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Eu e The Last of Us

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Com a recente revelação da data de lançamento de The Last of Us Part 2, a qual está para muito breve, dei comigo a recuar no tempo. The Last of Us foi o primeiro jogo que joguei na Playstation 3, em Outubro de 2013. Foi nessa altura que comprei a consola da Sony com o objetivo de jogar os exclusivos e este foi logo o primeiro. Pouco ou nada sabia sobre o jogo, para além de que tinha sido feito pelo mesmo estúdio de Uncharted, franchise o qual também tinha interesse em jogar. (Para quem possa estar a questionar, a Xbox 360 foi a minha consola de eleição na geração passada.)

Lembro-me bem dos dias e dos momentos em que joguei The Last of Us. Após o trabalho, chegava a casa cerca das 17hr e sentava-me a jogar. Ainda não era pai, então posso afirmar agora que isso era um luxo na altura. Era só eu e o jogo pois a namorada só chegava mais tarde. Durante umas duas horas, vivia o jogo como poucos até ao momento. Lembro-me que uma das coisas que mais me marcou, foram as conversas entre o Joel e a Ellie. Conversas por vezes banais, outras mais intensas. Conversas do dia a dia em pleno cenário apocalíptico, deixaram em mim, uma memória que jamais irá desvanecer. Quando terminei o jogo, senti um vazio por ver aqueles personagens desaparecer do meu quotidiano e só vários anos depois (Abril 2016) é que voltei a jogar novamente, mas desta vez a versão da Playstation 4. Obviamente que a sensação já não foi a mesma, mas a qualidade do jogo continuava lá indiscutivelmente. The Last of Us continua a ser um dos meus jogos favoritos de sempre, estando provavelmente no meu top 10, quem sabe 5.

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Outro dos aspetos que me marcou foi a qualidade da narrativa e o acting dos personagens. Esta foi talvez a primeira obra nos videojogos que me fez sentir o poder dos mesmos, capazes de superar facilmente a experiência de um filme. O que quero dizer com isto é que, para além da intensidade com que possamos viver um filme, o poder participar nele deu ainda uma maior projeção ao que senti. Ok, isto são os videojogos no seu melhor mas, infelizmente, continua a existir muita gente que questiona a sua qualidade e utilidade, o que é deveras ridículo. Um dia chegaremos lá e espero estar cá para viver o momento.

A intensidade de cada combate sempre me deixou bastante ansioso. O mínimo deslize era a morte do artista. Os clickers são inimigos aterradores, onde o mais silencioso barulho despertaria a sua atenção, disparando de imediato os níveis de tensão para alerta vermelho.  Explorar cada cenário era quase tão intenso como qualquer combate. Nunca sabia quando seria o próximo encontro imediato, capaz de me fazer disparar as pulsações. Cada casa em que entrava para procurar qualquer tipo de recursos, fazia-me sentir na pele o que é estar numa situação de sobrevivência a tempo inteiro e com o senhor da foice sempre a espreitar ao fundo do corredor. Foi esta constante tensão que me fez viver este jogo de uma forma como muito poucos o conseguiram fazer até hoje.

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Mas para uma excelente experiência, existe um pilar que também tem de ser de alta qualidade e consistência para suster toda uma estrutura. Estou a falar da extraordinária banda sonora que começou crescer em mim logo no menu inicial. Foi a primeira vez que ouvi falar no músico Gustavo Santaolalla, responsável pela vertente musical do jogo, e para sempre irei recordar o seu magnífico trabalho. De vez em quando ainda oiço alguns músicas da  banda sonora, tal como neste preciso momento. É claramente a única música indicada para escrever este texto.

Algo que aprecio bastante no entretenimento, é quando existe um salto no tempo, transportando-nos para uns anos à frente. The Last of Us faz isso em termos de estações do ano, dando uma sensação de progresso e de longevidade no que toca à nossa relação com o produto que estamos a consumir. Seja um jogo, um filme ou anime, tenho vários favoritos nestes campos que o executam bastante bem. O crescimento dos personagens e da sua relação ao longo da aventura, é das melhores que já tiver oportunidade de viver. Aquilo que começa num simples trabalho e com muitas desavenças pelo meio, acaba numa forte relação mas onde nunca existe propriamente um afirmar de mútuo afeto. É aquela velha máxima que um olhar vale mais que mil palavras. Aqui, para além dos olhares, foram também as atitudes que fizeram transparecer algo mais profundo que as aparências escondiam.

 

Não me quero alongar muito mais no texto, pois este é mais um sentimento atual do que propriamente uma reflexão. Sabem aqueles momentos em que se sentem inspirados para escrever algo de que gostam? Este não é um desses momentos, mas sim mais um desabafo. Apeteceu-me extravasar sobre o jogo e pronto.

A minha expectativa para TLOU Part 2 não podia ser mais alta, mas depois do mais recente trailer, vou tentar manter-me afastado de novas informações pois quero viver o jogo com o mínimo conhecimento possível.

Quero ser surpreendido.

Quero ser marcado por novas futuras memórias.

Quero arrepiar-me, tremer e, se o momento chegar, chorar.

Mas para tudo isto acontecer, um social media blackout vou ter de fazer.

21 de Fevereiro de 2020 ainda está tão longe.

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