Análises

GreedFall – Análise

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Depois de quilômetros a percorrer diversas cidades e povoações, terrenos baldios sem construções, por entre muita conversa fiada e confusões, cheguei à conclusão que GreedFall tenta fazer de tudo um pouco e acaba por não se evidenciar em nada. Não que isto seja mau, pois existem aspetos bastante positivos nesta aventura.

Estamos perante um puro RPG onde os seus pilares são claramente sólidos, mas o seu revestimento nem por isso. Não se preocupem pois isto não será uma aula de engenharia civil, visto ser matéria que não domino. Vou tentar explicar numa linguagem mais casual aquilo que acabei de dizer.

São fãs de RPG’s? Check! Querem uma extensa árvore de habilidades? Check! Querem poder escolher os companheiros que vos irão acompanhar na vossa party? Check! Escolha múltipla nas respostas e influenciada segundo as vossas ação no jogo? Também check!

Estes são só alguns dos aspetos que claramente se destacam no jogo. GreedFall tem pernas para satisfazer qualquer fã do género, pois as suas qualidades são indiscutíveis.

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A história de GreedFall não foi propriamente algo que me tenha entusiasmado desde o primeiro momento mas, mesmo assim, continuei a minha aventura pelo desconhecido. Passadas quase duas dezenas de horas, posso afirmar que o meu sentimento continuou a ser o mesmo e não estava ali por causa do enredo. Estamos na pele de um personagem, o qual tem como objetivo principal, encontrar a cura para uma doença que assombra a sua terra e respetivos habitantes. Teoricamente, existe uma ilha onde a cura poderá ser descoberta e, para isso, parte em busca desse local habitado por um tribo completamente oposta ao que se vê na cidade. Para além de nós, também outra nação se desloca para a ilha de forma a colonizá-la. É aqui que as coisas começam a cheirar bastante a RPG.

Enquanto tentamos sempre cumprir o nosso objetivo inicial, existem sempre opções a serem tomadas ao longo da aventura, as quais irão beneficar-nos em prol de um dos lados. É impossível satisfazer todos os grupos e isso também é influenciado em determinadas missões. A título de exemplo, algumas destas oferecerem duas hipóteses de abordagem. Uma mais furtiva e outra “normal.” A furtiva pode ajudar que as vossas relações continuem boas para ambos os lados, pois é possível infiltrar um edifício com a roupa do inimigo. Ao fazer isto, não irão prejudicar os vossos relacionamentos mas, eventualmente, certas decisões serão forçadas a serem tomadas e as consequências irão aparecer. Este é sem dúvida um dos pontos que mais gostos nos videojogos, a hipótese de escolha onde temos posteriormente de lidar com as consequências da mesma. Isto fará sempre com que muitos de nós tenhamos experiências diferentes, quem sabe até finais.

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No início, após escolher se queremos uma personagem masculina ou feminina, são-nos oferecidos três tipos de personagens: guerreiro, técnico ou mágico. Durante o jogo é possível escolher atributos fora da vossa categoria e moldar o personagem a vosso critério. Fora desta árvore de habilidades, ainda é possível escolher entre Atributos e Talentos – diversos aspetos que terão implicações ao nível da jogabilidade. Nesta vertente, GreedFall está bem composto e oferece um bom leque de opções.

As missão em si são algo repetitivas. Muitas das vezes, senti que era um autentico moço de recados a fazer quilômetros para trás e para a frente. É caso para usar a expressão “fazer piscinas”. Preciso de ir falar com alguém do outro lado da cidade? Ok, vou já a caminho. Ok, conversa terminada. De volta ao palácio. Agora façam isto vezes algumas dezenas de missões do género. Ao fim de algumas horas, começa a ser um pouco massacrante, até porque o tipo de missões ronda sempre em torno do mesmo objetivo prático. No que toca aos personagens, aproveito para dizer que nunca consegui identificar-me com as suas causas e batalhas.Vivemos numa altura dos videojogos onde existem muitos personagens que nos conseguem deixar marcados por diversas razões, mas em GreedFall isso não aconteceu comigo.

Talvez um pouco ao contrário do que muitos expectavam, o mundo de GreedFall não é aberto. Na verdade, as zonas estão divididas e é possível viajar entre elas a qualquer momento, mas somente a partir de certos locais próprios para tal. As zonas são abertas o suficiente e oferecem um bom espaço para explorar. Existem muitas missões secundárias que vos irão levar a locais mais remotos que de outra forma, nunca iriam passar por lá.

