons – existem os mais doces e os mais amargos. A banda sonora esteve longe de me impressionar, tirando em alguns momentos da campanha. Já os efeitos sonoros das armas, explosões, maquinaria e afins, esteve sempre em alta, oferecendo uma excelente experiência auditiva, principalmente a quem usar headset. Quero apenas mencionar que também fui alvo de um bug de som conhecido do jogo, onde do nada, ficamos sem som. Tudo isto me aconteceu durante uma cutscene da história, estragando completamente o ambiente daquilo que estava a vivenciar.

A EA vê Anthem como um serviço e, tendo em conta isso, o público exige sempre novos conteúdos a ser inseridos no jogo, de forma a nunca oferecer uma sensação de estagnação. Após a campanha, tudo o que resta são missões secundárias como contratos e Fortalezas, bem como a disponibilização de novos níveis de dificuldade para quem quiser arriscar. O conteúdo não falta efetivamente, mas é claramente repetitivo. Para quem gostou realmente da sua experiência após o término da campanha, então existe espaço para continuar. Para quem procura variedade após a história principal, o melhor é procurar noutro lado ou esperar pelo próximo grande conteúdo de narrativa, tal como foi sugerido no final da campanha. Como seria de esperar, existem microtransações no jogo embora nunca tivesse sentido a necessidade de investir dinheiro em algo que estivesse a ser oferecido na loja.

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“Sendo a Bioware responsável pelo título, estava à espera de algo mais grandioso ou, pelo menos, com um maior impacto narrativo.”

Anthem deixou-me bastante dividido. Se por um lado gostei da jogabilidade e controlo do Javelin em pleno voo, por outro lado, achei as missões algo repetitivas a curto prazo. Os visuais são excelentes mas a maioria dos locais, seja dentro ou fora da cidade, sempre me pareceram algo vazios de humanos e vida animal. A história foi outro aspeto que me deixou dececionado. Sendo a Bioware responsável pelo título, estava à espera de algo mais grandioso, ou pelo menos, com um maior impacto narrativo. Resta apenas esperar que os próximos meses, tal como já foi revelado, possam ser corrigidos muitos dos problemas existentes, bem como adicionados novos conteúdos de peso que possam fazer voltar muitos dos jogadores.

bom
positivo Personalidade e animação dos personagens com quem interagimos
positivo Efeitos sonoros e visuais
positivo Excelente mecânica de voo
positivo Excelentes visuais
errado Inúmeros e extensos loadings
errado Cidade e Natureza, apesar da sua beleza, são lugares praticamente vazios
errado As missões precisam ser procuradas na cidade, bem como entregues para serem terminadas
errado Missões Repetitivas
errado Vindo da Bioware, narrativa com pouco impacto
errado Pouca variedade de armamento
errado Alguns bugs no áudio

Data de Lançamento: 22 de Fevereiro de 2019
Produtora: Bioware
Editora: Electronic Arts
Género: Aventura, Ação, RPG
Disponível para: Playstation 4, Xbox One e Microsoft Windows

Análise feita no PC.

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da EA/Representante Nacional.

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