Journey to the Savage Planet – Análise

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O começo da jornada

Acordas no habitáculo de uma nave espacial que acaba de aterrar num planeta nunca antes visitado pela espécie humana. Imediatamente, um vídeo começa a reproduzir nos vários ecrãs espalhados por todo o lado, a explicar a tua situação. És um funcionário da Kindred Aerospace, a quarta melhor empresa de exploração interestelar da Terra. Acabaste de aterrar no planeta AR-Y 26 a bordo da Javelin e devido a cortes orçamentais, o teu equipamento de exploração está reduzido a uma impressora 3D com a qual poderás construir qualquer equipamento necessário à tua exploração e sobrevivência. Com sorte, quem sabe, poderás descobrir uma forma de combustível capaz de te levar de volta até à Terra, já que o depósito da nave só veio preparado para uma viagem de ida. Após esta mensagem, começa então a nossa jornada.

 

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O que será que vou ver hoje na Netflix?

 

Journey to the Savage Planet trata-se de um jogo de aventura e exploração com elementos inspirados em títulos tais como Subnautica, Far Cry e Metroid Prime, mas repleto de humor negro. Somos apresentados a um pequeno planeta à espera de ser explorado e catalogado por nós, com a ajuda de um scanner e da nossa (menos que) fiel companheira, E.K.O., uma Inteligência Artificial cuja utilidade só pode ser equiparada ao seu sarcasmo – muito semelhante à notória GlaDOS da série Portal. Pelo caminho, vamos juntando materiais para construir novos armamentos e melhorar os existentes, possibilitando desta forma a exploração de novas áreas e obtenção de novos materiais. Apesar de não inovar em nada dentro do género, acaba por estar razoavelmente bem conseguido neste título.

 

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Estás com um aspeto estranho.

 

Exploração eficiente, controlos nem tanto

Começamos com uma limitada série de movimentos e à medida que progredimos, vamos desbloqueando movimentos verticais, laterais, saltos múltiplos, etc. No entanto, algumas combinações de botões a premir deixam um pouco a desejar. A falta de motion controls ou de ajustes de sensibilidade mais detalhados, tornam alguns confrontos desnecessariamente difíceis (ou pelo menos frustrantes).

Sempre que morremos, somos clonados de volta na nossa nave. Caso queiramos recuperar os recursos que tínhamos na altura, basta regressar ao local onde se encontra o nosso cadáver, muito semelhante ao sistema de Dark Souls.

Munidos do scanner e de vários locais de teleporte, a exploração é suave e no nível certo entre eficiente e exigente. Existem marcadores a apontar os vários objetivos, mas apenas um de cada vez. Os upgrades no visor aumentam o seu alcance e até permitem mostrar onde se encontram certos recursos raros, ideal para todos os jogadores que gostam de explorar ao máximo. Por outro lado, a inexistência de um mapa propriamente dito, apesar de possuirmos o scanner e os marcadores, é algo que, para alguns, pode dificultar o progresso de uma forma – novamente – desnecessária.

 

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A pesquisa continua.

 

O mundo é de dimensões decentes e de livre exploração, apesar de certos obstáculos nos barrarem o caminho a determinadas áreas, mas só até obtermos um certo upgrade. O progresso é constante e a história e comentários da companheira IA às nossas descobertas, são apelativas, o que ajuda no desenrolar do jogo, embora se torne repetitivo em algumas partes, mesmo com os ligeiros puzzles com que nos deparamos. Ainda assim, em Journey to the Savage Planet, somos paralelamente expostos a hilariantes momentos de comédia enquanto prosseguimos com a nossa exploração, o que acaba por compensar um pouco alguma jogabilidade repetitiva.

De facto, o humor é rei em Journey to the Savage Planet e está presente nos mais ínfimos detalhes. Já para não falar dos vários easter eggs escondidos por todo o lado, desde postais dos locais que visitamos, até às entradas que colecionamos na enciclopédia, passando pelos anúncios genialmente ridículos que passam constantemente pela nossa nave e bem reminiscentes de Starship Troopers.

O jogo permite jogar em modo cooperativo, mas não existe a opção de nos juntarmos a alguém aleatoriamente, apenas o podendo fazer – online ou localmente – com alguém da nossa lista de amigos e que também tenha adquirido o jogo. Acaba por ser uma situação semelhante à do recente Minecraft Dungeons.

 

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Olá, eu sou o Maroon.