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Mas é no combate que a minha desilusão continuou a aumentar. Os ataques são bastante direitos e simples, tornando o combate repetitivo rapidamente. Algo que me despertou o interesse foi o facto de podermos colocar o jogo na pausa (ok, até aqui nada de novo) e poder escolher que adversário atacar ou que poção usar. Em vez de fazer isto em tempo real, o jogo permite-me pensar um pouco na minha decisão, ao invés de tomá-la sobre pressão. É de facto interessante mas, se contar quantas vezes usei isto nas minhas quase vinte horas de jogo, então posso dizer que não tem grande impacto assim. Ou isso ou não soube tirar o melhor partido de tal funcionalidade. Seja como for, está lá para quem quiser usar.

O jogo oferece muitos tipos de armas e equipamentos, e loot não falta. A maioria dos inimigos deixa sempre algo para apanhar e as próprias cidades também têm sempre muitas caixas à vossa espera, embora algumas possas estar bloqueadas. Para ter acesso a estas, precisam investir numa habilidade especial. Também é possível criar diversos artigos para serem aplicados nos equipamentos ou até determinadas poções de cura ou combate.

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GreedFall tem um mundo bastante interessante e com diferentes paisagens muito boas para tirar fotografias. Infelizmente, algo que me apercebi com o tempo foi que todas estas áreas estavam praticamente desertas de presença humana ou até vida animal. As cidades estão muito bem recriadas a nível de design e apelativas à exploração. Porém, parece uma cidade alastrada pela peste negra, pois a presença dos seus habitantes é quase nula. Algo que me chamou à atenção foi o interior dos edifícios, os quais estão bem “decorados”, mas são autênticas cópias uns dos outros no que toca ao design. É tão estranho entrarmos em determinadas casas (o qual é obrigatório no progresso da história), e parecer que estamos sempre no mesmo local. Obviamente que estamos perante um jogo de orçamento apertado, mas esta é uma decisão que me apanhou de surpresa. Sejamos honestos, isto não tem qualquer tipo de impacto a nível da jogabilidade, mas não deixa de ser aborrecido entrar sempre “no mesmo espaço”.

Outro ponto que me fez confusão, é o facto das falas não baterem corretamente com os movimentos da boca. Talvez seja só eu, mas a verdade é que é algo que se nota mais em jogos onde existe muitas falas, principalmente num RPG. Falando de coisas com um maior impacto na jogabilidade, os problemas de frame rate foram visíveis em alguns momentos do jogo, tanto em combate como em exploração. Também tive personagens na party a encravar no cenário e a correr “em seco”, como se uma parede invisível estivesse à sua frente. Algumas zonas também tinham texturas por ser “trabalhadas” e o carregar das mesmas também assombrou a performance. Para terminar os problemas técnicos, quero apenas mencionar que achei o tamanho da fonte da letra, seja nos diálogos ou menus, consideravelmente pequena de forma a ser lida facilmente. Lembro-me bastante bem que The Witcher 3 também sofria do mesmo problema e isto foi retificado com o tempo.

O conjunto de vozes presentes em GreedFall é claramente mediano. Sabemos que estamos perante um estúdio longe dos grandes orçamentos dos grandes nomes da indústria, sendo que por esse ponto de vista, a qualidade apresentada é justificada na sua maioria. Quanto à banda sonora, passou-me ao lado praticamente onde, mais uma vez, não me transmitiu qualquer tipo de sentimento para além de música de fundo. Acima de tudo, é uma banda sonora discreta comparativamente a outras que me deixaram profundamente marcado.

GreedFall tem ideias bastante interessantes, mas alguns pequenos problemas acabam por impedir que o resultado final seja mais agradável. Os elementos base de um RPG estão todos lá e, nesse aspeto, nada tenho a apontar, só elogiar. Porém a personalidade dos personagens é bastante ausente, incapaz assim de absorver o jogador para a sua história e o seu mundo. Acima de tudo, espero sinceramente que GreedFall tenha sucesso o suficiente para uma sequela, pois se este material for um pouco mais trabalhado e aprimorado, GreedFall 2 pode superar facilmente a obra original. Posto isto, aconselho vivamente este jogo somente a quem é fã do género, mas sempre com algumas cautelas nas expectativas.

 

positivo Visualmente agradável e diverso
positivo Excelentes elementos de RPG
positivo Muitos equipamentos e armas à disposição
errado Alguns pequenos problemas de frame rate
errado Interior das casas sempre igual basicamente
errado Sistema de combate repetitivo
errado Personagens nada cativantes

Data de Lançamento: 10 de Setembro de 2019
Produtora: Spiders
Editora: Focus Home Entertainment
Género: Ação, RPG
Disponível para: Microsoft Windows e Xbox One e Playstation 4.

Este jogo foi analisado na Playstation 4.

 

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