Análises

Análise de Days Gone

dganalise

Anunciado durante a E3 de 2016, Days Gone surge no mercado numa altura em que existe uma saturação de jogos survival com a temática zombie. Desculpem, freakers… o que quiserem chamar… isto quer é pegar na mota e na caçadeira e desbravar caminho por entre eles, enquanto fazemos jorrar sangue à nossa passagem, deixando um rasto de carne mal cheirosa como pista para virem ainda mais alguns atrás de nós. É um ciclo infinito de chacina zombie. Freakers…

Punho a fundo e siga matar zomb– freakers

Deacon St. John é o nome do protagonista principal e que nome mais peculiar para um motard cheio de angústia e rancor, sempre pronto para encher os mais variados freakers de chumbo a qualquer hora do dia (ou da noite…). Se o rancor fosse munição, o personagem não precisava procurá-la pelo mapa. A premissa de Days Gone é bastante simples e ronda essencialmente em torno da procura da esposa de Deacon, a Sarah. Por entre este simples argumento, existe todo um conjunto de personagens interessantes que vão surgindo pelo caminho com afrontamentos e discussões, muito ao estilo do que se vê em Entretenimento com base em cenários apocalípticos.

dg2

Estamos perante um mundo aberto consideravelmente grande, com diversos locais para explorar e onde o perigo está sempre à espreita. Se há algo que reparei foi que nenhum local é seguro, proporcionando uma experiência sempre bastante tensa, principalmente nas horas iniciais. Foi durante as primeiras horas que senti uma grande vulnerabilidade perante a maior parte do perigo, seja pelo facto de não conhecer os cenários ou os tipos de inimigos que iam aparecendo. No entanto, o jogo também ajuda inicialmente explicando muitas mecânicas que serão fulcrais para a vossa sobrevivência.

Um meio de transporte que ninguém imaginava precisar

Como já é do conhecimento da maioria, a mota é o nosso meio de transporte e tem um papel importantíssimo durante todo o jogo. É possível melhorá-la de diversas formas, seja a nível de performance, visualmente e até numa vertente mais de baú na medida em que é possível transportar munição extra nela. Não há muitos jogos que façam isto, mas Days Gone obriga o jogador a ter especial atenção ao depósito de combustível da mota. É impossível conduzir sem qualquer tipo de preocupação, principalmente antes dos melhoramentos para aumentar o depósito.

O combustível vai acabando com o tempo e são obrigados a procurar através de estratégias extra de encher o depósito. Se não forem cautelosos o suficiente, é bem possível que possam ficar muitas vezes parados no meio do nada, obrigando a uma pesquisa na zona por um jerricã com combustível. Para além desta forma, também existem postos de combustível aos quais se podem dirigir e encher o depósito, tal como fazemos hoje em dia. Vá-se lá saber como é possível que, passados dois anos de o incidente ter começado ainda existam postos com combustível….

dg6

Sobrevivência e crafting são palavras eternamente ligadas

Como em qualquer jogo de survival num cenário apocalíptico, o crafting é um pilar na estrutura do título da empresa norte-americana Bend Studio. É possível criar diversos tipos de utensílios e os itens para as suas criações estão espalhados pelo mapa inteiro. Qualquer casa que vejam no cenário, carro à beira da estrada, ou acampamento no meio do nada, é certo que existirá sempre algo para recolher. São várias as armas ao nosso dispor tais como metralhadoras, caçadeiras, rifles de longo alcance, bem como a abençoada besta e armas melee. De salientar que muitas destas armas só podem ser obtidas através de determinados campos de sobreviventes, e conforme o nível de confiança para com esse mesmo campo.

dg4

Tal como as armas, também os melhoramentos para a mota ficam disponíveis apenas após atingirem certo nível de confiança, o qual vai subindo ao completarem missões relacionadas diretamente com esse campo de sobreviventes. Nem todos os campos têm a mesma oferta e os créditos que vão ganhando são exclusivos de cada campo, ao invés de um valor geral. Todos os freakers (agora acertei…) que matarem, vão dar-vos créditos para depois serem entregues nos campos e são outra forma de subir a confiança nos mesmos.

