Desperados III – Análise

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Lembro-me de gostar bastante do primeiro Desperados quando o joguei há quase 20 anos. A experiência que tinha com a série Commandos, foi essencial para me cativar para esta e ainda bem que a decidi jogar. Após o anúncio deste terceiro jogo, foi inevitável a minha curiosidade sobre poder voltar a colocar o chapéu de cowboy e armar-me em estratega em tempo real, ao mesmo tempo que disparo para todos os lados, seja de forma barulhenta ou furtiva. Digamos que sou melhor na primeira opção, pois há sempre algo que corre mal quanto tento entrar em pleno Saloon e tropeço logo à entrada…

Em termos narrativos, Desperados III tem lugar antes do primeiro jogo. John Cooper está de volta como protagonista principal nesta coboiada pelo velho oeste, mas não estará só. O grupo é constituídos por outros quatro membros – Kate, a noiva em fuga; o assassino McCoy; o brutamontes Hector; e, por fim, a misteriosa Isabelle. Apesar da narrativa ser focada em John Cooper e respetiva sede de vingança, cada um destes personagens acaba por ser integrado na história com pequenos assuntos pessoais por tratar. Isto faz com que a atenção não seja só focada no personagem principal e isso é positivo.

 

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Era uma vez um sino da igreja…

 

Uma grande coboiada​

Como disse, Desperados III é um jogo com algum foco na narrativa. Esta é contada através dos loadings entre as missões, mas também durante o início de cada uma delas, com os personagens a falar entre si. Um pouco como seria de esperar, acaba por não ser algo que vá ficar connosco para sempre, mas também suspeito que ninguém estivesse à espera de uma história marcante. Afinal de contas, estamos aqui pela boa vibe do velho oeste.

Desperados III pode ser considerado um jogo de estratégia em tempo real, o qual irá certamente testar a vossa inteligência, perspicácia e, acima de tudo, paciência. É um jogo com uma enorme sustentabilidade na “mecânica” tentativa/erro. Cada um dos cinco personagens tem diferentes habilidades e estas acabam por se complementar, embora nunca, ou quase nunca, tenhamos os cinco disponíveis ao mesmo tempo. Todos têm forma de matar silenciosamente, bem como truques para chamar à atenção e obrigar o inimigo a mover-se.

Para mim, o grande destaque vai para Isabelle, pois é a primeira vez que temos uma personagem com poderes sobrenaturais na série. A título de exemplo, podemos controlar mentalmente um inimigo, ou executar dois inimigos ao mesmo tempo e em locais diferentes. Assim que Isabelle entra em ação, a jogabilidade ganha logo outro dinamismo, possibilitando imensas combinações interessantes de ataques.

 

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E que tal usar uma gatling gun para despachar tudo o que se mexe?

 

Diversas formas de abordar as missões

Os níveis são vastos o suficiente para permitir diversas abordagens ao objetivo final. Na verdade, em algumas das missões, o jogo avisa mesmo que existem várias formas de executar o plano. Cabe ao jogador decidir, a título de exemplo, se vai pela esquerda ou pela direita. Existe uma boa liberdade no que toca à jogabilidade, não só pelas diferentes habilidades de cada personagem, como pela forma como os níveis estão estruturados. Existem também armadilhas no cenário com as quais podemos interagir, seja para distrair o inimigo, ou matá-lo. Podemos estar a falar de empurrar uma grande rocha para cima de inimigos; fazer cair parte de uma casa que está em construção; atiçar um animal de forma a dar um coice do inimigo, entre muitas outras opções. Por norma, existem sempre várias possibilidades destas em cada nível e fica a nosso critério a forma como abordamos o desafio.

A variedade dos cenários é satisfatória. Temos zonas mais desertas, florestais, citadinas ou até pantanais. Estes últimos adicionam um fator interessante à jogabilidade, pois ao nos movimentar nas zonas com água, fazemos mais barulho ao andar do que noutro tipo de terreno. No caso de lama, as nossas pegadas ficam marcadas e chamam logo à atenção do inimigo, causando rapidamente o caos se não tivermos cuidado.

 

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O melhor é não causar distúrbios no meio da cidade.

 

Em algumas missões, existem zonas públicas e privadas. Na prática, quer dizer que nas zonas públicas, podemos andar livremente, inclusive, à frente do inimigo. Ele não irá reagir de todo, embora seja necessário ter cuidado caso estejam a preparar alguma ação que levante suspeitas. Quando estão numa área privada, a coisa muda totalmente de figura. Todavia, podem estar no limite da zona pública e ter um inimigo à vossa frente, o qual não irá reagir. Podem até disparar de fora e caso ninguém vos veja a fazerem-no, não correm perigo. Acaba por dar uma dinâmica interessante à jogabilidade, nos níveis em que esta mecânica existe.

