Entrevista ao produtor de 12 Minutes

12min1

 

Foi durante a semana passada que tive a oportunidade de falar um pouco com o Luís António, a pessoa responsável pelo jogo 12 Minutes. No seu currículo, já constam passagens pelos estúdios da Rockstar e da Ubisoft, sendo que também ajudou na parte artística do The Witness. Foi durante o desenvolvimento deste último, que Luís António começou a trabalhar neste seu primeiro projeto como responsável máximo.

 

 

– Podes explicar no que consiste 12 Minutes?

O 12 Minutes é um thriller interativo, onde jogamos na perspetiva do marido. Depois de um dia de trabalho, chegamos a casa e jantamos com a nossa esposa. De seguida, alguém bate à porta e deixa-nos inconscientes após sermos alvo de agressão. Quando acordamos, começa um novo dia, um novo loop. A ideia é usar o conhecimento das experiências anteriores para tentar alterar o rumo dos acontecimentos e quebrar o loop.

 

– Como surgiu a ideia, ou quais as influências, para o conceito do jogo?

O realizador Stanley Kubrick é uma das minhas várias influências e filmes como The Shinning, Memento ou Groundhog Day, também acabam por ser alguns dos pontos de referência na criação de 12 Minutes.

Os videojogos são essencialmente “time loops”, mas então e se o personagem principal fosse capaz de se lembrar que já passou aquele determinado nível por diversas vezes? Este tipo de experiência é vista ao nível cinematográfico, mas pouco existe no que toca aos videojogos. Quanto mais intensa e rica for a experiência, mais significativa será para o jogador em termos de resultado final.

 

12min2

 

– Ter um trailer durante a conferência da Microsoft na E3 de 2019 foi uma grande mais valia. Como surgiu esta oportunidade?

Quando comecei o projeto, estava à procura de uma parceria de forma a ajudar-me a distribuir o jogo. Consegui uma parceria inicial com a Microsoft e foi, inclusive, no Game Dev Camp em Portugal que falei com Agostino Simonetta, responsável pelo programa ID@Xbox na Europa. Disseram que estavam interessados e comecei então a colaborar com eles no arranque do projeto.

O jogo começou a crescer e, a partir de determinado momento, vimos que o jogo poderia ser algo muito maior e foi aí que decidi fazer uma parceria com a Annapurna Pictures. O contacto com a Microsoft manteve-se pois eles estavam interessados desde o início. Chegou uma altura em que estávamos prontos para anunciar o jogo e falámos com a Microsoft a questionar sobre a hipótese de um trailer durante a sua conferência na E3. Desde o início que tínhamos um diálogo aberto, então eles concordaram sem qualquer problema.

 

– Para além do marido ganhar conhecimento loop após loop, existe mais alguma coisa no cenário que se vá alterando ou é ele a única peça de mudança?

Não, é apenas o marido. Há muitos jogos que fazem isso mas, neste caso, é apenas o jogador que vai ganhando conhecimento a cada novo loop.

 

– Segundo sei, o loop pode terminar antes dos 12 minutos. Em que ponto do jogo é que já não há volta a dar?

Vão chegar momentos onde rapidamente irás perceber que não há volta a dar e o loop irá reiniciar brevemente. Porém, existem várias formas de o fazer. Uma das formas é simplesmente sair do apartamento. O jogo não te castiga por reiniciares o loop, pois os erros são uma forma de aprendizagem para que possas ser mais bem sucedido no loop seguinte.

 

– Existem finais diferentes ou limite de loops?

A experiência do jogo é muito sobre isso. O que seria o fim de uma experiência que nunca acaba? Diria que irá chegar um momento em que vais sentir que chegaste ao fim e que deverás ficar satisfeito com a conclusão. O jogo está feito para chegar a um ponto em que sentiste que chegaste ao fim, mas é um fim diferente. Por exemplo, quando vês um filme, chegas ao fim das duas horas e acabou, mas isto é um pouco diferente pois é dinâmico. O conceito de fim é também diferente de um livro quando chegas à última página ou, mais uma vez, de um filme quando chegas ao final das duas horas. Acima de tudo, acho que vais chegar a uma conclusão satisfatória.

 

12min3

 

– Mas por exemplo, se fizer as escolhas corretas, consigo chegar a esse fim no espaço de uma ou duas horas?

Para chegar a esse final, diria que podemos estar falar entre 6 a 8 horas, caso sejas bom em jogos de puzzles.

 

– E no que toca à data de lançamento, tens alguma previsão?

Para já não consigo avançar muita informação. Está previsto para este ano.

 

– Para terminar, uma questão mais a nível pessoal. O que andas a jogar agora ou que jogaste recentemente?

A minha lista de jogos para jogar é gigante mas, agora de momento, ando a jogar Gris. Também quero jogar Death Stranding, é o próximo da lista. Também quero voltar ao Outer Wilds que comecei, mas depois tive de parar. Joguei recentemente ao Untitled Goose Game e também o Noita.

 

Quero agradecer ao Luís pela sua disponibilidade, principalmente numa altura onde o 12 Minutes está numa fase crítica da sua produção e, certamente, a poucos meses do seu lançamento. Desejo todo o sucesso pessoal ao Luís e também que este indie português seja muito bem sucedido.

 

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.