Análises

Raging Loop – Análise

ragingloop

Confesso que as Visual Novels nunca foram o meu forte, mesmo que sejam de obras de animes que goste. Porém, Raging Loop conseguiu despertar o meu interesse. Antes de continuar, para quem não sabe o que significa, Visual Novels são essencialmente livros interativos. Títulos onde a jogabilidade é muito reduzida e contém enormes toneladas de texto para ler. Parece aborrecido? Bom, à primeira vista sim.

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Ao contrário do que habitualmente se vê lançado no mercado Ocidental, Raging Loop tem um visual adulto e uma história com contornos mais virados para terror/ thriller. O enredo gira em torno de uma maldição sob uma pequena aldeia no meio da floresta Japonesa (Não podia ser de outra forma, podia?). Em tempos, esta vila chamada Yasumizu foi casa de cinco animais guardiões e durante uma determinada altura, os habitantes herdavam os seus poderes. Em certas alturas do ano, todas as noites, um nevoeiro envolve a aldeia e, supostamente, uma força maléfica possui um dos habitantes, obrigando-o a matar alguém da povoação. Porém, as coisas não são assim tão lineares. Se é durante a noite em que a matança acontece, é também durante a luz do dia que os habitantes escolhem a pessoa que será sacrificada. Porquê? Desta forma, eventualmente irão descobrir quem é o assassino.

A história envolve mitologia Japonesa com lobos, cobras, corvos, aranhas e macacos à mistura. Cada animal tem um determinado “poder” e isso será bastante importante na hora da escolha do alvo a abater e da relação entre os personagens. Nós somos um jovem que chega à aldeia por coincidência(será?) e que se vê envolvido em todo este intenso drama manchado de sangue. Ok, podíamos muito bem ir embora da aldeia e nunca mais olhar para trás. O problema é que o nevoeiro é tão intenso que não dá para ver nada. Uma vez a aldeia envolvida pelo mesmo, não há como escapar e isso é comprovado durante o jogo…

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Como já tinha mencionado, a jogabilidade gira em torno da leitura. Muitas linhas de texto para ler, embora possam acelerar o processo de diferentes formas. Podem acelerar a velocidade com que o texto aparece no ecrã ou até passar de forma muita rápida, o que irá tornar impossível de ler. Felizmente, de forma a não tornar a leitura tão aborrecida, muitas das falas têm vozes e o único áudio presente é obviamente Japonês. Já que estou a falar do áudio, aproveito já para mencionar que a banda sonora presente é razoavelmente boa. Tem uma satisfatória música ambiente e os momentos de maior tensão também foram alvo de uma atenção especial.

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O que torna esta Visual Novel um pouco diferente, é a possibilidade de retomarmos o jogo a partir de um ponto crucial do mesmo. O jogo tem vários finais e, muitos deles, resultam na morte precoce e esta resulta de diversas decisões tomadas nas conversas. Muitas destas irão estar bloqueadas inicialmente e cada vez que morremos, podemos obter uma chave ou apenas conhecimento. Estes dois aspetos irão desbloquear novos caminhos, os quais vos irão permitir chegar cada vez mais longe na história. Ou seja, imaginemos que morrem na consequência de uma determinada decisão. Após o cenário de “game over”, é possível retornar ao momento dessa questão. Caso seja possível, escolham a ou as outras respostas possíveis. Caso não estejam disponíveis, significa que terão de continuar a história ao escolher outra questão anteriormente.

O jogo contém vários capítulos e podem andar para trás ou para a frente, conforme o vosso interesse. Gostei muito desta implementação e estou disponível para jogar mais Visual Novels que tenham esta funcionalidade. Isto impede que tenhamos de jogar o jogo todo novamente para descobrir novos finais. Ok, é sempre possível passar o texto todo à frente, mas não é o mesmo.

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O que também achei muito interessante foi o facto de, após a nossa morte, o personagem principal lembrar-se dos eventos anteriores, mas não saber qual a sua origem pois acha que nunca esteve ali. Os diálogos e pensamentos ficam cada vez mais interessantes após cada morte e isso incentivou-me bastante a continuar. Os próprios habitantes, vão alterando o seu comportamento conforme o caminho em que estejamos naquele momento. Se numa das ramificações da história, alguns deles possam ser nossos amigos, noutras podem claramente ter intenções de nos matar. Gostei imenso do impacto dessas alterações na história e da forma como acabam por originar uma experiência diferente a cada nova ramificação.

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Em termos de aspetos menos bons, achei que algumas conversas arrastam um pouco demais. Só por si, estes jogos já são bastante longos e palha desnecessária pelo meio não ajuda. Não é que a conversa não estivesse relacionada com a história mas, ainda assim, algumas falas podiam ser cortadas. Felizmente, existe o skip ou avanço rápido. Os fundos das conversas podiam ser um pouco mais variados. São essencialmente papéis de parede, onde alguns deles têm o efeito do nevoeiro (em tempo real) e nada mais.

Raging Loop apanhou-me desprevenido. Foi com algum espanto que estive sempre interessando em saber mais sobre a história. A temática de terror consegui cativar-me, embora não seja algo que normalmente procure em termos de entretenimento. A possibilidade de poder voltar atrás e escolher diversos caminhos na história, acabou por me incentivar a continuar a jogar e de forma a poder presenciar diversos desfechos.

Acima de tudo, apesar das suas qualidades, este continua a ser um produto muito niche. A nível geral, tem uma jogabilidade muito limitada e a leitura é uma constante. Se preferem algo mais movimentado, então este não é um jogo para vocês. (Acho que não precisavam chegar a esta linha do texto para obter essa conclusão.) Porém, se são aqueles jogadores que têm o mínimo de interesse por Visual Novels, então aconselho vivamente a Raging Loop.

Data de Lançamento: 18 de Outubro de 2019
Produtora: Kemco
Editora: PQube Limited
Género: Visual Novel
Disponível para: Playstation 4 e Nintendo Switch (Versão Japonesa na Steam)

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise (Playstation 4) por parte da Editora/Distribuidora Nacional.

Se gostaram de ler este texto, agradecia imenso se o pudessem partilhar nas redes sociais. Se quiserem apoiar este projeto, podem fazê-lo através desta página. Acima de tudo, obrigado por visitarem o site.

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