Análises

Children of Morta – Análise

Children

Segundo o dicionário, família significa algo como “conjunto de pessoas com relação de parentesco que vivem juntas; agregado familiar”. Children of Morta tem como raiz os laços familiares e o relacionamento de um grupo de pessoas unidas para a vida. É a partir deste pilar que esta aventura começa.

A família Bergson vive algures numa zona contaminada pela Corrupção. O seu objetivo é afastar este flagelo das suas terras mas, para isso, serão necessárias constantes visitas a masmorras geradas aleatoriamente. Estamos perante um roguelike e cada vez que morremos, voltamos a casa. Porém, conforme a nossa prestação nas masmorras, é possível que a história continue a avançar. Isto faz com que a morte não seja um obstáculo ao divertimento. Depois de algumas horas de jogo, mudei a minha táctica de abordagem. Ao invés de tentar ir até ao último piso para enfrentar o boss e desbloquear uma nova zona, decidi começar a explorar tudo até lá. Ao fazer isto, comecei a deparar-me com diversos itens necessários para completar missões secundárias, ou até facilitar o avanço na história. Com o avançar do jogo, vão começando a aparecer alterações na nossa casa. Existem diversos espaços com diferentes propósitos mas, no geral, ronda tudo em torno dos melhoramentos. Quanto a estes, estamos a falar de uma maior barra de vida, mais dano no ataque, mais % de dinheiro obtido dos inimigos, mais agilidade de movimentos, entre muitas outras possibilidades. Cada um destes pode ser melhorado várias vezes e é tudo feito à base de dinheiro.

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Os Bergson são constituídos por vários familiares e é possível jogar com seis deles. Cada um dos membros tem uma mecânica de combate diferente e o mesmo se aplica às habilidades. Estes membros não estão todos disponíveis ao iniciar o jogo, pelo que o progresso na história é essencial para que isso aconteça. Todos eles oferecem uma experiência diferente mas, mesmo que tenham alguma favorito, o jogo obriga-vos a ir variando a vossa escolha. A razão disto deve-se ao facto dos personagens começarem a ficar cansados e com uma menor barra de vida. Posto isto, não resta outra opção senão escolher outro lutador. Quer dizer, cada um sabe de si…

Existem também algumas salas com desafios e puzzles. Temos de enfrentar ondas de inimigos e ao superarmos o desafio, ganhamos alguns prémios. O mesmo se aplica aos puzzles. Na maior parte das vezes, é necessário ativar um mecanismo por uma determinada ordem mas, se falharmos, irão aparecer inimigos. Só após derrotarmos todos eles, é que poderemos tentar novamente ativar o mecanismo de forma eficaz. No final, seremos compensados com um item especial. Só pela piada, quero mencionar o facto de um dos jogos presentes nestes puzzles ser inspirado no famoso jogo antigo chamado “Pong”. Escusado será dizer que adorei o pormenor.

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Numa altura em que os visuais dos jogos são cada vez mais perfeitos e realistas, a toda a hora estão a sair indies com visuais diferentes e cativantes. Children of Morta é o mais recente exemplo. O pixel art é impressionante e existem padrões incríveis na casa, bem como nos cenários em seu redor e em alguns níveis. Os personagens também estão bastante bem detalhados e as suas animações são fluídas e interessantes.

Em termos de performance do jogo, tudo corre perfeitamente numa Playstation 4 normal, plataforma onde analisei o jogo. O único ponto que tenho a assinalar está relacionado com uns vídeos durante as dungeons. É após umas cutscenes de miss~es secundárias que o jogo tem umas quedas de frame, mas rapidamente volta ao lugar. Isto foi quase constante nestas situações, portanto suponho que seja uma questão de otimização futura.

No geral, a banda sonora é positiva e tem algumas músicas boas. Adoro a música que começa quando encontramos o comerciante. É como se uma terapia de relaxamento em plena dungeon se tratasse. Naquele momento, os habitantes hostis da caverna bem podiam esperar pois usava dois minutos de pausa para respirar e aproveitar a boa música ambiente. Outro aspeto que me deliciou, foi o narrador e a sua voz. Fez-me literalmente transportar para um mundo de fantasia medieval, quase como se estivesse a ver a icónica trilogia do Senhor dos Anéis. A banda sonora durante o combate passa despercebida e é durante as narrações que o seu tom muda e temos algo mais épico. Antes de terminar, quero apenas salientar que o jogo conta com um modo cooperativo, o que deve ser excelente para este tipo de jogo. Digo “deve ser” porque, infelizmente, não tive oportunidade de o testar.

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Children of Morta é um jogo com bastante potencial para quem é fã de roguelike.  Em termos de jogabilidade, é tudo muito semelhante a um Diablo ou Torchlight (entre outros do género), onde andamos por dungeons a matar inimigos e recolher o seu loot. Sinceramente, gostava que este título não tivesse elementos de roguelike, pois o meu prazer a jogá-lo seria ainda maior. O ter que repetir vezes sem conta os mesmos níveis, apesar de variáveis, pode começar a tornar-se cansativo ao fim de algumas horas. Achei bastante interessante o setting do jogo com foco na família e respetivos membros. Existe uma boa variedade de estilos de combate, e isso é sempre uma mais valia no jogo onde a constante repetição é um dos nossos adversário. Em suma, e tal como disse no início deste parágrafo, acho que este é um título só para os fãs do género, embora haja espaço para um novo público obviamente.

Data de Lançamento: 15 de Outubro de 2019 (PS4 e Xbox One)(Switch a 20 Novembro)
Produtora: Dead Mage
Editora: 11 bit Studios
Género: Ação, RPG, Hand & Slash, Roguelike, Fantasia
Disponível para: Playstation 4, Xbox One, Microsoft Windows, Mac Os e Nintendo Switch

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise (Playstation 4) por parte da Editora/Distribuidora Nacional.

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