Análises

Frostpunk: Console Edition – Análise

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Foi no início deste ano que tive a oportunidade de jogar e terminar a campanha principal de Frostpunk. Tornou-se rapidamente um dos meus jogos favoritos de estratégia, o qual nos coloca constantemente à prova com novos desafios a cada minuto. Não são uns desafios quaisquer e, muitas vezes, a vossa humanidade será colocada em causa quando forem confrontados com situações de engolir em seco antes da difícil decisão.

Frostpunk é um jogo que nos coloca numa posição delicada ao tentar sobreviver em plenas condições climatéricas extremas. O objetivo do jogo é tentar sobreviver às derradeiras gélidas temperaturas, ao mesmo tempo em que lidamos com uma constante gestão de recursos humanos, obstáculos sociais, fome e muitas mortes pelo caminho.

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Aquele calor de Verão

O calor tem um plano crucial no jogo e sem ele, as coisas nunca irão correr bem. É necessário colocar a produção de carvão em alta para podermos providenciar calor a tempo inteiro para a população. Seja nas suas casas ou no local de trabalho, estes espaços exigem que estejam sempre com uma boa temperatura pois de outra forma, as mortes irão aparecer e o trabalho não se faz sozinho. Quem dizer carvão, diz também madeira, aço e comida. Todos eles são de extrema importância para a sobrevivência da população e a mão de obra para gerir tudo isto, é bastante importante. Mas como se isto já não fosse exigente o suficiente, também terão de escolher e aplicar determinadas leis, as quais terão impacto imediato na sociedade. Seja positivo ou negativo, algo irá acontecer e na maioria dos casos, o resultado não será colorido.

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A gestão de Frostpunk é gélida e exigente

A título de exemplo, podem decidir se colocam as crianças a trabalhar ou não. Os resultados podem ser positivos e negativos. Aliás, é possível ler os pontos positivos e negativos de cada lei, o que dá bastante jeito antes de decidir. No caso do trabalho infantil, existem duas saídas. Ganham mais força laboral mas também descontentamento da população. Por outro lado, se as impedirem de trabalhar, irão sofrer no poder da economia mas deixar a população mais contente. Este é só um dos inúmeros exemplos de leis com que se irão deparar ao longo do jogo. Colocar as pessoas a trabalhar mais horas e obter mais recursos rapidamente, é algo que soa bem certo? Esta lei, quando implementada, tem como consequências negativas a morte precoce de parte da vossa população. Será que vale a pena arriscar por uma maior produtividade em contrapartida da vida da vossa população? É só mais uma decisão que vos deixará a pensar durante alguns segundos, ao invés do imediato clique. O jogo tem uma barra de esperança e descontentamento. Todas as vossas decisões no jogo irão influenciar estes dois aspetos e se o descontentamento atingir o máximo, ou a esperança ficar reduzida a pó, então perdem o jogo e terão de começar novamente. Obviamente que estamos a falar do último save que tiveram, mas aconselho vivamente a gravarem em locais diferentes, de forma a facilitar o processo caso tenham de voltar atrás para remediar algumas situações.

Considero Frostpunk um jogo de tentativa erro. O título tem muitas mecânicas iniciais para assimilar e o falhanço será garantido nos primeiros tempos. É possível obter um “game over” no ecrã se a população atingir o nível máximo de insatisfação. Felizmente, apesar da quantidade enorme de mecânicas presentes, o jogo tem um tutorial muito bom e detalhado sobre diversos assuntos e nunca se irão sentir desamparados. Já agora, aproveito para salientar que o jogo está em português (PT-BR), o que ajuda ainda mais na compreensão das funcionalidades.

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O manto branco esconde um desafio intenso e implacável

Frostpunk é visualmente apelativo. O seu puro manto branco repleto de infra-estruturas e maquinaria, esconde um desafio exigente mas bastante viciante. Apesar de não ser a primeira vez que jogo, dei por mim sem tirar os olhos do ecrã durante um bom tempo, sempre com a próxima decisão em vista. Fosse ela uma nova lei ou que lacuna da economia precisava melhorar, havia sempre algo para fazer e aprimorar. Frostpunk é uma máquina que requer manutenção a tempo inteiro de forma a causar o mínimo desconforto possível, pois o falhanço é quase sempre garantido. A exigência deste jogo é enorme e a dificuldade é considerável, mesmo no “normal”. Felizmente, existem opções de dificuldade e que permitem ajustar vários aspetos do jogo, facilitando um pouco a tarefa para quem quiser usufruir do título de forma mais relaxada. Para além da dificuldade, é possível alterar aspetos como “necessidades públicas”, “economia”, “clima” e “atividade da sociedade”. Ainda assim, depois de ter testado as opções mais acessíveis, a dificuldade continua a exigir uma constante concentração e discernimento nas decisões.

Para além da campanha principal, existem outros cenários que oferecem mais conteúdo do jogo. Estes vão desbloqueando à medida que forem avançado na campanha principal. O primeiro deles só desbloqueia quando chegarem pela primeira vez ao dia 20 (a campanha principal dura 46 dias). Este objetivo pode parecer simples, mas está longe de o ser. Os conteúdos extra chamam-se “As Arcas”, “Os Refugiados” e “A Queda de Winterhome”. Também existe um “Modo sem Fim”, onde podem jogar sem qualquer objetivo e até se fartarem. Dentro deste modo, é possível escolher dois aspetos diferentes relativos à jogabilidade. “Resistência” onde tudo é a doer ou “Serenidade” onde podem levar o tempo que quiserem e fazer as coisas sem pressão intensa de recursos ou atmosférica.

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Todos sabemos que os jogos de estratégia jogam fora de casa no que toca às consolas. Porém, Frostpunk conseguiu ser bem adaptado em termos de controlos. O jogo tem muita informação disponível e menus, mas tudo é executado de forma bastante funcional. É certo que já tinha experiência da versão no PC mas, ainda assim, acredito que a adaptação para o comando foi bem conseguida.

Antes de entrar na reta final, quero apenas deixar uma nota sobre a banda sonora do jogo, a qual transmite uma sensação de angústia e melancolia, pois estamos perante um jogo onde a felicidade é algo praticamente ausente. Tendo em conta isso, posso dizer que a música encaixa que nem uma luva no espírito de Frostunk.

Tal como disse no início, Frostpunk é uma dos meus jogos favoritos de estratégia e aconselho a todos os fãs do género, inclusive a quem não o seja. A sua constante intensidade prende qualquer um ao ecrã, pois o mínimo deslize pode significar a ruína da população. A dificuldade de algumas decisões, irão colocar-vos à prova durante várias dezenas de horas, enquanto tentam superar todos os desafios que o frio irá incutir.

Frostpunk é um dos melhores jogos de estratégia de sempre e está finalmente disponível para as consolas.

 

Data de Lançamento: 10 de Outubro de 2019 (Consolas)
Produtora: 11 bit studios
Editora: 11 bit studios
Género: Estratégia
Disponível para: Microsoft Windows, Xbox One, Playstation 4 e Mac OSX

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise (Playstation 4) por parte da Editora/Distribuidora Nacional.

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