Análises

Call of Duty: Modern Warfare – Análise

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A trilogia Modern Warfare que saiu durante a geração passada, é para mim a melhor do franchise Call of Duty. Foi a partir de Call of Duty 4: Modern Warfare que a série viu um avanço temporal para cenários e contextos mais atuais. O Modern Warfare de 2019 é um reboot com uma nova história e com o inevitável regresso do mítico personagem Captain Price.

Depois da ausência pela primeira vez da campanha num jogo da série, eis que este ano a narrativa volta a marcar presença. A Activision afirmou há uns meses que muitos jogadores nem chegavam sequer a tocar no modo single-player e daí ter abolido o mesmo em Black Ops 4. Porém, existem muitas pessoas como eu que dão valor a uma boa e intensa campanha single-player, principalmente antes de mergulhar em zombies ou no multiplayer. Por acaso, este ano não há zombies para ninguém e o modo Special Ops volta a entrar em ação, mas já lá vamos.

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O regresso do carismático Captain Price

A história tem lugar essencialmente no pais fictício chamado Urzikstan, onde existe um confronto entre os rebeldes desse mesmo país e as forças armadas Russas. Somos chamados a intervir para recuperar um gás mortal da posse do inimigo. As coisas acabam por não correr de forma positiva e o resto é o que se pode imaginar. Existem quatro personagens em destaque nesta história e jogamos com dois deles. São eles Alex e Kyle Garrick, da CIA e SAS respetivamente. Depois temos ainda o carismático Captain Price e a líder dos rebeldes Farah Karim.

Todos eles têm algum destaque mas, na minha opinião, o personagem que teve um maior desenvolvimento foi Farah. Sem querer estragar surpresas, é-nos dado a conhecer mais sobre esta personagem do que qualquer outra. São várias as situações de flashbacks, o que ajudam com certeza na hora de perceber a sua situação atual e ideais. O Captain Price é muito convincente nas suas atitudes e falas, executando muitas vezes o impensável de forma a concluir o seu objetivo. Preparem-se para momentos com muito pouco de eticamente corretos, mas não seria Call of Duty se não existisse polémica à mistura. Alex e Kyle são personagens com alguns momentos de maior destaque, mas muito além daquilo que poderia ter sido feito.

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Campanha curta, mas intensa

No que toca às missões da campanha e respetiva duração, esta é talvez a mais curta de todas até hoje, oferecendo apenas 14 missões. Algumas delas são bem curtas, mas não menos intensas. Este aspeto é algo que quero fazer salientar bastante. Todos sabemos que a série é marcada por um constante tiroteio e, apesar de não ser bem o caso, existem bastante momentos de incrível intensidade choque visual.

As missões são variadas, proporcionando diversos tipos de jogabilidade. Temos missões com base em stealth, atirador furtivo (sniper), infiltração em propriedades inimigas e ainda um momento que me fez lembrar Watch Dogs. Durante parte de uma missão, terão de controlar um personagem através das câmaras de vigilância de um edifício. É uma novidade na jogabilidade e achei muito interessante a sua implementação, principalmente no momento em que foi.

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Outra das novidades na campanha, bem como no multiplayer, é a possibilidade de colocamos as armas apoiadas nas paredes ou muros. Isto oferece uma maior estabilidade na hora de disparar, bem como uma maior cobertura perante o fogo inimigo. Seja no multiplayer ou na campanha, agora é possível escolher entre abrir um porta ou arrombá-la de imediato. Fica a vosso critério a melhor forma de abordagem, mas existem claramente momentos específicos para ambas as situações.

Novo motor de jogo “dá um ar da sua graça”

As cutscenes da campanha estão soberbas e isso é também reflexo do novo motor de jogo. Os efeitos de luz estão muito bons e os detalhes nos cenários também não ficam atrás. Na verdade, este novo motor de jogo também dá enfase a um quase fotorrealismo. Não deveria ser o caso, mas foram os vídeos cgi de alta qualidade que me deixaram sempre estupefacto cada vez que começavam. Não pude deixar de ficar surpreendido com as expressões faciais dos personagens, principalmente as do Captain Price. Se este aparecesse em mais jogos da série, facilmente se tornaria alguém com maior peso no mundo dos videojogos tal como Master Chief ou Kratos, entre muitos outros. A sua personalidade é carismática (já me estou a repetir, mas é verdade) e era sempre motivo para sorrir cada vez que ele aparecia no ecrã.

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Multiplayer continua robusto e recomenda-se

Mas passando à vertente de maior sucesso na série – o multiplayer. Existem algumas novidades, entre elas modos de jogo e o bem-vindo crossplay. Para os mais distraídos, Call of Duty: Modern Warfare é o primeiro do franchise a oferecer a possibilidade de jogar contra oponentes em diferentes plataformas. Os jogadores de PC, Xbox One e Playstation 4, podem agora jogar entre si o que é de louvar nos dias de correm. Caso não tenham interesse nesta funcionalidade, podem desativá-la no menu.

