Análises

Sekiro: Shadows Die Twice – Análise

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Se há empresa que revolucionou a indústria dos videojogos nos últimos anos, foi a FromSoftware. As suas diferentes mecânicas e desafios com uma dificuldade acima da média, criaram todo um subgénero onde a sua influência se nota cada vez mais em novos jogos. Sekiro: Shadows Die Twice oferece-nos uma nova aventura com contornos bastante diferentes dos que estamos habituados, apesar de manter algumas ideias base dos jogos anteriores.

Neste novo jogo da empresa japonesa, somos transportados até ao país nipónico durante o Período Sengoku, onde a chacina e violência eram o pano de fundo numa das alturas mais sangrentas do Japão. Ao contrário dos recentes jogos anteriores da empresa, desta vez temos um título focado num personagem com um nome, uma voz e uma história. Wolf é o nome do shinobi que nos acompanha durante esta épica aventura por terras do país do sol nascente. No que toca ao enredo, somos um shinobi que jurou pela sua vida ser leal ao “Herdeiro Divino”. Uma vez raptado, por razões que não vou mencionar, cabe a nós tentar salvá-lo, enfrentando as diversas adversidades que irão aparecer pelo caminho. E não serão poucas…

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Em Sekiro, “o ataque é a melhor defesa”

Desde cedo que Sekiro se destaca das suas origens com várias alterações, principalmente a nível de combate. Barra de stamina? Acabou! Agora podemos movimentar-nos à vontade em pleno combate. Mas esperem! Agora existe uma barra de Postura e é uma mecânica pilar do jogo! Basicamente, cada vez que o inimigo defende os vossos ataques, a sua barra de postura vai aumentando e, uma vez no máximo, é possível efetuar um golpe mortal. O mesmo se aplica ao nosso personagem e, toda esta nova mecânica de combate, faz com que os veteranos dos Souls games tenham de voltar a aprender a lutar, tal como qualquer outro jogador. Podem superar o jogo defendendo apenas os golpes, mas é no parry que está o segredo para um sucesso mais rápido. Cada vez que fizerem parry no momento exato, a barra de postura do inimigo vai aumentar mais rapidamente. Isto é bastante importante, principalmente, contra inimigos que estão constantemente a atacar. Ao fazerem parry de forma consistente, facilmente poderão vencer uma batalha fazendo poucos ataques.

Outra das novidades é o grande foco na mecânica furtiva. Afinal de contas, o personagem é um shinobi e estes são conhecidos pela sua movimentação silenciosa e mortal. Na verdade, é extremamente aconselhado ter uma postura de stealth sempre que possível, pois quanto menos inimigos enfrentarem ao mesmo tempo, maiores serão as hipóteses de sobrevivência. Em caso de aperto, outra das novas mecânicas implementadas também pode ajudar bastante. Estou a falar do gancho que nos permite atravessar qualquer zona num espaço de poucos segundos. O gancho veio dar uma dinâmica completamente diferente ao que estávamos habituados e as hipóteses de exploração do mapa são agora imensas. Passamos de níveis horizontais para uma jogabilidade totalmente vertical. Claro que esta mecânica não deve ser abusada pois podem acabar por perder muitas informações, itens e intensas batalhas no jogo.

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Sekiro coloca à prova os veteranos dos Souls games

Lembram-se de fazer grind em Dark Souls e Bloodborne para evoluir o personagem? Isso acabou. Agora, a única forma de evoluir consiste em obter determinados itens, os quais são essencialmente dados ao derrotarem mini bosses e bosses. Existem também alguns perdidos pelo mundo em cofres, comerciantes e afins. Os mini bosses são maioritariamente opcionais, mas se os evitarem, irão perder esses itens que vos irão ajudar a aumentar a vossa vitalidade e postura. Já para aumentarem o vosso ataque, resume-se exclusivamente a derrotar bosses. Ao derrotá-los, ganham um item que, ao ser consumido, irá aumentar o dano que fazem aos inimigos.

Árvore das habilidades!! Sim, agora temos uma árvore destas. Na verdade, são várias e algumas delas estão associadas a certas missões ou inimigos. Uma vez completadas determinadas missões, ser-nos-ão dadas várias listas de novas habilidades para desbloquear. Isto oferece alguma dinâmica na hora de combate e também de personalizarmos o nosso personagem de uma forma que se ajuste ao nosso modo de jogar.

Mas as novidades não param aqui e outro dos grandes destaques do jogo é o braço prostético. Nele, podem ser aplicadas vários tipos de armas como “lança-chamas”, um machado, explosivos, entre outro tipo de arsenal. Cada um deles pode ainda ser alvo de melhoramentos e desbloquear novas combinações de golpes. Mais uma densa camada de jogabilidade que pode variar bastante de jogador para jogador. Esses melhoramentos podem ser feitos com dinheiro que se vai ganhando ao derrotar inimigos, bem como determinados materiais que vão apanhando pelo jogo. Estes podem ser bastante raros se não explorarem bem, por isso, tenham em atenção na hora de os aplicarem.

