Helheim Hassle – Análise

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Viking que é viking, anseia morrer em batalha para se juntar à hoste de Odin em Valhalla; combater todo o dia; festejar toda a noite; para toda a eternidade.

Bjorn Hammerparty é um jovem viking diferente dos demais. Ele prefere levar um estilo de vida descontraído, e anseia por uma morte de “cobarde” para poder passar uma eternidade mais relaxante em Helheim. Porém, quando acidentalmente mata um urso com as suas próprias mãos – o que na língua inglesa dá um excelente trocadilho, perguntem a Odin – vê-se forçado a residir em Valhalla.

Séculos depois, tudo muda quando é reanimado por uma certa personagem oriunda do Inferno “tradicional”; seu nome, Pesto – qualquer semelhança com o molho italiano é pura coincidência.

Em troca da chance de se tornar um habitante permanente do Inferno Viking, Bjorn irá ajudar a sua nova amiga a atravessar os muitos puzzles que se encontram espalhados pelo traiçoeiro caminho até Helheim. Para o conseguir, terá de realmente usar a cabeça… e às vezes os braços, pernas, e tronco… conforme a situação o exigir…

 

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Sábias últimas palavras…

Um inferno repleto de puzzles

 Helheim Hassle é um jogo de puzzles em plataformas 2D, cujo objetivo é simplesmente decifrar os enigmas que permitem avançar no caminho até Helheim. Não que o progresso seja estritamente linear, porque pelo caminho muitas peripécias acontecem ao nosso pobre protagonista, e somos muitas vezes levados a revisitar locais antigos para terminar uma demanda ou explorar um novo sítio.

Durante esta aventura, temos de recorrer a vários artifícios, sendo que o principal é a habilidade que Bjorn tem de desconectar partes do seu corpo, rearranjá-las, e controlá-las independentemente.

Não consegues saltar para aquela plataforma? Fácil! Separa a cabeça e agora já estás mais leve e saltas mais alto. Aquela outra alavanca continua muito alta? Atira um braço lá para cima e depois usa-o para a ativar. Um sensor de pressão está depois de um longo e apertado corredor? Rastejar é para os outros Vikings! É muito mais fácil separar a cabeça do corpo e depois fazê-la rebolar até ao destino. Para quê curvar-se para não dar cabeçadas num teto baixo, quando é muito mais fácil desmontar a cabeça e pernas e arrastar o tronco com os braços? E, se precisas de uma mão para te agarrares a um precipício e da cabeça para ler o que está escrito na placa, nada mais simples! Juntas só um braço e uma perna para ser mais leve, e a cabeça mantêm-se agarrada mordendo as calças!

Não só esta premissa tem tanto de insólito como de original, como também está muito bem conseguida e balanceada. Cada uma das 29 possíveis combinações de cabeça, tronco, e membros, apresenta as suas próprias características e todas elas fazem perfeito sentido… partindo do princípio que é possível a um cadáver de um viking reanimado fazer aquilo.

 

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Nada de anormal numa conversa entre uma pedra e… aquilo com uma cabeça agarrada.

Mas as surpresas não ficam por aqui! Existem várias mecânicas adicionais que vão sendo apresentadas à medida que progredimos no jogo. Estas consistem, por exemplo, em usar certas partes do corpo em junção com objetos ou peculiaridades do terreno atual. Não entrarei em muito detalhe para não arruinar a surpresa. Basta dizer que são bem criativas e mantêm a jogabilidade sempre fresca, graças à variedade de puzzles e formas de os resolver.

Muitas das vezes o desafio do puzzle é apenas descobrir como chegar a um certo sítio com uma certa parte do corpo. Outas tantas, os puzzles exigem atenção a detalhes, raciocínio rápido e crítico, ou até mesmo não ortodoxo. E, como não podia deixar de ser, não faltam tarefas secundárias, segredos para explorar, e tesouros a descobrir, para satisfazer os colecionadores mais perfecionistas.

 

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Às vezes precisamos de uma mãozinha… Outras, dá-se a perna a torcer…

Reescrever o mito, com muito humor

Helheim Hassle faz mais do que presentear-nos com uma sucessão de puzzles. A história absurdamente deliciosa, repleta de momentos hilariantes e sequências completas de animação, subverte a mitologia nórdica e molda-a num reflexo da sociedade atual.

Estão presentes nomes sonantes do panteão Nórdico e Cristão, tais como Fafnir, Balder, Odin, ou os Cavaleiros do Apocalipse e mesmo Lucifer. Embora aqui, eles são estrelas de rock, donos de um ginásio, hipsters, ou metaleiros.

Se o simples ato de desmembrar um braço para o fazer rastejar através de um túnel minúsculo não é cómico que chegue; ter de o fazer enquanto acompanhamos um goblin responsável pela multinacional que está a renovar o inferno, ou a ter o cuidado de não ser detetado pelos zombies apaixonados por mobiliário e decoração, certamente atinge um patamar de hilaridade capaz de satisfazer qualquer um.

 

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O zombie não consegue ver Bjorn…. Vocês conseguem?

O grafismo assenta perfeitamente no espírito da narrativa. Os desenhos e animações são tão bem executados como caricatos. Além disso, a manipulação da cor e da luz, bem como dos diversos planos da perspetiva tornam, respetivamente, os ambientes singulares e quase tridimensionais – sem nunca comprometer a varredura ótica das plataformas.

Os controlos são surpreendentemente simples e eficazes, para algo que poderia muito bem não o ser, devido à complexidade inerente a ter de se manipular diferentes partes do corpo de diferentes formas.

A interface exibe tudo que é necessário sem obstruir o ecrã em demasia. Existe inclusive a opção de se ativar o modo cinematográfico. Neste modo, todos os elementos informativos são removidos, incluindo instruções sobre os controlos, que ocasionalmente surgem no ecrã. Por isso, e apesar de ser uma mais valia poder apreciar a beleza gráfica de Helheim Hassle sem oclusões supérfluas, não é uma opção recomendada para quem está a desbravar o jogo pela primeira vez.

A banda sonora é boa e na tonalidade certa para a narração hilariante, mas as vozes dos personagens é que são o ponto forte. Todos os diálogos, por mais insignificantes que sejam, foram dobrados, e a qualidade destes é impressionante.

 

Inferno para uns, paraíso para outros

Helheim Hassle é certamente um título obrigatório a qualquer fã de puzzles e jogos de plataformas. Ou apenas para quem aprecie uma boa jogabilidade repleta de humor negro e sarcástico, definitivamente brilhante. Isto, embrulhado numa premissa e temática certamente únicas.

Para um título Indie do género, se não perfeito, Helheim Hassle está muito próximo de o ser!

positivo Estilo de resolução de puzzles original
positivo Grande quantidade e variedade de puzzles
positivo Repleto de bom humor
positivo Impecável dobragem dos diálogos

errado Nada importante a salientar

Data de Lançamento: 18 de agosto de 2020
Produtora: Perfectly Paranormal
Editora: Perfectly Paranormal
Género: Aventura
Disponível para: PC, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch

Foi disponibilizado um código para análise (Switch) por parte da Plan of Attack.

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