Maneater – Análise

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Se há algo que aprecio bastante nos videojogos, é o quão criativos conseguem ser. Existe uma liberdade enorme na criação destes produtos e de vez em quando surge algo que, não sendo totalmente inovador, acaba por relembrar que as hipóteses são imensas nesta indústria. Maneater é isso mesmo – um produto que oferece uma experiência nova, apesar de se basear em mecânicas já implementadas previamente. Afinal de contas, não é todos os dias que jogamos na pele de um tubarão, pois não?

Em Maneater, somos um tubarão o qual sobrevive às mãos do vilão do jogo após este eliminar a nossa progenitora. Depois de sermos marcados à nascença, somos atirados ao mar com o propósito de voltar a defrontar o vilão mais tarde. Assim começa a nossa aventura num jogo de ação, com diversos elementos de RPG, e que nos leva a descobrir como é a vida de um tubarão. Quer dizer, dá assim uma pequena ideia.

 

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O início da aventura tem lugar em águas turvas.

 

A vida de um dos maiores predadores do oceano

Começamos o jogo num pequeno pantanal, o qual parece tudo menos com o habitat normal de um tubarão. Com o progresso, vamos desbloqueando novas zonas e novos desafios também. De forma a podermos explorar novos locais, o jogo obriga-nos a cumprir alguns objetivos, os quais podem ir desde comer um determinado número de peixes ou humanos, entre outras hipóteses. Tudo é acessível, mas assim que começam a surgir os primeiros crocodilos, ou animais de maior porte, sentimos logo o quão pequeno e frágil ainda somos.

O nosso crescimento está obviamente associado ao progresso do jogo, mas também com a quantidade de peixes que devoramos durante a aventura. Existem vários tipos de recursos que cada género de peixe dá, sendo estes necessários para poder evoluir as nossas características. Podemos estar a falar de fazer mais dano com as nossas poderosas dentadas, ter mais resistência ao dano infligido por outros habitantes aquáticos ou humanos, entre muitas outras opções. Por falar em humanos, como bom tubarão que somos, é óbvio que podemos causar o pânico entre eles, seja em terra ou dentro de água. Após chamarmos demasiado à atenção, aparecem sempre caçadores prontos para nos matar, batalhas as quais são engraçados ao início, mas rapidamente começam a tornar-se um pouco repetitivas. Ainda assim, dá gosto comer os nossos caçadores e destruir os respetivos barcos, ao mesmo tempo que pintamos de encarnado toda a zona em redor da ação.

 

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Vale tudo para nos matar.

 

Em termos de narrativa, é um pouco o que já tinha mencionado inicialmente. A história é contada num formato de Reality Show, cheio de humor à mistura e narrada por Chris Parnell, uma das pessoas que dá voz à série Rick and Morty. Ao longo da aventura, conforme as nossas ações no jogo, estas vão sendo comentadas de forma humorística e também existem dezenas de easter eggs no jogo associados aos colecionáveis, os quais são sempre alvo de comentários peculiares. Uma razão mais que suficiente nos incentivar a apanhar todos os imensos colecionáveis que existem, seja no mar ou em terra.

 

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Até parece um local harmonioso.

 

A crueldade reina no mundo de Maneater

Maneater oferece um engraçado mundo aberto para explorar e, apesar de não ser extraordinariamente enorme, acaba por ter o tamanho suficiente para nunca sentir uma fadiga visual. As áreas são bastantes distintas, quer debaixo de água, quer à tona da mesma. Tanto podemos estar num local mais turístico, inclusive numa zona com um espetáculo aquático, bem como num pantanal com a água bem turva e de reduzida visibilidade.

Para minha surpresa, o jogo contém um ciclo dia/noite, embora na prática, não tenha sentido que isso tivesse algum tipo de efeito prático. Acima de tudo, achei que existe bastante diversidade visual e que meu deu sempre vontade continuar a explorar novos cantos do oceano ou canais. Relativamente ao oceano, dá um prazer enorme explorar uma área tão vasta, mas também tão perigosa em termos populacionais. Podem esperar a  companhia de orcas assassinas ou tubarões brancos, entre outros, sempre prontos para vos fazer a vida negra, caso se aproximem demasiado.

 

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Aquelas dentadinhas de amor.

 

Sabe bem espalhar o caos por onde passamos

Relativamente aos gráficos em si, estamos longe de atingir o pináculo da excelência, apesar de achar que foi feito um bom trabalho nas mais diversas áreas. Já no que toca aos modelos dos personagens, estes ficam muito aquém das expetativas, onde apenas se destaca o vilão. No que diz respeito ao áudio, a música é algo muito leve, onde na maioria do tempo até existe um silêncio musical, apenas quebrado pelos gritos dos humanos em pânico ou batalhas aquáticas, seja contra outros peixes ou caçadores. Quero apenas destacar o excelente trabalho na narração ao longo da aventura, contando sempre com bons momentos de humor.

Infelizmente o jogo conta com alguns problemas, nomeadamente na performance, com algumas quebras de frame rate em momentos mais caóticos. Outra das situações que quero mencionar é o facto de o jogo se tornar algo repetitivo após cerca de 3 a 4 horas, pois os objetivos passam muito pelo mesmo. Infelizmente, o combate com outros animais também acaba por se tornar algo atabalhoado, principalmente em zonas mais apertadas, onde a própria câmara de jogo não ajuda muito. Existe um sistema de “lock on”, mas isso não funciona bem durante o combate, pois acaba por não trancar no inimigo que queremos, desativando facilmente também. Para terminar, quero só deixar o reparo relativamente aos, consideravelmente, longos loadings, embora não todos.

 

 

A diversão faz a diferença

Mesmo com alguns problemas, Maneater acaba por ser uma aposta sólida em termos de diversão e novidade, numa indústria tão saturada de ideias. É certo que a jogabilidade se torna algo repetitiva com apenas algumas horas de jogo, mas também não existe outro título que represente tão bem qual a sensação de estar na pele de um dos maiores predadores do oceano.

 

positivo Bastante divertido
positivo Variedade visual dos diferentes locais de jogo
positivo Boa dose de humor
positivo Elementos RPG possibilitam diversas abordagens

errado Alguns loadings mais demorados
errado Câmara de jogo em locais mais apertados
errado Objetivos algo repetitivos

Data de Lançamento: 22 de Maio de 2020
Produtora: Tripwire Interactive
Editora: Tripwire Interactive / Deep Silver
Género: Ação, Aventura
Disponível para: Windows, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch

Foi disponibilizado um código para análise (Xbox) por parte da ID@Xbox.

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares. @bakum4tsu

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