Análises

Rage 2 – Análise

Depois do tímido sucesso do primeiro Rage (se é que se pode considerar que isso aconteceu), eis que do nada e quando já ninguém esperava, surge o anúncio de Rage 2 (mais uma vez obrigado à Walmart Canada por ter estragado a surpresa). As promessas foram algumas e a palavra “diversão” sempre foi mencionada em cada novo ato publicitário por parte da Bethesda. Será esta sequela um título merecedor  de destaque como um dos melhores de 2019 ou será que mais valia ter ficado abandonado em terras de ninguém?

Por onde é que vou começar…. Ok, não vou andar aqui com “paninhos quentes”. Rage 2 respiram Doom por todo o lado, mas isso não deve ser uma novidade para a maioria de vocês. Toda a sua mecânica de shooting é facilmente reconhecível, mas isso não lhe tira qualquer mérito pois a sua implementação em Rage 2 está muito bem conseguida. A caçadeira está muit— esperem lá. Acho que saltei alguma informação inicial. Desculpem, vou recomeçar.

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Narrativa 0 – Shooting 1

Rage 2 tem lugar vários anos após os eventos do primeiro e não, não é obrigatório jogá-lo primeiro. Mesmo que tenham jogado, tal como eu, não senti que houvesse uma grande ligação sonante em quaisquer dos aspetos do jogo. Quanto à história do jogo, digamos que… somos um Ranger que procura vingança após ver o seu “mestre” ser assassinado pelo vilão Martim Cross – líder na entidade Authority. Após este momento, partimos então numa aventura que de pouco ou nada tem de entusiasmante e cativante em termos narrativos. Nada. Zero. Nicles. Ok, aceito que a narrativa não seja o foco principal do jogo, mas ainda assim conseguiram surpreender-me pela negativa.

Digamos que as minhas expetativas também não ficam defraudadas nesse aspeto pois não estava à espera de algo de peso. O jogo é um mundo aberto (não extensivamente gigante, felizmente), mas bastante monótono de se explorar, sendo que as estradas estão quase sempre desertas e existem umas bases aqui e ali para as rebentarmos muito ao estilo de Michael Bay – explosões por todo o lado.

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Existem vários tipos de atividades para fazer no jogo e cada uma delas está associada a um dos três personagens, com os quais interagimos em termos narrativos. Cada um deles, tem as suas missões principais e secundárias e à medida que forem completando as mesmas, vão subindo de nível. De forma a desbloquear a missão final, é necessário estarem a nível 5 de cada um deles, o que vai requerer que façam algumas das atividades espalhadas pelo mundo. Nunca senti que fosse uma maldição ter que andar a fazer grind para evoluir de nível, mas o único problema é que as atividades são bastante repetitivas. No espaço de poucas horas é possível ficar aborrecido com a constante repetição de objetivos.

Porém, o que salva estes momentos, é o formidável sistema de tiro retirado diretamente de Doom. Nada bate andarmos nas bases a espalhar o pânico enquanto largamos tiros de caçadeira a tudo o que se mexe na nossa direção. As armas têm dois modos de tiro, sendo que com ou sem mira, agem de forma diferente, o que oferece variedade na hora de disparar. A título de exemplo, a pistola com mira dispara em burst e sem mira, de forma normal. Sim, normal… acho que dá para ter uma noção do que estou a falar… ou não…

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Rage 2 é pura ação na hora de combate

Rage 2 é facilmente sinónimo de diversão em toda a sua componente de super-herói. Sim, super-herói. São vários os super poderes que podemos obter ao longo do jogo ao explorarmos e obtermos habilidades especiais das Arcas. Estamos a falar de duplos saltos, colidir com os inimigos para que as suas armaduras saltem, dar um salto no ar e consequente murro no chão para fazer com que os inimigos sejam projetados e isto é só o começo. Muitas destas habilidades estão dispersas pelo mapa e podem facilmente acabar a campanha principal, sem terem muitas delas, tal como as próprias armas.

Por falar em campanha, terminei a mesma com sensivelmente pouco mais de 10 horas de jogo, já incluindo algumas missões secundárias e exploração do terreno, por isso é bastante pequena. Tendo em conta que a história é completamente aborrecida, isto até não é mau.

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Existem diversas armas para obter no jogo e, tal como os poderes especiais, estas também se encontram espalhadas pelo mapa. Temos as habituais armas clássicas, mas depois existe toda uma oferta que dá outra alucinação e frenetismo ao combate. Tanto as armas como as habilidades podem ser alvo de melhoramentos e a moeda para tal é obtida com o completar de missões principais e secundárias. Também existe um vasto conjunto de itens que podemos criar como pacotes médicos, granadas, entre outras coisas, mas que, para tal, é necessário obter as suas receitas inicialmente e depois ir apanhando nas bases os componentes necessários para a sua criação.