 

Um mundo vibrante

Os gráficos são razoáveis para a Nintendo Switch e a natureza alienígena que nos rodeia, é bastante imaginativa e hipersaturada, o que proporciona uma experiência agradável à exploração. A paisagem é deslumbrante com a sua estranha fauna e flora, ilhas voadoras, ruínas de uma civilização avançada, relíquias ancestrais, entre outros.  As criaturas com que nos deparamos, têm tanto de criativo como de cómico. Porém, não posso deixar de referir, algumas imperfeições em relação à água, a qual deixa um pouco a desejar, quer na textura, quer na qualidade dos modelos utilizados, chegando até a ser visível a linha de junção entre um modelo e outro.

Outra situação que reparei, foi o nível de detalhe em objetos distantes. Este não é muito e por vezes nem conseguimos detetar a existência de um elemento importante simplesmente porque estamos longe demais – apesar de pouco – e ele não foi “renderizado”.

 

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Está um excelente dia para explorar.

 

Os vídeos que recebemos constantemente na nave são um deleite, quer pelo seu humor, quer pela atenção ao detalhe que possuem, e servem bem para a função de nos imergir na aventura.

A trilha sonora cumpre o seu propósito apesar de quase inexistente durante grande parte da exploração, o que contribui para nos concentrarmos mais nos sons da natureza à nossa volta. Normalmente, só surge em momentos de tensão, seja por termos feito um avanço na nossa exploração ou por estarmos a lutar contra um monstro perigoso.

O som das criaturas também complementa bem a exploração e o ambiente e, como não podia deixar de ser, estão repletos de comédia. Como quando uma espécie de pequeno réptil de quatro cabeças desata a fugir aos berros assim que nos vê, por receio que o possamos matar, ou dos sons de flatulência das pequenas criaturas que atraímos usando a nossa pasta meta morfológica, sem sequer imaginarem os horrores a que lhes vamos submeter posteriormente, agora que os temos exatamente aonde queríamos…

 

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É bom recordar.

 

Uma exploração selvagem

Em Journey to the Savage Planet começamos maravilhados com o mundo em redor, ao ponto de sentir remorsos em matar as primeiras criaturas inofensivas que encontrámos para ter de adquirir recursos. Porém, vamo-nos dessensibilizando, até que ao fim de algumas horas já só resta o prazer catártico de olhar nos grandes olhos inocentes de uma pequena bola de escamas, antes de a projetarmos contra uma parede com um pontapé bem dado!

Porquê? Ora, talvez devido ao formato um pouco repetitivo; talvez devido à frustração por todas aquelas vezes em que morremos e somos clonados de volta na nave (e lá aturamos as tiradas petulantes da nossa I.A.); ou, simplesmente, porque o jogo faz um excelente trabalho em trazer ao de cima a nossa própria veia sadista e nós acabamos por apreciar os guinchos de sofrimento das criaturas, instantes antes destas explodirem em gosma verde!

Eventualmente, acabamos por nos aperceber que o mais selvagem neste planeta talvez não sejam os seus habitantes… talvez sejamos mesmo nós! Uma noção que não dura muito, pois cedo somos derretidos por ácido projetado por lulas voadoras; desfeitos em lava ardente; bicados até à morte pelas mesmas criaturas de aspeto inocente que até então nos tínhamos fartado de matar ou fazer explodir por pura diversão; ou até esmagados por tomates gigantes… As possibilidades são imensas…

 

 

Para fãs do género

Journey to the Savage Planet faz muita coisa bem feita; outras, nem tanto. Se por um lado temos um mundo visualmente interessante para explorar e diversas mecânicas por desbloquear, por outro, a jogabilidade acaba por se tornar algo monótona entre o desbloquear dessas mesmas mecânicas e novas áreas. No entanto, é impossível negar que um dos seus pontos fortes é a comédia negra e satírica, com a qual somos constantemente bombardeados, e que acaba por marcar a diferença perante outros títulos do género. Acima de tudo, não se deixem enganar pelos seus ambientes e criaturas aparentemente fofinhas e fantasiadas!

 

positivo Humor negro delicioso
positivo Ambiente colorido e diverso
positivo Puzzles interessantes
positivo Legendas em Português disponíveis

errado Controlos inconvenientes
errado Falta de mapa
errado Multijogador limitado
errado Experiência por vezes repetitiva

Data de Lançamento: 28 Janeiro 2020 (21 Maio 2020 para NSW)
Produtora: Typhoon Studios
Editora: 505 Games
Género: Aventura, Metroidvania
Disponível para: Playstation 4, Xbox One, Windows, Nintendo Switch

Foi disponibilizada uma cópia (Switch) para análise por parte da 505 Games.

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