Gears Tactics – Análise

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A saga Gears of War teve início em 2006 e conta já com inúmeros títulos. Passados catorze anos, a série é transformada pela primeira vez num jogo que não um shooter na terceira pessoa. Gears Tactics abre uma nova porta no franchise e arrisca num estilo de jogo mais estratégico. Será que a adrenalina e intensidade habitual de Gears se perdem um pouco com esta mudança? Sim, talvez. Mas também é verdade que toda a chacina continua bem presente, tais como as famosas execuções com as diversas armas e, inclusive, o serrar Locusts! Sim, isso continua em toda a sua glória e sabe tão bem como sempre!

A narrativa de Gears Tactics tem lugar doze anos antes dos eventos do primeiro Gears of War e foca-se em Gabriel Diaz (sim, pai de Kate Diaz), um Tenente Coronel consagrado nas Pendulum Wars. Após recusar certos serviços, este foi relegado para Sargento e posto a trabalhar em algo de “menor reputação”. Isto até ao dia em que é chamado ao serviço para eliminar uma nova ameaçada chamada Ukkon, um terrível inimigo que está a criar uma raça de Locusts. A ele junta-se Sid Redburn, um Veterano habituado às mais altas missões secretas da COG e com uma personalidade peculiar. A partir daqui, segue-se uma aventura com algumas revelações interessantes, bem como algumas reviravoltas (talvez) inesperadas na narrativa. De um modo geral, gostei da forma como a história foi contada, embora pudessem ter ido um pouco mais além no background destes personagens.

 

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O core de Gears Tactics

Como disse, Gears Tactics tem uma abordagem muito diferente do habitual e estamos agora perante um jogo de estratégia por turnos. Controlamos um conjunto de personagens e existem cinco tipos de classes (Vanguard, Sniper, Support, Scout e Heavy), cada uma delas com diferentes habilidades. Dentro de cada uma destas classes, existe uma árvore de habilidades com quatro especializações possíveis. A título de exemplo, a classe Support, de Gabriel Diaz, oferece a possibilidade de se focarem em Surgeon, Paragon, Combat Medic ou Strategist. O jogo permite escolher um pouco de cada uma delas, mas se quiserem especializar o personagem em algo concreto, então é aconselhável seguir um único caminho. Felizmente, o jogo permite fazer reset às habilidades, mas só quando ganham um determinado item, o qual é obtido facilmente ao longo da campanha.

É também com o progresso da campanha que vamos tendo a oportunidade de recrutar novos soldados e escolher especializá-los da melhor forma que entendermos. Como já tinha dito, cada classe tem quatro especializações e podem aplicar cada uma delas em quatro soldados diferentes, tendo assim sempre todas as opções disponíveis. É óbvio que alguns depois começam a ter um nível mais baixo do que o aconselhado e aí, podem simplesmente descartá-los e recrutar uns melhores. A cada novas missões terminadas, o jogo disponibiliza sempre novos soldados, por isso opções não faltam.

 

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Excelente Personalização

Como não podia deixar de ser, num jogo deste tipo, existe uma quantidade enorme de upgrades às armas e armaduras. O loot é imenso e pode ser obtido com o progresso na campanha, bem como em caixas espalhadas pelos mapas. Cada missão tem um objetivo opcional, o qual também dá como prémio uma caixa de loot, caso consigam completá-lo. Todavia, não são só as armas e armaduras que podem ser alvos de personalização.

O jogo oferece uma personalização incrível no que diz respeito ao visual dos personagens, desde as cores e padrões das roupas, peças de vestuário para a cabeça, cicatrizes e tatuagens, cor e formato de penteados, pelos faciais, e muito outras opções. Isto permite criar soldados bastante únicos, mas esta maior alteração visual só se encontra disponível maioritariamente para os personagens não principais. Seja como for, vocês vão querer equipar os vossos soldados com capacetes de forma a ter mais vida ou proteção, e isso irá acabar por esconder todas as alterações que façam ao nível da cabeça. Ainda assim, a oferta está lá para quem esteja interessado e isso é muito bem-vindo. Eu próprio acabei por colocar um capacete nos meus heróis, e como acabei por deixar de os reconhecer no terreno, a solução foi alterar a cor dos seus fatos e armas, o que lhes deu um toque bastante especial até.

 

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Livre Movimentação no Terreno

Um dos aspetos que difere Gears Tactics dentro de outros jogos do género, é o facto de a movimentação dos personagens não ser feita através de uma grelha. O jogo tem as habituais três jogadas possíveis, mas oferece uma maior liberdade no que toca à movimentação no terreno.

