The Last of Us Part 2 – Análise

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Antes de começar, quero apenas dizer que a análise não contém qualquer tipo de spoilers.

 

Esta foi uma geração onde os exclusivos da Sony ficaram claramente marcados pelo enorme foco na narrativa. The Last of Us Part 2 não defrauda essa linhagem e acaba por resultar no melhor trabalho até hoje por parte do estúdio norte-americano Naughty Dog.

A narrativa do The Last of Us Part 2 (TLOU 2 a partir de agora) continua após os eventos do primeiro jogo, mas desta vez jogamos na pele de Ellie. Fazemos agora parte de uma comunidade, um local onde as pessoas tentam regressar à normalidade, dentro daquilo que é possível. Jackson – o nome da cidade – oferece o conforto necessário dentro de quatro paredes, mas as tarefas diárias de caça e procura por suprimentos também continuam em toda a sua obrigatoriedade. São esses momentos que nos fazem lembrar o quão perigoso é sair da zona de conforto. Após determinados eventos, as coisas sofrem uma reviravolta e todo o ambiente harmonioso que existia, acaba por ser completamente virado do avesso. Entramos agora numa espiral de vingança e procura pela justiça.

 

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Ellie tem agora mais pessoas que se preocupam com ela.

 

Os personagens

Este é, sem dúvida, o ponto forte deste jogo. O chamado prato principal de uma refeição. Foi o aspeto que mais me surpreendeu no primeiro jogo, tanto pela sua forma de estar e interagir entre si, mas também poder experienciar o seu crescimento e respetiva relação. TLOU 2 continua esse trabalho de uma forma excecional e, desde cedo, podemos ver já algumas alterações de relações após os eventos do primeiro jogo. TLOU 2 traz até nós mais personagens relacionados diretamente com Ellie e isso faz com que exista uma maior rede de sentimentos e ligações entre os vários elementos, até porque iniciamos a aventura em Jackson, a comunidade onde todos vivem e se conhecem. Infelizmente, pouco mais me posso alongar neste assunto. Seja como for, o que posso dizer é que o crescimento e o desenvolvimento de personagens continuam tão bom quanto esperado.

 

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Seattle – o início da aventura.

 

Um mundo para explorar

Se no primeiro jogo havia algum espaço para explorar, esta sequela acaba por elevar esse aspeto para um patamar vários níveis acima. Literalmente. Algumas zonas são enormes e permitem exploração vertical, oferecendo ainda mais lugares para andarmos. A maioria destes sítios não são obrigatórios e cabe ao jogador decidir se os quer passar “a pente fino”, e apanhar mais alguns recursos, ao mesmo tempo que corre o risco de enfrentar novos inimigos, ou se preferem prosseguir caminho.

A verdade é que o jogo premeia o jogador por explorar todos os cantos, quer seja com novas árvores de habilidades ao apanhar os vários manuais de treino, novas armas ou recursos para melhorarmos o nosso arsenal. Seattle – o primeiro local a termos acesso fora de Jackson – oferece um enorme parque de diversões em termos de exploração. Foram várias as horas que levei a explorar todos os recantos, obtendo recursos importantes para melhoramentos, bem como os tais manuais de treino e algumas armas. Se tivesse decidido não explorar, nunca teria conseguido obter algumas destas importantes peças de jogo, as quais fazem sempre falta e nunca são demais.

 

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O perigo está por todo o lado…

 

Quem é que não se lembra do facto de Ellie não saber nadar no primeiro jogo? Pois é, a água faz agora parte de alguns cenários e acaba por oferecer um dinamismo diferente em algumas zonas, já para não mencionar o facto de mostrar o crescimento de Ellie neste campo.

Algumas zonas oferecem vários caminhos para prosseguirmos a nossa aventura, embora alguns deles não passem disso mesmo. São apenas caminhos diferentes para chegar ao mesmo ponto alguns metros depois, embora, em alguns casos, existam recursos para apanhar numa dessas zonas de passagem. Como disse, de forma a nunca ficar prejudicado futuramente, tentei sempre explorar ao máximo, até porque dá gosto andar num mundo que parece tão real em termos de construção e design.

 

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Nunca estamos seguros…

 

A intensidade do combate

O combate é uma das partes mais importantes do jogo, embora muitas vezes a furtividade seja o aconselhado tanto quanto possível. Sempre tentei derrotar a maioria dos inimigos, de forma a poder explorar melhor a zona para a obtenção de recursos ou colecionáveis. O desafio do combate foi sempre acessível, mas com o avançar das horas, comecei a sentir a dificuldade de alguns confrontos, onde o inimigo começou a ser bem mais agressivo e a sua presença em maior quantidade.

