Entrevista ao estúdio de Those Who Remain

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Confesso que não sou o maior fã do género terror ou suspense, mas Those Who Remain deixou-me interessado e pronto para perder o espírito várias vezes enquanto o estiver a jogar. Este é o mais recente projeto do estúdio português Camel 101, responsável também por jogos como Syndrome, Gemini Wars, entre outros.

Espero que gostem da entrevista e que este seja mais um jogo para adicionar ao vosso backlog. 🙂

 

 

– Antes de começar, quero despachar já esta pergunta para poder continuar descansado. Este jogo é impróprio para os mais fracos de coração ou será que estou a salvo? 🙂

Muito bem, entrada a matar 🙂

Nós não consideramos o Those Who Remain um jogo de terror. Não usamos jump scares nem artifícios para assustar o jogador duma forma espontânea.

No entanto, o jogo é tenso e tem toda uma envolvência bastante assustadora. Já vimos alguns testers assustarem-se em locais onde não era suposto ser assustador, e até alguns outros mais sensíveis a dizer que o jogo era demasiado pesado para eles.

Portanto vá, talvez seja só um pouquinho impróprio para os mais fracos de coração.

 

– Ok, continuo preocupado com o meu coração, mas não resta outra opção senão continuar. Para quem ainda não conhece o jogo, podem explicar em que consiste Those Who Remain?

O Those Who Remain é uma aventura / thriller psicológico focado na narrativa, exploração e resolução de puzzles, que tem duas mecânicas principais: ficar na luz e saltar entre “realidades”.

A cidade onde decorre o jogo está envolvida numa escuridão sobrenatural, por onde se movimentam figuras sombrias armadas com facas, machados e todo o tipo de objetos cortantes. Se o jogador se aproximar do escuro, será morto por estas entidades. A única forma de sobreviver é encontrar, ou manipular, objetos que gerem luz para conseguir afastar estas figuras.

Além deste “perigo no escuro”, existem também portais espalhados pela cidade, os quais transportam o jogador para uma realidade alternativa, quase como uma versão espelhada, mas corrompida do nosso mundo. Estas duas realidades estão interligadas, o que significa que o que acontece numa delas, tem reflexo na outra.

É uma história sombria que aborda temáticas pesadas tais como bullying, infidelidade, suicídio e cujo tema central são as escolhas, e as consequências que vêm dessas. Claro que com uma temática destas, também vamos obrigar o jogador a fazer algumas escolhas e a sofrer as respetivas consequências.

 

 

– Quais as vossas fontes de inspiração para este trabalho?

Curiosamente, as principais inspirações não são jogos, mas sim histórias doutros tipos de media. A cidade de Dormont, onde decorre a ação, poderia ser facilmente comparada a Twin Peaks. Ambas aparentam ser pacatas e sossegadas, e ambas têm segredos sombrios enterrados por baixo desse suposto sossego. Também Twin Peaks abordava a existência de outras realidades sendo que, nesta parte, também pegámos um pouco no Stranger Things. Há também um pouco de Stephen King no jogo – é impossível olhar para as figuras no escuro e não pensar imediatamente no The Fog.

A equipa é completamente horror-junkie e é fácil identificar inspirações ou encontrar referências a outras histórias ou universos. Algumas mais óbvias que outras – colocámos no jogo alguns easter eggs para os mais atentos.

 

– Segundo parece, o personagem principal é amigo de um bom whiskey. Os inimigos que se vêm nos trailers são psicológicos ou existem mesmo? 🙂

É verdade, ele gosta de beber o seu copo. Infelizmente gosta (ou precisa) demasiado disso. Mas respondendo à pergunta, se esses inimigos apanharem o personagem principal, ele morre mesmo. E com isto acho que está tudo dito 🙂

 

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– O consumo excessivo de bebida é resultante de algum trágico acontecimento? Se sim, podem falar sobre isso ou será revelado durante o jogo?

Sim, é resultado dum acontecimento traumático pelo qual a personagem principal (Edward) passou. Não me posso alongar muito sobre o assunto para não entrar em spoilers, mas este acontecimento empurrou a nossa personagem para uma espiral de auto-destruição, que culmina com o que vemos no início do jogo: Edward sozinho num hotel, a beber, a olhar para uma fotografia do seu passado e a pegar numa pistola.

 

– Num dos trailers, vê-se o personagem com uma arma na mão. Será possível usá-la?

Não, não é possível usar a arma, nem há combate no jogo. É apenas parte da história.

 

– O jogo passa-se unicamente durante a escuridão da noite ou existem momentos de luz natural? Para quem treme de medo destes jogos, isto é bastante importante. 🙂

Toda a cidade está envolvida numa escuridão sobrenatural que dura há já bastante tempo. Mesmo assim, há locais que estão mais iluminados do que outros. Verdade seja dita, não há muita luz natural no jogo, não.

Há num dos finais, vá. 😊

 

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– Alguns dos trailers dão ênfase às físicas de alguns objetos. Estamos perante eventos paranormais ou seremos capazes de controlar alguns deles?

Ambos.

Não só seremos capazes de controlar objetos (apanhar, largar, atirar), como teremos que o fazer para conseguir resolver alguns puzzles e situações.

 

– Em termos de duração de jogo, podem estar a falar de quantas horas?

A média deverá ser algo entre 5 a 6 horas de gameplay. Já vimos alguns testers a jogar 8 horas sem chegar ao final, mas a média deverá ser 5 – 6.

 

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– O jogo está previsto sair no primeiro trimestre de 2020, o qual já vai a meio. Assumindo que está tudo a correr conforme o planeado, o lançamento está para muito breve, não?

Está para muito breve, sim. Aliás, a data de lançamento está prestes a ser anunciada.

 

– E para terminar, vamos fazer um jogo. Tendo em conta a temática de Those Who Remain, suponho que a maioria das pessoas envolvidas no projeto, aprecie um bom entretenimento de terror. Digam alguns dos vossos nomes preferidos, sejam jogos, filmes, livros, ou algo associado a esta temática.

Ora bem, podia escrever uma página só para responder a esta pergunta, mas vou resumir.

Quando se fala em terror, sai-me automaticamente o nome “The Thing”. Um dos meus sonhos é um dia conseguir fazer um jogo que consiga transmitir o mesmo sentimento de claustrofobia e desconfiança que o filme. Outro nome é o “Alien”, um clássico imbatível.

A nível de literatura, sou fã de Lovecraft, Poe, Stephen King e Clive Barker. Se tivesse que escolher uns jogos: Amnesia, Resident Evil, The Evil Within, Silent Hill e Outlast.

 

 

Those Who Remain irá sair brevemente para PC, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch.

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