Confesso que inicialmente achei todos os menus dos melhoramentos algo confusos, pelos vários tipos de moeda necessários, bem como as várias camadas de melhoramentos disponíveis. Passando a explicar, além de podermos melhorar o desempenho das armas, também é possível escolher duas opções de cada vez que sobem de nível, tais como recarregar mais rapidamente, ou ter uma maior rapidez de disparo, entre outras funcionalidades. Em suma, um género de perks.

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Nem tudo o que luz é ouro. *cof* Desculpem, Neon.

A exploração de Rage 2 é monótona. As viagens entre bases inimigas e pontos de controlo ou cidades são um fardo pesado de se transportar. Felizmente, o nitro recarrega muito rapidamente e podem usar e abusar do mesmo de forma a apressar o passeio no exterior. Para ajudar neste aspeto, tal como já tinha dito, o mundo aberto não é muito grande. Em termos de caracterização, existe alguma distinção entre zonas com destaque para uma área mais areal (Mad Max), pantanal, florestal e pouco mais. Também existe alguma variedade de inimigos e fações, onde se podem ver diferentes ações em termos de movimentação no terreno quando em combate e as próprias armas.

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Ao contrário do que esperava, Rage 2 não é uma pérola visual. Por mais que tenha tentado, nunca fiquei surpreendido com os gráficos e detalhes dos cenários. Tirando talvez as cidades onde existe uma maior diversidade de design, tudo o resto ronda em torno das mesmas ideias. É verdade que o jogo tem uma palete de cores interessante, mas nem isso o safa. A banda sonora do jogo tem os seus momentos na hora de combate, ajudando a bombear o sangue de forma intensa aquando da hora de eliminar tudo o que se coloca no nosso caminho. As vozes dos npc’s são medíocres e as conversas aborrecidas. Não tenho por hábito passar conversas de cutscenes de história à frente, mas vontade não faltou.

O jogo sempre correu de forma estável, mas tive alguns bugs pelo caminho. Dois congelamentos do jogo, um quando estava a gravar (felizmente o save não foi desta para melhor) e outra em plena corrida (sim existem corridas no jogo, não falei mas… existem). Tive ainda outra situação, a qual depois de investigada, fiquei a saber que era um problema conhecido. Tentava falar com um npc para prosseguir numa missão principal e apesar de pressionar o botão para falar, o vídeo não começava. O npc bem me incentivava para falar aquilo que era suposto, mas mesmo assim o jogo não colaborava. A solução foi fazer outras missões e regressar mais tarde.

Em 2011, tive a oportunidade de jogar e analisar o primeiro Rage. Apesar de não ter sido um jogo memorável, gostei bastante da experiência. As minhas expetativas para Rage 2 eram algumas, mas acabaram por não atingir o patamar esperado. É impossível negar que o sistema de tiro do jogo é excelente e todas as suas diferentes mecânicas de jogabilidade também ajudam na diversão. Porém, o mundo aberto não me convenceu de todo e as viagens entre os diferentes locais rapidamente se tornaram aborrecidas (felizmente é possível fast travel para certos locais após visitados previamente). A história é para esquecer, tal como os principais personagens com quem interagimos durante a narrativa. É uma pena que o Avalanche Studios não tenha conseguido pôr algo mais interessante no mundo, pois é claramente um dos pontos essenciais que não deixa Rage 2 ir mais longe.

Em suma, se procuram um bom shooter com diferentes e divertidas mecânicas à mistura e sem grandes preocupações com tudo o resto, então este pode ser um jogo interessante para vocês. Se a vossa ideia é obter um produto que se complementa mais em termos narrativa/jogabilidade, então o melhor é procurarem noutras paragens.

positivo Excelente shooting (diretamente de Doom)
positivo Variedade de habilidades oferece dinamismo na jogabilidade
positivo A Wasteland ficou mais animada com toda esta nova palete de cores
errado Narrativa desinteressante
errado Mundo aberto pouco apelativo
errado Visualmente desapontante

Data de Lançamento: 14 de Maio de 2019
Produtora: id Software, Avalanche Studios
Editora: Bethesda Softworks
Género: Ação, FPS
Disponível para: Microsoft Windows, Playstation 4 e Xbox One

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Bethesda/Ecoplay.

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