Notei claramente a intensidade a aumentar e, em alguns locais mais apertados e escuros, senti alguma claustrofobia na hora de defrontar clickers e companhia. Por duas ou três situações, a pressão foi tão grande que preferi sair rapidamente da zona, algo que nunca senti propriamente no primeiro jogo. O que será que isto significa? Bem, significa claramente que a experiência está mais real que nunca e faz-nos suar em bastantes momentos. A verdade é que nunca estamos seguros.

 

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Vais arrepender-te disso…

 

Uma das novidades do combate é a possibilidade de nos agacharmos totalmente no terreno. Para acompanhar esta mecânica, podemos esconder-nos por entre a vegetação em alguns cenários, embora isso não invalide de todo a possibilidade de sermos vistos. A existência de cães inimigos também é outro aspeto que força um pouco o nosso comportamento em combate, obrigando-nos a uma constante movimentação no terreno, pois só assim o nosso rasto irá desaparecer perante o faro canino.

O combate corpo a corpo sempre foi bastante intenso e agora existe a possibilidade de nos esquivarmos ao ataque inimigo, resultando numa abertura para fugirmos ou contra-atacarmos. Esta é uma mecânica que, quando bem usada, pode dar uma enorme vantagem nos confrontos, sejam contra humanos ou infetados. Quanto mais cedo começarem a treinar o timing do movimento, maiores serão as vossas hipóteses de sobreviver a confrontos mais pessoais.

 

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Uma selva de betão para explorar.

 

O jogo oferece bastantes formas de abordarmos o combate. Seja com furtividade ou de uma forma barulhenta, as ferramentas e armas à nossa disposição são mais que muitas. Como disse anteriormente, há muitas armas escondidas em determinados locais e que podem passar ao lado, caso não explorem tudo. Algumas delas dão uma enorme vantagem em combate, mas essa vantagem também pode ser ganha caso nos consigamos elevar no terreno, com a nova movimentação transversal.

Algo que gostei bastante foram os momentos onde pude iniciar um combate entre os infetados e os humanos, sem sequer ter feito mais do que jogar um tijolo e um molotov para cima dos últimos. Os infetados foram todos a correr para o local e de repente ficou o caos numa zona altamente escura, com uma arrepiante luminosidade vermelha. O caos estava a acontecer perante os meus olhos e a minha passividade, enquanto esboçava um sorriso maléfico ao ver o meu plano decorrer de forma perfeita.

 

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Cenários intensos visualmente.

 

TLOU 2 é um produto altamente concentrado de violência visual. Sem mencionar propriamente os momentos em que somos derrotados por alguns infetados e a animação extremamente violenta, foram também os combates corpo a corpo com outros humanos que me fizeram abrir os olhos ao ficar surpreso com tal brutalidade. Desde as intensas execuções com machados, passando pelas mais silenciosas com facas, tudo está carregado de extrema agressividade e é impossível ficar indiferente. Arrisco mesmo a dizer que é um dos jogos mais violentos que já presenciei, sublinhando até que este não é de todo um jogo para um público mais jovem ou sensível.

 

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Preparem-se para um novo infetado bastante perigoso.

 

Os inimigos estão por toda a parte

Os perigos estão sempre à espreita em TLOU 2 e este novo jogo adiciona uma considerável quantidade de picante na receita. A narrativa traz até nós novas fações inimigas, bem como novos tipos de infetados. Uma das novas fações está “armada até aos dentes” e possui cães para nos atacar, ou até nos localizar mais facilmente, situação a qual já tinha referido anteriormente.

Outra das fações é mais focada em combate de longa distância, com os seus ataques infalíveis de arco e flecha, mas o seu combate corpo a corpo não é menos intenso, recorrendo ao uso de enormes martelos e armas do género. São uma fação que recorre ao uso de assobios para comunicar entre si e esse é um aspeto que está muito bem implementado. Confesso até que senti alguma perturbação quando os ouvi pela primeira vez, pois estava montado o cenário ideal para entrar em pânico.

 

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Ellie – o rosto da incerteza.

 

Os infetados continuam tão letais como anteriormente, mas a presença de um novo tipo de infetado, acaba por nos obrigar a reajustar a alguns dos seus comportamentos. Este novo infetado projeta um género de “granadas de veneno” e o mesmo acontece quando morre, ao explodir e largar uma quase mortal nuvem tóxica. Estes inimigos são de maior porte e podem levar um pouco mais a ser derrotados.