Para contrabalançar esta liberdade, o jogo coloca em campo muitos mais inimigos do que o habitual no género. E quando digo muitos mais, em muitas situações, são claramente muitos mais. Cheguei a ter tickers e wrenches aos cinco e seis praticamente à minha frente e não pensem que são alvos fáceis de abater. Na verdade, podem ser bastante perigosos até porque, em muitos casos, acabam por nos obstruir os movimentos. Acima de tudo, gostei desta mudança que permite uma maior liberdade e que nos dá muito mais opções no terreno.

 

O vosso arsenal favorito está de volta, bem como as famosas execuções!

No que toca às armas disponíveis, não é nada de novo para quem já jogou vários jogos da saga. Temos a famosa metralhadora com serra, a caçadeira, o boom shot, o torque bow, e muitas mais. Algo que gostei bastante nesta parte foi o facto de, ao derrotarmos o Boomer ou o Theron Guard, podemos utilizar as suas armas. Isto dá uma enorme vantagem em combate pois este arsenal (boomshot e torque bow) é extremamente potente e mortífero, podendo limpar facilmente três ou quatro inimigos ao mesmo tempo. Ao contrário do que se possa parecer, este é um jogo que também nos incentiva a ser agressivos no terreno. Isto deve-se ao facto que ao executarmos inimigos, em muitos casos, podemos ganhar uma jogada extra para os nossos soldados. Posto isto, se virem alguém “down but not out”, não hesitem em ir lá e fazer uma daquelas famosas execuções do mundo de Gears. Estas são tal e qual já conhecemos nos outros jogos e continuam a dar um gozo tremendo ao ver serem executadas.

 

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Diversos tipos de missões

Relativamente ao tipo de missões, existe alguma variedade e pode ir desde eliminar todos os inimigos, salvar companheiros, recolher loot ou ainda, defender determinados pontos no mapa. Durante as primeiras horas de jogo, são missões e objetivos que se fazem bem, mas confesso que passado algum tempo, comecei a sentir alguma fadiga. Não é que fosse um grande problema, mas está associado diretamente a outro ponto que não me deixou muito agradado. Em determinados momentos da campanha, o jogo obriga-nos a jogar missões secundárias e só quando terminamos um determinado número exigido, que pode variar entre dois a três, é que desbloqueamos a próxima missão principal.

Inicialmente, o progresso foi feito de forma rápida e a narrativa também estava nunca fase muito precoce. O problema foi quando tudo começou a ficar mais intenso com o desenrolar da história. Estava bastante interessado em saber o que ia acontecer de seguida, mas esta imposição das missões secundárias, acabou por abrandar bastante a intensidade da campanha. Comparativamente a Gears 5, onde existem partes de mundo aberto e onde é possível alguma exploração, achei que Gears Tactics não consegue executar tão bem o conteúdo fora da narrativa. Obviamente que o tipo de jogo é diferente e isso também não ajuda, mas não posso deixar de mostrar a minha insatisfação com a quebra do ritmo da narrativa. Tudo se torna pior quando muitas destas missões secundárias começam a ser algo repetitivas com o tempo. O ponto positivo destas é que ajudam a obter mais e melhor equipamento, bem como evoluir o nível dos Gears.

Um último pormenor ainda relativamente às missões, algumas oferecem alguns handicaps. Podem ir desde limitar a utilização de alguns soldados específicos ou um determinado número (impedindo de levar o máximo de quatro), como a redução da quantidade da munição na arma, ou não podermos usar granadas, entre muitas outras possibilidades. Isto acrescenta um desafio extra na dificuldade e torna as coisas mais interessantes em combate.

 

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Os bosses continuam intensos como sempre

Os confrontos com bosses são algo normal em Gears of War e isso não podia passar ao lado neste novo jogo. Sem querer revelar muito, existem alguns momentos destes e estão muito bem executados. Preparem-se para batalhas duradouras e exigentes mentalmente. Para dificultar ainda mais o desafio, vão aparecendo Locusts durante o confronto, tornando as coisas muito mais caóticas.

Estas missões conseguem ser muito intensas e requerem uma estratégia bem calculista. Cada boss tem diversos tipos de ataques e fraquezas, e o jogo faz questão de levantar o véu sobre alguns desses aspetos. Não quero com isso dizer que tornam tudo mais fácil, pois apenas dão uma pequena ideia de como nos devemos comportar no terreno. Diria até que existe uma grande disparidade de dificuldade entre as missões normais e estas missões dos bosses.

A dada altura, sentia-me rodeado de inimigos e mal conseguia tentar fazer dano no boss, pois também tinha de ter cuidado com tanto inimigo ao meu redor. Durante o primeiro boss, as coisas ainda correram aceitavelmente bem pois a zona de combate era grande o suficiente. O mesmo já não posso dizer no confronto seguinte, onde o espaço era bem inferior e a quantidade de inimigos bem superior. Seja como for, o prazer de defrontar e derrotar tais bosses é enorme. No que toca ainda aos inimigos, existem algumas novidades e variantes de alguns nomes mais conhecidos, como por exemplo o Kantus.

