Resident Evil 3 – Análise

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A série Resident Evil continua a sua saga de remakes e o terceiro título é a mais recente entrada nessas novas produções. Depois do enorme sucesso de Resident Evil 2, a fasquia para Resident Evil 3 estava bem alta e isso poderia ter as suas consequências. Após ter terminado o jogo no modo “Standard” em apenas seis horas, cheguei à conclusão que não foi o suficiente para me satisfazer. Porém, em termos de jogo, não tenho nada a apontar de forma negativa.

Ao contrário de alguns outros títulos da série, Resident Evil 3 oferece uma experiência com maior foco em ação, colocando parcialmente de lado a vertente de terror. Aquele aspeto que nos costuma deixar sentados na ponta do sofá (ou em qualquer outra ponta…), sempre na expectativa de estarmos preparados para o próximo susto. Na verdade, acho que nunca estive preparado e foram cerca de meia dúzia as vezes que acabei por dar um salto do sofá. Seja o aparecimento de rompante do Nemesis através de algumas paredes, ou o habitual zombie enfiado dentro do cacifo, houve sempre aquele momento em que fui apanhado desprevenido. No geral, até foram muito menos do que esperava, mas é como já disse, esta é uma entrada com maior foco em ação do que propriamente em infligir medo no jogador. Para mim, isso não é de todo um problema, embora entenda quem possa ficar desiludido.

 

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Falando no Nemesis, este teve uma abordagem muito ao estilo do que vimos em Resident Evil 2, com o Mr. X. Este último teve uma presença mais assustadora no facto da constante perseguição, mas menos aterrador em combate. Já o Nemesis, esteve ausente na maioria do jogo, mas, quando em combate, acabou por ser mais desafiante. As suas várias formas implicaram novas maneiras de abordar o combate, e os confrontos em “formato boss” foram bastante interessantes na maioria dos casos. Infelizmente, fiquei com a sensação que o seu aparecimento foi quase todo ligado a determinados momentos da campanha, o que tirou o fator surpresa, tal como acontecia com o Mr. X. No geral, acabou por ser menos aterrador do que esperava, mas nem por isso acabou por ser uma desilusão.

 

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No que toca à narrativa, estamos na pele de Jill Valentine e o nosso objetivo é escaparmos de Raccoon City, uma cidade à beira de ser consumida pelo apocalipse zombie, mas não só. Durante a aventura, contamos com a companhia de Carlos, um agente de outra entidade, à qual Jill tem sentimentos menos positivos. Para além de Jill Valentine, também jogam com Carlos num determinado momento do jogo. Se Jill tem agora um movimento que nos permite esquivar mais facilmente dos zombies, Carlos não fica atrás e também tem um truque na manga, o qual permite imobilizar os mesmos. Quanto estes movimentos são executados no timing perfeito, o tempo abranda, permitindo que possamos executar os zombies mais facilmente, ou fugir se preferirmos.

 

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Para nos ajudar nesta aventura sempre intensa, temos um enorme arsenal à nossa disposição, incluindo diversas pistolas, facas, uma caçadeira, uma metralhadora, lança-granadas e lança-rockets. Uma vez o jogo terminado, desbloqueamos uma loja onde poderemos gastar alguns pontos ganhos por determinados feitos. Estes feitos estão associados ao progresso na campanha e à forma como matamos zombies.

Em termos de itens para comprar na loja, destaque para diversos tipos de armas, mais espaço na mochila ou vários tipos de ferramentas. Basicamente, ao comprar determinados utensílios, poderão começar o jogo logo com estes, como o alicate ou a ferramenta para abrir fechaduras, facilitando a aventura em vários aspetos. Infelizmente, isto acaba por ser o único incentivo real para voltar a repetir a campanha. Para já, o jogo não tem New Game Plus e não oferece mais qualquer modo de jogo singleplayer. Logicamente que o estúdio decidiu completar a experiência com a vertente multiplayer Resident Evil Resistence.

 

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Resident Evil Resistence consiste num modo de 4 vs 1, onde podemos jogar dos lados dos sobreviventes ou do Mastermind. No caso dos sobreviventes, precisam completar certos objetivos de forma a avançar para a próxima zona do mapa. Entre as várias zonas, é possível comprar itens de vida, munição ou armas, de forma a facilitar o sucesso da missão. Do outro lado, estamos na pele de alguém que tenta complicar ao máximo a vida dos sobreviventes, colocando diversos tipos de obstáculos aos mesmos. Para começar, escolhemos os tipos de zombies que aparecem em jogo podendo, inclusive, controlar alguns deles, incluindo o Mr. X. Podemos também colocar armadilhas, fechar portas, desligar luzes, entre muitas outras situações, as quais tornam esta posição bem mais divertida do que estar na pele dos sobreviventes.

Existe um sistema de progresso de níveis, onde vamos desbloqueando novas habilidades, mas, infelizmente, não é partilhado entre os vários personagens. Cada um dos sobreviventes tem habilidades exclusivas e isso tem influência na sua forma de jogar. No que toca aos mapas, achei bons em termos de detalhes visuais, mas, ao mesmo tempo, um pouco complicado de nos movimentarmos nele pois as áreas são maioritariamente estreitas. Infelizmente, penso que Resistence podia estar melhor. Existe pouca variedade nos objetivos e a própria jogabilidade acaba por não ser apelativa o suficiente, para nos manter agarrados durante algum tempo. O progresso estar associado a cada personagem, e não a nível geral, acaba também por deixar um sabor amargo de puro grind. Ainda assim, penso que com alguns futuros updates, este modo multiplayer possa desenvolver-se em algo mais interessante.

 

 

Visualmente, o RE Engine continua a fazer das suas e os cenários estão excelentes. Adorei as cores vivas nos placares publicitários das várias lojas, bem como todos os detalhes presentes dentro das mesmas. Os efeitos de luz não poderiam ter sido melhores e foram várias as vezes em que me senti quase às escuras em certos locais. Obviamente que isto ajuda na imersão da experiência e é isso mesmo que se quer num jogo como este, onde o perigo espreita a cada canto. No que toca ao áudio, existe um bom voice acting, embora tenha achado que o Nemesis tenha dito poucas vezes “Staaaaars”, aquele som que tanto me deixou petrificado quando joguei o título na Dreamcast. Em termos de banda sonora, não tenho nada a apontar, pelo que executa de forma exemplar o seu trabalho.

O remake de Resident Evil 3 não falha de todo em termos de qualidade. Apesar de uma campanha algo curta, mas não menos intensa, continuamos a receber remakes de alta qualidade por parte da Capcom. A pergunta que se coloca agora é apenas uma: Qual será o próximo Remake?

 

positivo RE Engine continua impressionante
positivo Ação sem parar
positivo O Nemesis continua fantástico (embora pudesse ter aparecido mais vezes)
positivo Loja com itens facilita um segundo playthrough em dificuldades superiores

errado Em termos de singleplayer, é só mesmo a curta campanha
errado RE Resistence tem ideias interessantes, mas precisa melhorar

 

Data de Lançamento: 3 de Abril de 2020
Produtora: Capcom
Editora: Capcom
Género: Ação, Survival Horror
Disponível para: Microsoft Windows, Playstation 4 e Xbox One

Foi disponibilizado um código para análise (Playstation 4) por parte da Ecoplay.

 

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares. @bakum4tsu

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