No geral, achei a maioria dos combates sempre muito tensos, principalmente quando envolvia infetados, onde o fator terror estava sempre muito mais presente, essencialmente em zonas fechadas e com reduzida visibilidade. Em alguns desses locais, só mesmo a lanterna criava alguma luz, originando um autêntico ambiente de terror, ansiedade e pânico. Em determinadas alturas, senti que estava a jogar algo totalmente diferente de TLOU, mais concretamente um jogo de terror. Isto significa que estas partes foram muito bem pensadas e executadas, resultando na experiência de survival horror a que o jogo possa estar associado em alguns momentos.

 

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Um centro comercial invadido pela água.

 

Uma experiência visual muito imersiva

TLOU 2 é visualmente incrível nos mais variados aspetos. Os cenários são tão reais quanto seria de esperar e isso sente-se a cada novo canto explorado. Seja um estabelecimento comercial, um apartamento, uma cave, ou qualquer outro local que nos seja permitido entrar, os detalhes e decoração dos mesmos acabam por tornar estes locais tão reais quanto possível.

Sente-se que estamos perante algo que há mais de 20 anos era habitado por alguém e que haviam rotinas que deixaram de existir. Isto ajuda tremendamente na experiência e na forma como nos deixamos engolir por este mundo humanamente quase vazio, mas tão rico em detalhes e informação deixada.

Mas se o interior dos edifícios está extremamente bem executado, o exterior não fica nada atrás, até porque também é onde passamos grande parte do tempo. Existem vistas para apreciar, sejam elas macabras ou mais repletas de uma maior beleza, um pouco como acontecia em certos momentos do primeiro jogo.

 

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Sim, será possível andar de barco em plena cidade.

 

A natureza de TLOU 2 está soberba, bem como todos os seus componentes. A variedade de cenários é tão vasta quanto possível e há espaço para tudo. A vegetação presente no jogo tem uma enorme importância na jogabilidade, mas também na forma como tornam os cenários muito mais vivos e densos. É impossível não ficar a apreciar os momentos em que chove e desfrutar do som da mesma a cair nos diferentes tipos de superfícies, pois o trabalho neste campo está incrível. Jackson é composta por mantos brancos onde o silêncio impera e Seattle acaba por manter esse “barulho do silêncio”, mas é contrastado por todo o manto verde a cobrir as enormes estruturas de betão.

Como seria de esperar, as animações do jogo estão soberbas, mas quero destacar algo em especial. As animações do melhoramento das armas estão incríveis, onde tudo está muito bem detalhado, seja a desmontar a arma e aplicar melhorias, bem como no limpar e desligar a iluminação destas mesas onde o trabalho é executado. Foram imensas as vezes que consegui fazer melhoramentos e não houve uma única vez em que não tenha ficado com os olhos colados ao ecrã a tentar apreciar toda aquela arte.

 

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Nem sempre estaremos a sós.

 

Se os personagens são tão reais quanto possível, isso também se deve ao excelente trabalho de vozes e o quão convincentes estas são. A banda sonora continua com a qualidade esperada, tendo sido composta novamente pelo compositor argentino Gustavo Santaolalla. Os sons dos infetados continuam aterradores, principalmente em momentos inesperados. Não menos arrepiantes são os barulhos aleatórios dentro dos edifícios e, por várias vezes, me fizeram ficar com “pele de galinha”, até porque estava a jogar com headset. No geral, a vertente sonora atinge os decibéis perfeitos no que toca à sua execução.

Tirando alguns loadings iniciais mais demorados, nunca senti qualquer tipo de problemas na performance ou até bugs. Valeu a pena esperar tantos anos por um produto que, no final, acaba por justificar positivamente a demora no seu desenvolvimento.

 

 

Após quase 25 horas de jogo, terminei aquilo que considero como um dos melhores videojogos de sempre nos mais variados campos. A excelente narrativa, recheada de personagens cativantes, e a forma como está estruturada, resultam numa constante ansiedade em querer descobrir o que irá acontecer de seguida. Como se isto já não fosse suficiente para nos incentivar a continuar, o incrível mundo repleto de desolação, morte e mistério, acabam por se encaixar de forma perfeita, resultando numa experiência que irá influenciar muitos outros jogos nos próximos anos. Neste mundo, nada é perfeito, mas The Last of Us Part 2 anda lá perto.

 

positivo Personagens carismáticos
positivo Estrutura da narrativa
positivo Combate corpo a corpo mais intenso que nunca
positivo Mundo detalhado e vasto
positivo Movimentação transversal

errado Loadings iniciais

Data de Lançamento: 19 de Junho de 2020
Produtora: Naughty Dog
Editora: Sony Interactive Entertainment / Playstation Studios
Género: Ação, Aventura
Disponível para: Playstation 4

Foi disponibilizado um código para análise por parte da Playstation Portugal.

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares.

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