Those Who Remain – Análise

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Those Who Remain é o mais recente trabalho do estúdio português Camel 101, o qual passou os últimos anos a desenvolver um projeto que irá fazer suar muita boa gente. O jogo conta a história de Edward, um homem que tinha uma vida perfeita, mas a qual se desmoronou resultante de trágicos eventos. Após decidir colocar um ponto final na sua relação extraconjugal, conduz até Dormont para se encontrar com a sua amante. Ao chegar ao local, depara-se com uma situação muito estranha e onde toda a pequena cidade parece estar deserta e envolvida numa quase total escuridão. Rapidamente somos absorvidos para o caso de um assassinato de uma criança e a dali em diante, nada mais foi normal. É a partir deste momento que Edward irá ser alvo de um teste à sua moralidade, onde o jogador será obrigado a fazer determinadas escolhas durante o jogo, resultando na possibilidade de vários finais diferentes.

 

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Qual será a ementa?

 

Não aconselhável a cardíacos

Those Who Remain é um jogo muito focado na exploração dos cenários e interação com os mesmos. Existem diversos puzzles que, em muitos casos, requerem alguma atenção e raciocínio por parte do jogador, principalmente na reta final. Felizmente, nunca chegam a ser extremamente difíceis, pois já basta todo o ambiente pesado e tenso, sempre pronto para prejudicar o raciocínio.

O jogo transporta-nos para alguns locais bem estranhos e um deles é o mundo invertido. Basicamente, através de certas portas no cenário, somos transportados para o local onde estamos naquele momento, mas numa realidade completamente distorcida. Para quem já viu Stranger Things, certamente que irá perceber aquilo que estou a falar. Para minha surpresa, aquando da minha presença no mundo invertido, senti uma calma interior muito superior ao mundo real, mas onde, ao mesmo tempo, parecia estar a sufocar com toda a intensidade visual que me estava a ser apresentada.

 

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Nunca jogaram ao corredor de morte?

 

Como já tinha dito, o jogo contém diversos puzzles e muitos deles são resolvidos ao viajarmos entre ambas as dimensões. A título de exemplo, tive que ligar as luzes de um carro de forma afastar uns inimigos do local. Para tal, tive que fazer várias ações na zona, onde muitas delas eram executadas no mundo invertido e tinham efeito apenas no mundo real. Isto acaba por acontecer em diversas ocasiões ao longo da aventura. Para além de puzzles, muitas ações só são ativadas após lermos determinados documentos, os quais podem estar pousados nos mais variados locais. Preparem-se para abrir e fechar muitas portas e gavetas ao longo desta jornada.

Para além destas interações que mencionei, o jogo também contém algumas partes de plataformas, mas não se preocupem. Os únicos saltos que irão dar no jogo estão relacionados com sustos. O sistema de plataformas está bem feito e ligado diretamente com a resolução de puzzles. Algumas destas zonas de plataformas estão aplicadas de forma muito peculiar. De x em x segundos, o jogo alterna automaticamente entre o mundo real e o invertido, e é neste último que as plataformas se encontram. Como não podemos saltar, temos que atravessar o espaço correto enquanto estamos no mundo real, para que quando o jogo alterne para o mundo invertido, possamos estar então na plataforma correta. Pode parecer complicado, mas das várias vezes em que isto aconteceu, foi somente a última que achei bem exigente, mesmo depois de ter decifrado a distância que me tinha de deslocar.

 

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Não, não são óculos de visão noturna.

 

Visões e sonoridades que me deixaram incomodado

Those Who Remain tem um visual que impõe respeito a cada nova área. Não estou a falar de ser graficamente impressionante, mas sim pelo facto que muitos dos cenários transmitirem uma sensação de claustrofobia, e respetiva ansiedade, em descobrir o que está do outro lado da porta, ou ao virar da esquina. Certas zonas eram povoadas por um nevoeiro constrangedor, onde só se veem os olhos brilhantes de quem vive na escuridão e está “mortinho” para nos chacinar. Toda a decoração e design dos níveis merecem elogios, mas a vertente sonora não fica nada atrás.

O acompanhamento sonoro marcou-me essencialmente em dois aspetos. O puro silêncio ensurdecedor que até me possibilitava ouvir o meu “engolir em seco” a cada novo compartimento em que entrava, ou os sons arrepiantes que, literalmente, me deixaram várias vezes com “pele de galinha”. Algo que tão cedo não irei esquecer certamente. Em termos de banda sonora, temos o que seria de esperar num produto deste tipo, com uma sonoridade sempre a criar suspense quando assim exigido, e notas mais intensas em momentos de maior ação. Um excelente trabalho neste campo.

 

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É melhor começarem a correr.

 

Como se o terror não bastasse…

No geral, o jogo da Camel 101 correu sem problemas ou bugs, tirando uma situação em que o interruptor de luz não funcionava. Já tinha passado naquela zona por duas vezes e o mesmo sempre funcionou. Vi claramente que algo se passava, pois, os inimigos desapareciam do compartimento assim que interagia com o interruptor, apesar do compartimento continuar escuro. Ao reiniciar a zona pela quarta vez (já tinha morrido duas anteriormente), tudo voltou a funcionar perfeitamente. Terá este sido mais um evento estranho em Dormont? Quem sabe…

 

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Escusam de rezar, porque nem isso vos irá salvar.

 

Em termos de mecânicas de jogo, não gostei do formato dos checkpoints. Deu-me a entender que o jogo só gravava após a resolução de determinados puzzles, o que me levou a repetir algumas zonas por várias vezes. Mesmo que tivesse executado algumas ações necessárias, o jogo obrigou-me a repetir as mesmas sempre que morria ou reiniciava. A título de exemplo, houve um momento onde tive sempre de ir buscar um alicate, cortar as grandes de uma corrente, abrir a porta, explorar uma casa para obter uma chave e só depois interagir com a ação seguinte. Tive que fazer isto três a quatro vezes, porque acabei por morrer por distração na escuridão. A não ser que exista uma boa razão por trás desta decisão, acho que o jogador ficava a ganhar se o jogo salvasse mais frequentemente.

Por último, quero destacar o reduzido espaço de interação com os objetos. É muito pequena a zona com a qual podemos interagir para abrir portas de armários, gavetas de cómodas, entre muitas outras coisas. Penso que a área de interação podia ser um pouco mais ampla.

 

 

Luz ou Escuridão? É vossa a decisão.

Those Who Remains é um jogo com diversas influências tais como Twin Peaks, The Fog, o escritor Stephen King, entre outros nomes certamente. É um thriller de aventura com foco na narrativa, mergulhado num ambiente de terror psicológico e que pode facilmente perturbar os mais sensíveis. Porém, se são fãs deste tipo de jogos, não hesitem em dar uma oportunidade a este jogo de sangue nacional. Com uma duração a rondar entre seis a sete horas de jogo, e três finais possíveis, Those Who Remain afirma-se como uma boa aposta para todos os amantes do género.

 

positivo Ambiente
positivo Visualmente convincente
positivo Teste moral ao jogador
positivo Vários finais possíveis
positivo Acompanhamento sonoro

errado Sistema de checkpoints
errado Área de interação com objetos demasiado pequena

Data de Lançamento: 28 de Maio de 2020
Produtora: Camel 101
Editora: Wired Productions
Género: Aventura, Terror, Puzzles
Disponível para: Playstation 4, Xbox One, Windows, Nintendo Switch (brevemente)

Foi disponibilizada uma cópia (PC) para análise por parte da Wired Productions.

 

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares.

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