Deliver Us the Moon – Análise

DUTM

 

Cada vez mais, a narrativa e a forma como esta é executada, têm um papel de destaque nos videojogos. Uma boa história pode salvar um jogo que, de outra forma seria medíocre, e uma má história pode também condenar um jogo à mediania e ao rápido esquecimento colectivo. Na perspectiva de criar uma narrativa coerente e profunda, eis que a KeokeN Interactive nos entrega (sim, isto foi um trocadilho, peço desculpa) Deliver Us The Moon. Este é um jogo que tem esta semana o seu lançamento para PS4, XBox One e Nintendo Switch, mais de um ano depois do seu lançamento no PC.

Como foi referido anteriormente, a história tem um papel central neste jogo. Em Deliver Us The Moon (ou DUTM para poupar algum tempo), os recursos do planeta Terra estão praticamente esgotados, e os governos das maiores potências mundiais decidem unir esforços criando a World Space Agency. A resposta a esta crise energética surge na forma de Hélio-3, o qual existe em abundância na Lua. Posto isto, a WSA, decide colonizar o nosso satélite natural para poder minar e enviar para Terra este poderoso isótopo, e tudo parecia estar a entrar nos eixos. Mas, se a história acabasse aqui não haveria grande interesse, não acham? Pois bem, depois de tudo parecer estar a encaminhar-se para a normalidade, eis que acontece uma súbita quebra de comunicações por parte da colónia lunar, e a Terra deixa assim de receber a energia que dela provinha. Nessa altura é necessário ir à Lua ver o que se passa, sendo que o jogador encarna o astronauta responsável por fazer essa viagem interplanetária. 

 

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De facto, a narrativa é uma das vertentes mais bem conseguidas de DUTM. A trama consegue manter-se interessante do início ao fim, com várias revelações e reviravoltas que nos conseguem apanhar desprevenidos. Para dar corpo a essa narrativa, o jogo utiliza várias formas como gravações que o jogador vai encontrando no cenário, vídeos gravados no passado ou até mesmo mensagens trocadas entre os vários personagens no jogo.

Para além disto, também são visíveis vários pequenos pormenores espalhados nos cenários do jogo, como por exemplo, cartazes que publicitam certos marcos da exploração lunar ou desenhos deixados no cenário pelos inquilinos que habitavam previamente os cenários em que o jogo se passa. Isto leva-me a uma das coisas que mais gostei em DUTM, ou seja, a capacidade de entregar a narrativa ao jogador de forma subtil e com poucas palavras. Da mesma maneira que jogos como Dark Souls, que consegue entregar um mundo cheio de substância e de pormenores, com recurso a descrições de itens e a certos pormenores presentes no cenário, DUTM faz algo parecido para veicular a sua trama ao jogador, embora numa escala mais pequena.

 

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No que à jogabilidade diz respeito, este é um jogo variado, que intercala fases de exploração dos diferentes cenários em que somos colocados, com a resolução de puzzles, intercalando também a perspectiva na terceira pessoa com o controlo do nosso personagem na primeira pessoa. Para além disso, é ainda necessário controlar um companheiro que nos acompanha nesta odisseia a partir de cerca de metade do jogo. Os controlos são simples e de fácil habituação, sendo que o movimento do personagem ocorre de forma fluída e sem grandes dores de cabeça. Algo que pode originar algumas dores de cabeça no jogador são alguns dos puzzles que, na sua maioria, são lógicos sendo apenas necessário algum pensamento analítico na sua resolução.

No entanto, alguns desses puzzles podem ter soluções que não são especialmente intuitivas e lógicas. Neste capítulo, pude verificar alguns bugs que me obrigaram a fazer o recarregamento do meu save anterior. Por falar em save, um dos pontos que mais me fez perder a imersão no jogo, foi o facto de este guardar o nosso progresso em certos checkpoints, e quando isso acontecia, o jogo parava na sua totalidade durante uns segundos e fazia com que a imersão fosse quebrada. Isto poderia e deveria ser revisto pela equipa de desenvolvimento em futuros updates. Ainda neste capítulo, deve ser dito (ou neste caso escrito) que alguns dos tempos de carregamento são demasiado longos, o que é mais notório na parte final do jogo em que por força da maior dificuldade de algumas secções, nos obriga a recarregar o nosso progresso várias vezes.

 

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No departamento visual, estamos na presença de um jogo altamente competente, em que os cenários mostram bastante atenção ao detalhe, o que ajuda à credibilidade do mundo que foi construído e que contribui para uma maior sensação de imersão. É ainda relevante destacar uma determinada parte do jogo em que somos incumbidos de sair das quatro paredes a que estávamos confinados para pisar o solo lunar. Esta fase está muito bem conseguida do ponto de vista visual e gráfico, sendo um daqueles momentos para pousar o comando e ficar a olhar para o ecrã para melhor poder apreciar a beleza do que nos é mostrado.

A vertente sonora de DUTM é outro dos seus pontos positivos. A banda sonora é subtil e atmosférica, sendo uma companheira agradável nesta nossa jornada, que nos ajuda a entrar no seu ambiente e nos coloca no humor necessário para apreciar cada momento do jogo. A banda sonora torna-se mais contemplativa em momentos de exploração, subindo de intensidade em momentos de maior tensão. Os efeitos sonoros são minimalistas e encaixam-se na perfeição no tipo de experiência criada.

 

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Deve ser ainda mencionado o trabalho dos actores que emprestam a sua voz aos personagens. As dobragens dos personagens neste jogo são de uma qualidade bastante assinalável, conseguindo transmitir ao jogador as diferentes emoções pelas quais os personagens vão passando durante a narrativa, sendo este outro fator a contribuir para o investimento do jogador na história que DUTM tenta contar. Quando ouvimos um clipe de voz em que dois personagens estão em diálogo, conseguimos sentir uma ligação às emoções que lhes invadem a alma, e isso é louvável no que toca à imersão em particular, e à qualidade do jogo em geral diz respeito.

Este é uma experiência imersiva e que é eficaz em ditar o tom e atmosfera em cada momento da sua duração. No entanto, essa imersão é quebrada por alguns problemas como o sistema de checkpoints que faz o jogo parar completamente durante alguns segundos, e alguns tempos de loading demasiado grandes, especialmente nas partes finais do jogo, muito por culpa de algumas secções mais difíceis do jogo que forçam a um restart do último checkpoint.

 

 

Em suma, se estiverem à procura de uma experiência mais curta e imersiva, e gostarem de uma história que se desenrola de forma subtil, este é o jogo para vocês. A maneira como DUTM consegue ser imersivo e criar o ambiente perfeito para cada momento, é deveras notável. Isso é conseguido através de uma narrativa tremendamente competente (quer na sua forma, quer na sua execução), e a uma vertente sonora muito bem pensada e cuidada, criando um produto final de grande qualidade, e que não deixará o jogador indiferente. Por aquilo que aqui foi escrito, a equipa da KeokeN Interactive está de parabéns pela experiência entregue em Deliver Us The Moon (juro que este foi o último trocadilho).

 

positivo História interessante e bem executada
positivo Narrativa com recurso a pistas ambientais
positivo Parte sonora de grande qualidade

errado Bugs que quebram a imersão
errado Tempos de carregamento longos
errado Sistema de gravação do progresso quebra a imersão por vezes

 

Data de Lançamento: 24 de Abril de 2020 (Versão das consolas)
Produtora: KeokeN Interactive
Editora: Wired Productions
Género: Ação, Aventura
Disponível para: PC, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch

Foi disponibilizada uma cópia para análise (Playstation 4) por parte da Little Big PR.

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