 

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Conteúdo extra após o final da campanha

Gears Tactics é um jogo totalmente singleplayer e isso é uma novidade no franchise. Porém, quando chegam ao fim da campanha, o jogo continua a oferecer o famoso “end game content”. Uma vez terminado o percurso principal, continuam a aparecer novas missões dentro de um conceito chamado Modo Veterano. O objetivo destas é continuar a melhorar os soldados e obter novos equipamentos, principalmente peças Lendárias.

Na verdade, existe uma conquista que pede para aplicarmos mods lendários a todas as peças da arma principal dos diversos heróis. (Preparem-se para o grind!) Isto acaba por ser uma excelente opção para quem quer continuar a jogar, sem ter que recomeçar a campanha. Poderá até preparar-nos para um eventual futuro DLC onde o nível exigido seja bem superior.

 

Visuais e Áudio – A qualidade habitual de Gears

Falemos então dos visuais. Em termos de cutscenes, o jogo oferece o mesmo tipo de qualidade a que já estamos habituados na série. Estamos perante uma produção de elevado nível e que não irá desiludir os fãs da saga. No que toca aos cenários, é um pouco aquilo que sempre vimos em Gears of War. Temos mapas em locais mais citadinos, mas depois também alguns em zonas mais desertas. Os níveis são bastante detalhados e algumas decorações podem ser destruídas com explosões ou determinadas movimentações dos Gears e Locusts.

Em termos de áudio, se já jogaram Gears of War anteriormente, então sabem bem que tipo de som as armas fazem, grunhidos que os Locusts emitem, o som do torque bow a ser disparado, ou até mesmo os famosos gritos do carismático Cole. No campo do voice acting, nada a apontar, pois, continua excelente como sempre.

 

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Quando a arma encrava…

Infelizmente, este não é um jogo isento de problemas. Na verdade, já tinha mencionado o facto de sermos obrigados a jogar missões secundárias, acabando por resultar numa enorme quebra de ritmo da narrativa. Outro dos problemas com que me deparei várias vezes, foram determinadas animações serem obstruídas por paredes no mapa. Isto porque estas animações usam uma câmara mais próxima do personagem, resultando muitas vezes em contacto direto com uma parede à sua frente. Nestes casos, a câmara de jogo não foi de todo ajustada para que as animações pudessem ser feitas em qualquer sítio. Espero sinceramente que isto possa ser corrigido em futuros updates.

Relativamente a bugs, nada de especial a salientar pois o jogo correu quase sempre de forma impecável. Houve só uma situação em que não me deixava disparar com um soldado, apesar de ter munição e inimigos a uma distância que me permitia fazê-lo. Isto aconteceu durante várias rondas, mas assim que o jogo salvou automaticamente, tudo voltou ao normal. A pior parte disto foi mesmo o facto de ter acontecido durante a batalha contra um boss…

 

 

Aposta ganha

De um ponto de vista geral, Gears Tactics acaba por oferecer a experiência que queria nesta nova e arriscada entrada na série. Em termos de narrativa, acaba por completar um pouco mais o mundo de Gears, e ficamos a saber novidades relacionados com outros personagens já conhecidos da série. Confesso que gostava de ter visto um pouco mais sobre a história do personagem principal, mas quem sabe em futuros DLC’s ou sequelas.

Ao contrário do habitual no franchise, o jogo não oferece qualquer tipo de experiência multiplayer, sendo totalmente focado em singleplayer. No entanto, acho que gostaria de ver, pelo menos, uma possibilidade de experiência cooperativa, quem sabe com o modo Horda? Fica a sugestão. Apesar dos pequenos problemas que mencionei, caso sejam fãs de jogos de estratégia por turno, como XCOM por exemplo, então este é um título que aconselho vivamente. Caso sejam fãs de Gears of War, mas não deste tipo de jogo, a minha opinião mantem-se pois certamente que se irão sentir em casa.

 

positivo Narrativa dá a conhecer novos personagens e revelações no mundo de Gears
positivo As execuções continuam gloriosas como sempre
positivo Não tem qualquer tipo de micro transações
positivo Elementos RPG bem implementados
positivo Cinco tipos de classes, com quatro especialidades dentro de cada uma delas
positivo Elevado nível de personalização

errado Alguns problemas de câmara em determinadas animações
errado Obrigatoriedade das missões secundárias quebram o ritmo da narrativa

Data de Lançamento: 28 de Abril de 2020
Produtora: The Coalition Studio, Splash Damage
Editora: Xbox Game Studios
Género: Estratégia
Disponível para: PC (Brevemente na Xbox One)

Foi disponibilizada uma cópia para análise por parte da Microsoft Portugal.

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares. @bakum4tsu

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