Para além da história principal, a qual dura várias dezenas de horas, existem muitas outras coisas para fazer como eliminar campos de inimigos, destruir zonas repletas de freakers, restaurar a energia em certos pontos de controlo no mapa, entre outras possibilidades. É um jogo que facilmente oferece várias dezenas de horas, sem nunca se sentir como um esforço extra a ser colocado, num título que só pela campanha já é enorme.

dganalise1

Hordas Assustadoras capazes de vos fazer suar

Uma das mecânicas bastante interessante do jogo são as hordas de freakers, capazes de conter até várias centenas ao mesmo tempo. Ao contrário do que muitos possam pensar, eliminar uma horda destas pode ser um desafio bem complicado, dependendo da sua localização, bem como das vossas armas e habilidades. Durante o dia, estas hordas estão, maioritariamente, refugiadas em grutas, dentro de casas ou comboios. É na escuridão da noite que saem para o exterior e que ficam mais perigosas e capazes de criar suores frios a qualquer jogador. Gostei bastante desta mecânica e acho que dá outra intensidade à experiência, ao invés dos habituais zomb– (*tosse*) freakers perdidos pelo mapa. Apesar de ser essencialmente à noite que andam à deriva, também existem momentos em que as terão de enfrentar de dia.

dganalise3

O mundo de Days Gone é vasto e bem caracterizado. As zonas são diversificadas e também existe alguma variedade de edifícios e de design dos vários locais. Visualmente é bastante bom, tanto nestes aspetos que mencionei, bem como graficamente. Existem bons detalhes ao longo do mapa e os próprios interiores dos grandes edifícios oferecerem quase sempre um design um pouco diferente do anterior, ajudando na hora de exploração para obter loot. Infelizmente, neste campo visual, fui alvo de alguns bugs e problemas de texturas de vez em quando, mesmo já com vários updates em cima. Infelizmente, também sofri vários problemas de frame rate, ficando em alguns momentos, um pouco difícil de conseguir jogar suavemente. O mais incrível é que isto não acontecia em momentos de muita ação no ecrã como seria de esperar, principalmente no momentos em que as hordas apareciam. Podia acontecer do nada e em qualquer momento, muitas vezes resultando em problemas de texturas também em Deacon onde a sua roupa e cara ficavam baças e sem grandes detalhes.

A música de Days Gone foi algo que me desapontou pois esperava algo mais presente e memorável em diversas situações. Tirando o tema principal, o qual é bom, tudo o resto achei bastante discreto. Ainda no aspeto sonoro, destaque para a existência de uma dobragem totalmente em português, sendo Filipe Duarte, o ator que dá a voz ao protagonista principal.

dganalise2

Uma sobrevivência de bons e maus momentos

A Playstation tem sido nesta geração uma plataforma de eleição no que toca a jogos focados em narrativa e Days Gone é mais outro exemplo. A qualidade do seu mundo e todas as mecânicas presentes são incontestáveis, todavia, tirando talvez a mecânica das hordas, tudo o resto é retirado de outros jogos já existentes no mercado. Será isto é um problema? Nem por isso. Por essa mesma razão, o jogo acaba por não ter uma identidade própria, mas isso não abafa de todo o fator divertimento que toda a experiência oferece. A história não é digna de um Óscar (se bem que estes hoje em dia também são discutíveis, mas isso não interessa nada agora…) e na minha opinião, acaba por arrastar mais do que devia. Talvez a maior assombração de Days Gone seja mesmo os variados problemas técnicos presentes, os quais têm estado a ser corrigidos com diversas patches, mas longe de estar perfeito neste momento.

É este um jogo que marca uma geração? Comparativamente a outros exclusivos da Sony, não. É este um mau jogo? A resposta continua a ser a mesma: não. Em suma, se são fãs de zombies (atenção que são freakers!!!) e gostam da experiência survival num cenário apocalíptico (e possível num futuro??), então não hesitem em jogar!

bom

positivo Survival no seu melhor
positivo Mecânica das hordas bem implementada
positivo Bom sistema de crafting
positivo Mota bastante importante na aventura
positivo Muitas atividades secundárias para fazer

errado Alguns bugs e glitches, apesar de não terem impacto no fator divertimento
errado História arrasta mais do que devia, não beneficiando em nada
errado Tirando as hordas, o jogo acaba por não ter nada que se destaque dos demais

Data de Lançamento: 26 de Abril de 2019
Produtora: SIE Bend Studio
Editora: Sony Interactive Entertainment
Género: Ação, Aventura, Survival
Plataformas disponíveis: Playstation 4

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Playstation Portugal.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s