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No que toca a modos de jogo, as novidades vão para Gunfight e Ground War. Gunfight é um modo de 2 contra 2, com equipamentos pre definidos. O jogo tem duração de 40 segundos e os mapas são bastante pequenos, de forma a tornar as partidas mais intensas. Gostei bastante deste novo modo, onde a sua rápida conclusão, faz com que não existam momentos mortos ou de “acampamento”. Este modo é curto, intenso e muito divertido, principalmente se tiverem um amigo com quem possam comunicar. Ground War é o modo que proporciona uma experiência mais mundo aberto, onde 64 jogadores se defrontam com veículos disponíveis para controlar, e uma grande confusão de balas a voar. Apesar de haver mais espaço para percorrer, a intensidade não deixa de estar presente, bem como os habituais campers sempre à nossa espera em qualquer esquina ou beco.

Para além destes dois modos, existe Team Deathmatch, Free for All, Domination, entre outras habituais presenças. Certamente que existe um pouco de tudo para cada jogador, e a própria oferta de mapas é considerável na minha opinião. São quase vinte mapas presentes no jogo, onde alguns deles têm lugar durante a noite e onde a visão noturna é imperativa para o sucesso. Para quem gosta de um bom co-op de sofá, é com satisfação que menciono existe a possibilidade de split-screen. É de aplaudir de pé todos os estúdios que continuam a oferecer esta opção de jogarmos com amigos ao nosso lado.

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Special Ops continua eventos da campanha, mas falta-lhe algum brilho

O modo Special Ops está de volta e este continua os eventos da campanha com quatro diferentes missões. Existe também a vertente Survival, onde temos de defender incríveis e intensas ondas de inimigos, somente capaz de ser superadas pelos mais resistentes. Infelizmente, fiquei um pouco desapontado comparativamente ao Spec Ops que havia em Modern Warfare 2 e 3. Gostava mais dos tipos de missões e podíamos escolher a dificuldade em que queríamos jogar. Aqui é impossível pois tem que ser sempre online, ou pelo menos não consegui fazê-lo de outras forma. Quero apenas deixar uma nota que o modo Survival só está presente na Playstation 4 até Outubro de 2020. É uma exclusividade da plataforma mas, muito honestamente, é algo menosprezível de acontecer. Quando ficar disponível em 2020, já as pessoas estão prontas para o próximo Call of Duty…

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O jogo correu bem na minha Playstation 4 base, sem qualquer tipo de lag no multiplayer (mesmo em wireless) ou durante a própria campanha, quer seja jogabilidade ou vídeos. Estou a mencionar este aspeto pois sei de quem se tenha queixado de vários soluços nas custcenes em outras plataformas. Em suma, fiquem descansados se tiverem a Playstation 4 original. O único aspeto menos positivo que tenho para salientar, são mesmo os longos loadings, principalmente na campanha. Em termos de áudio, existe um bom acompanhamento musical a nível global e as vozes dos personagens também encaixam quem nem uma luva nos personagens. O som das armas e explosões continuam no seu melhor, muito ao estilo daquilo que já vem sendo habitual no franchise.

O regresso de Modern Warfare não desilude

Call of Duty: Modern Warfare é claramente um retorno de alta qualidade. O seu ritmo frenético, mas realista, oferece a experiência que todos os fãs da série procuram. Apesar de curta, a campanha tem os seus momentos bons e o seu regresso é certamente um motivo de alegria para os fãs da mesma. A vertente multiplayer oferece novos modos de jogo e muita personalização de armas e loadouts, para além dos habituais modos conhecidos da série.

Modern Warfare implementa algumas novidades mas, mesmo sem arriscar muito, para bem ou para o mal, acaba por proporcionar um pouco aquilo a que já estamos habituados nos últimos anos. Com uma campanha intensa e um online sempre frenético, esta é mais uma entrada sólida no já vasto catálogo da série.

positivo Campanha muito curta, mas coesa e intensa
positivo Visualmente impressionante nas cutscenes
positivo Novos modos online
positivo Implementação de Crossplay
positivo Multiplayer continua frenético e implacável

errado Loadings demorados na campanha
errado Pouco desenvolvimento dos personagens principais da campanha
errado Special Ops Survival somente presente na Playstation 4 até Outubro de 2020

Data de Lançamento: 25 de Outubro de 2019
Produtora: Infinity Ward
Editora: Activision
Género: Ação, First Person Shooter
Disponível para: Playstation 4, Xbox One e Microsoft Windows

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise (Playstation 4) por parte da Playstation Portugal.

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