Outra introdução na série é o Showdown, mecânica a qual nos permite parar o tempo e mandar executar várias ações de uma só vez. Isto é bastante útil na hora de abordar vários inimigos ao mesmo tempo, ou zonas mais povoadas. Isto pode ser aplicado, quer seja para surpreender o inimigo num ataque surpresa, ou uma resposta rápida perante um contra-tempo. Convém mencionar que algumas das habilidades dos nossos cowboys estão limitadas por alguns segundos após serem usadas, o que nos obriga a ponderar melhor determinadas ações. Quem diz isto, diz munição a qual também não é infinita, mas pode ser apanhada durante os níveis.

 

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Uma linha de comboio que nos separa entre a calma e o caos.

 

Não basta disparar, também é preciso pensar

No geral, achei o jogo algo exigente em termos de dificuldade, embora existam várias opções de dificuldade e hipótese de mexermos em valores como começar com mais munição, menos inimigos no cenário, entre outros pontos. O desafio deste jogo está, muitas vezes, em contornar o constante “cone verde” de visualização dos inimigos, o qual está constantemente em vigilância dos seus companheiros. Isto acontece em diversas situações e é preciso aprender, com diversas tentativas, qual a melhor solução para superar aquele desafio, sem que o alarme seja ativado e apareçam mais inimigos para patrulhar a zona.

Para além da campanha, o jogo oferece outro modo com base em desafios peculiares e que fogem um pouco ao praticado na campanha. Acaba por dar ainda mais algum conteúdo ao jogo para quem queira continuar depois de terminar a campanha. Na verdade, a campanha também oferece incentivos para voltar a jogar após cada missão terminada. Estão essencialmente relacionados com certas ações no jogo; superar o nível sem disparar uma única vez; terminar o nível num determinado tempo, entre outras hipóteses, as quais variam de missão para missão. No geral, a duração das missões é algo elevada, onde, em muitas casos, levei bem mais de uma hora para superá-los. Todavia, existem desafios para os terminar em 15 a 20 minutos.  É caso para dizer, um excelente desafio para os speed runners.

 

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“Mãos no ar! Isto é um assalto!”

 

Um oeste fielmente representado

No que toca aos visuais, já tinha falado um pouco sobre eles mais acima e o quão variados são. Quero realçar os imensos detalhes nos cenários, sejam no seu design, ou na forma como são aplicados nos mapas e que nunca me deixaram com a sensação que estava numa zona reciclada visualmente. Destaque ainda para as animações do jogo, as quais foram todas captadas através de motion capture, tornando as coisas mais reais, apesar do jogo ser jogado a alguma distância dos personagens e não dar para apreciar propriamente esse aspeto.

No que toca áudio, quero salientar o bom trabalho ao nível de vozes dos personagens, bem como respetiva personalidade. Existem algumas rivalidades amigáveis entre alguns deles, e é deveras interessante ouvir as constantes bocas que trocam a ver quem é que já matou mais pessoas, ou ainda relativamente a outros assuntos. No que toca à banda sonora, é o tipo de música esperada num jogo com base no velho oeste e cumpre bastante bem o seu objetivo.

 

 

Para alguém como eu que jogou os dois primeiros jogos, Desperados III acaba por resultar na experiência que esperava. Toneladas de tentativa/erro e, felizmente, o jogo permite fazer vários quick saves e quick load, o que torna o processo de repetição de jogada bem mais suave. Os vários personagens conseguem oferecer uma jogabilidade variada e os níveis estão muito bem concebidos, tanto em termos de estrutura, como visualmente.

Confesso que senti alguma frustração em muitos momentos, pois o jogo está longe de ser fácil. Algumas missões podem levar mais de uma hora, tanto pela sua complexidade em avançar no terreno, mas também pelo facto do quão vastos os terrenos são. Acima de tudo, apesar de podermos usar armas de fogo à vontade (enquanto tivermos munição), é altamente aconselhável sempre uma abordagem mais furtiva. Todavia, será esta abordagem que também irá fazer com que as missões durem muito mais tempo, devido às várias tentativas que temos de fazer até descobrir a forma correta de eliminar os inimigos, sem que seja soado o alarme.

Em suma, Desperados III oferece uma boa experiência, tanto para os fãs de estratégia, como para quem possa apreciar esta temática. Apesar de alguns picos de dificuldade, a qualidade de jogo é garantida pela sua jogabilidade versátil e excelente design dos mapas.

 

positivo Jogabilidade com imensas opções de abordagem
positivo Interação entre os personagens
positivo Mapas detalhados visualmente

errado Picos de dificuldade em alguns níveis

Data de Lançamento: 16 de Junho de 2020
Produtora: Mimimi Games
Editora: THQ Nordic
Género: Estratégia
Disponível para: Windows, Playstation 4, Xbox One

Foi disponibilizado um código para análise (PC) por parte da Dead Good Media.

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares. @bakum4tsu

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