Análises

A Plague Tale: Innocence – Análise

Ratos. Ratos por todo o lado.

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Todos os anos existem sempre jogos que nos apanham de surpresa, dando uma sensação de atropelamento a alta velocidade, mas daqueles em que a dor é muito boa. Ok, não era bem isto que queria dizer, mas acho que perceberam a ideia. Foi durante a Gamescom 2018 que fiquei ao corrente de A Plague Tale e após ver um vídeo de jogabilidade de vários minutos, foi impossível ficar indiferente. Desde então, o jogo tem sido alvo de vários tratamentos publicitários, elevando cada vez mais uma fasquia prometedora de alta qualidade no produto final. A verdade é que o jogo proporcionou-me a experiência que esperava de forma perfeita. Tendo em conta estas palavras, já conseguem adivinhar que vou falar maioritariamente bem do título e por isso, estejam à vontade para o ir jogar ao invés de continuar a ler. Obrigado e até uma próxima análise.

 

Ainda estão aí? Boa! Vamos a isto então.

 

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Um período negro da História

O jogo tem lugar durante o século XIV, período da Guerra dos Cem Anos e da Peste Negra (uma altura fantástica para se viver…), focando-se nos dois irmãos Amicia e Hugo. O sangue do irmão mais jovem é especial e a Inquisição quer raptá-lo para o poder usar no seu plano nada maquiavélico. O exército da Inquisição acaba por invadir a propriedade dos Rune, causando o caos e tudo o resto que vem de arrasto com isso. Sem querer desvendar o que acontece, os dois irmãos acabam por ter que abandonar o local onde nasceram e partir numa aventura, onde o objetivo é a de Amicia proteger o seu irmão caçula da oposição. Todavia, ao contrário do que seria comum, os dois irmãos mal se conhecem e esse é um ponto bastante interessante de se ver ao longo da jornada, numa relação que vai crescendo com cada desafio superado.

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Este é um jogo focado na narrativa muito ao estilo de aventura, com muita furtividade à mistura e alguma ação. A Plague Tale é bastante linear no progresso dos níveis, sem grandes opções de exploração, tirando alguns capítulos onde existe uma maior liberdade. A jogabilidade centra-se muito em furtividade pois, teoricamente, somos mais fracos que todo um exército armado dos pés à cabeça. A nossa única arma é uma fisga, a qual vai podendo ser melhorada ao longo do jogo de diversas formas. Normalmente, para esses melhoramentos poderem ser feitos, precisam encontrar-se numa bancada própria para tal. Porém, com o avançar do tempo, irá aparecer um upgrade que irá permitir aplicar melhorias em qualquer lugar, o que é bastante útil.

Existem muitas matérias-primas espalhadas pelos níveis e que vão dar jeito para poder fazer esses melhoramentos, bem como os projéteis para usar. Inicialmente começamos apenas com uma pedra, mas com o tempo aparece outro tipo de munição muito diferente e que se ajusta sempre a situações específicas. A título de exemplo, existe munição para apagar fogo ou para começar um, munição que obriga os soldados a tirar os capacetes, outra que os faz desmaiar, entre outras mais. Digamos que apesar da mecânica da fisga ser sempre a mesma, os diferentes projéteis oferecem uma experiência sempre divertida de usar do início ao fim do jogo.

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O jogo também tem muitos puzzles para serem decifrados, mas nunca capazes de vos fazer perder largos minutos a tentar solucioná-los. São sempre acessíveis de se resolver num curto espaço de tempo, sendo isso positivo para nunca quebrar o ritmo de jogo. Quanto aos momentos furtivos, tirando um ou outro, sempre achei que estavam bem implementados, embora muitas vezes também parecesse que os inimigos facilitavam demais em não nos ver ou ouvir. Não que isso seja mau…

Hordas de zomb- Ratos! Ratos!!

A mecânica dos ratos é algo surpreendente, podendo até ter várias centenas de animais a andar de um lado para outro de forma frenética, como se o chão estivesse eletrocutado e andassem aos saltos em tom de festividade ou talvez tortura. Os animais são frágeis relativamente ao fogo/luz e cabe a vocês saber tirar partido de cada situação para poder prosseguir no jogo e superar as arrepiantes hordas de ratos. Principalmente nos primeiros momentos em que damos de caras com tal visão, é um panorama capaz de nos deixar inquietos e causar arrepios, mas com o tempo melhora. Imaginem estar numas catacumbas praticamente na escuridão e apenas se ouvir o som dos ratos e os seus olhos de um lado para outro. Foram momentos asfixiantes, mas suavizados por uma abençoada tocha, muitas vezes sempre com os segundos contados para se acabar e sermos engolidos por todo aquele aparato animal.

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Cenários belos e pesados

A Plague Tale surpreendeu-me positivamente pelos seus visuais de alta qualidade. Existem muito boas paisagens de diversas zonas capazes de vos fazer ficar a apreciar todo um cenário digno de uma pintura de museu, enquanto os ratos esperam mais à frente para vos dar a dentada fatal. Existem zonas que me deixaram marcado como o campo de batalha durante os primeiros capítulos, onde existe uma grande neblina no ar numa zona de guerra cheia de cadáveres, corvos e um silêncio aterrador, capaz de fazer levantar muitos dos que estão ali deitados. Sim, o ambiente é arrepiante dessa forma, mas nunca dando uma sensação de nos querermos afastar do jogo por ser demasiado cruel ou impiedoso visualmente.

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A banda sonora é de alta qualidade e encaixa que nem uma luva ao tom da aventura com contornos góticos e de horror, por entre momentos iluminados de amizade. Várias foram as situações que tiveram um maior impacto porque a música era perfeita para aquele vídeo ou momento de jogabilidade e é isso que procuro numa experiência single-player como esta. No que toca a bugs, nada a destacar, tendo o jogo corrido essencialmente de forma normal e sem qualquer problema técnico. Já os loadings achei um pouco demorados, mas ainda assim, nada de especial comparativamente a alguns que temos visto nesta geração em grandes títulos.

Ratos de boa qualidade

A Plague Tale: Innocence relembra mais uma vez que os jogos single-player conseguem oferecer uma experiência que uma grande fatia do público procura. Apesar de não ser o suprassumo das narrativas, esta prendeu-me do início ao fim deixando sempre em aberto sobre como seria o desfecho. A relação dos personagens também ajuda a criar uma maior relação com o jogador e, para mim, este é um dos pontos que procuro num jogo do género. A sua jogabilidade é simples, mas oferece dinamismo suficiente com as diversas mecânicas implementadas ao longo da aventura e em condições que variam de nível para nível. Para concluir, e no caso de não ter sido explícito o suficiente durante o texto, este é um jogo que aconselho vivamente a jogar!

positivo Narrativa interessante
positivo Visuais e cenários criam o ambiente indicado ao tom do jogo
positivo A forma como a relação dos irmãos evolui
positivo Banda sonora de alta qualidade e que encaixa de forma perfeita
errado Nada que mereça destaque

Data de Lançamento: 14 de Maio de 2019
Produtora: Asobo Studio
Editora: Focus Home Interactive
Género: Ação, Aventura, Puzzles
Disponível para: Microsoft Windows, Playstation 4 e Xbox One

Análise feita na Playstation 4.

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Focus Home Interactive / Ecoplay.

 

 

 

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