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Sekiro é frenético, intenso e, ao mínimo descuido, fatal

Algo de bastante peculiar é a mecânica da morte. Cada vez que morremos, temos a oportunidade de ressuscitar uma vez, mas ao mesmo tempo, estamos a influenciar os NPC’s que têm relação direta connosco, com a doença do Dragão. Mas e agora perguntam: “E no que consiste essa doença?” Bom, essencialmente, os NPC’s que apanham a doença e não sejam curados, correm o risco de morrer e alterar todo o rumo de história e missões que podem desaparecer. Para curar tais sintomas, é necessário um determinado item que pode ser comprado em alguns comerciantes, ou ganho de outras formas. Ou seja, para além de perderem metade do XP e moedas de cada vez que morrem, também estão a contribuir para uma morte mais precoce de muitos NPC’s, apesar de poder ser evitada.

Sekiro é de facto, um jogo bastante difícil e exigente mentalmente. Para elevar mais a fasquia desta brutalidade, ao contrário do que estávamos habituados, agora não é possível pedir ajuda de outros jogadores ou amigos. Isto faz com que tenham que ser mesmo bons para superar todos os desafios do jogo. Não que isto seja mau, mas aquilo que já era difícil, ficou ainda mais exigente. Já por outro lado, agora é possível colocar o jogo em pausa. Isto também ajuda na hora de pensar qual a melhor estratégia para o combate em causa ou se quisermos escolher algum item para tomar, ao invés de andarmos a percorrer o “quick menu” a meio da batalha e à procura do tal item necessário. Algo que pode deixar alguns fãs meio desiludidos é o facto de, neste jogo, não podermos criar o personagem de raíz, bem como obter novas armas e roupas. A arma principal é sempre a mesma, mas tudo é compensado pelo facto de o braço prostético permitir diversos tipos de armamento, os quais podem ser apanhados ao longo da aventura. É possível chegar ao fim sem todas as “ferramentas” do braço, pois para as conseguirem, é necessário explorarem bem as zonas.

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Todos sabemos bem a extrema qualidade dos mundos da FromSoftware e, mais uma vez, estamos perante algo bastante coeso e indiscutivelmente bom no que toca ao design. Existe uma boa variedade de locais onde cada um tem o seu próprio vibe e, maioritariamente, tipo de inimigos e desafios. O mapa do jogo está todo interligado e cabe ao jogador descobrir como aceder a certas zonas mais escondidas, as quais podem passar despercebidas facilmente. Muitos dos locais representam a beleza de um puro cenário japonês, mas sempre povoados com inimigos prontos para “vos fazer a vida negra”.

O aspeto sonoro sempre foi um dos pontos fortes dos jogos da empresa e, nesta vertente, continuamos com um elevado patamar de qualidade. A música é soberba e, como não poderia deixar de ser, com uns contornos muito caracteristicamente nipónicos. Esta é, claramente, uma daquelas bandas sonoras para continuar a ouvir meses depois de terminar o jogo.

Sekiro não é um jogo para todos, mas é um jogo que todos deviam experimentar

Sekiro: Shadows Die Twice destaca-se positivamente em muitos aspetos dos seus antecessores espirituais. Temos mais história e novas mecânicas de jogo, como o braço prostético, que altera totalmente o dinamismo do novo sistema de combate e exploração. Sekiro eleva a fasquia da dificuldade dos jogos da FromSoftware, resultante das várias alterações feitas, mas isso não faz de si um jogo impossível de ser superado. Na verdade, estamos na presença de mais um título que vai marcar esta geração, bem como servir de inspiração para muitos que hão de vir. A FromSoftware criou, mais uma vez, um marco nos videojogos.

EXCELENTE

positivo Braço prostético dá novo dinamismo ao combate/exploração
positivo Excelente banda sonora
positivo Estilo japonês ao mais alto nível
positivo Mecânica da morte tem influência direta nas missões dos NPC’s
positivo Barra de Postura traz um novo desafio no combate
positivo Bastantes elementos stealth
positivo Excelente design do mundo de Sekiro

errado Quando em combate, a câmara de jogo não é a melhor em certos locais mais apertados

Data de Lançamento: 22 de Março de 2019
Produtora: FromSoftware
Editora: Activision
Género: Ação, Aventura
Disponível para: Playstation 4, Xbox One, Microsoft Windows

Análise feita na Playstation 4.

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Activision/Ecoplay.

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