Spiritfarer – Análise

Spiritfarer analise

Ao longo de um ano temos imensos lançamentos de videojogos e, no meio de centenas de títulos lançadas mensalmente, fica difícil encontrar experiências realmente inovadoras e únicas, que possuem a magia de agarrar o jogador e deixá-lo num estado de fascínio pela obra que está a presenciar.

Spiritfarer é um título que prima dessa rara magia, num mundo belo e misterioso, delicado e emocional, resultando numa viagem que promete ficar na mente dos jogadores. Este jogo é desenvolvido e publicado pela Thunder Lotus Games que já nos entregou anteriormente obras como Sundered e Jotun.

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A protagonista Stella e o seu companheiro Daffodil, num momento de pesca.

Jornada emocional

Em Spiritfarer, interpretamos a personagem chamada Stella, que acaba de assumir o papel de Guia espiritual no Submundo (Limbo), juntamente com o seu gato Daffodil. Com este cargo, a nossa personagem ganha a responsabilidade de conduzir os espíritos a bordo do seu barco ao outro lado da vida, por um oceano expansivo e místico.

O conceito, apesar de simples, desenvolve-se em formas misteriosas que despertam a curiosidade do jogador, mas o foco estará nos espíritos que vamos encontrando ao longo da jornada. Cada uma destas personagens apresentam personalidades bem desenvolvidas e narrativas próprias que teremos de explorar. É necessário resolver os seus assuntos pendentes para finalmente conseguirmos levá-los à Everdoor (representação de Estige na mitologia grega) e ajudar cada um a realizar a sua passagem.

Tudo se culmina numa experiência sentimental e memorável, principalmente com o destaque às personagens que consideramos preferidas, pois quando têm de partir com agradecimento por tudo o que fizemos para os ajudar, deixam-nos com uma sensação de satisfação emocional.

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As animações das personagens são muito expressivas.

Uma brisa artística

Todos estes momentos não seriam a mesma coisa sem a fantástica direção artística, a qual a Thunder Lotus Games nos tem habituado nos seus jogos. Spiritfarer é artisticamente incrível, possuindo visuais coloridos para cada viagem se manter alegre e viva. É um título bastante expressivo e acaba por fazer parte da alma do mesmo, pois são estes momentos expressivos que ajudam a caracterizar cada espírito, de forma a percebemos melhor os seus sentimentos.

Os visuais são acompanhados por uma banda sonora excelente, composta por melodias calmas, sentimentais e de aventura. Cada segmento do jogo é devidamente realizado através de estas duas componentes que se complementam muito bem e que enaltecem a sua jogabilidade.

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Ao longo da viagem, teremos de construir e melhorar o nosso barco

Relaxamento da alma

Em Spiritfarer, a jogabilidade consiste em exploração, gestão de recursos e muita interação com os espíritos. O jogador terá de gerir e organizar o seu barco e o seu inventário, os quais serão vitais para cada viagem, através da construção de quartos para os residentes, cozinha, campos para semear e colher, pesca, entre outros.

Não só é possível construirmos no nosso barco, como também realizar melhoramentos ao mesmo, seja no seu tamanho ou nos edifícios já presentes, de forma a desbloquearmos novas ferramentas. Para além disso, a Stella também usufrui de upgrades que desbloqueiam novas habilidades bastante úteis durante a aventura.

A gestão de recursos deve ser cuidada, pois é fundamental para progredirmos no jogo e para interagir com os espíritos que embarcaram no nosso barco. Estes residentes necessitam da atenção do jogador para várias coisas. Cada um tem a sua barra de felicidade, a qual teremos de aumentar ao realizar certas ações que os deixam felizes. Estas ações são realizadas através de conversa, abraços (uma mecânica muito significante), comida que eles gostam e até progressos feitos no próprio barco.

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Para além de abraçarmos os espíritos, também podemos abraçar Daffodil.

Durante a exploração e a recolha de recursos, Stella possui uma das mecânicas mais importantes, a Everlight (Luz Eterna). Esta transforma-se em qualquer tipo de objeto. Como exemplo, temos a sua transformação em cana de pesca de forma a podermos praticar esta atividade. A Everlight é também o símbolo que representa Stella como guia espiritual e a chave necessária para qualquer ação no jogo.

Existem também algumas atividades que podemos considerar como minijogos. Estas podem ser realizadas várias vezes para obter certos recursos e estão disponíveis no barco, ou certos lugares do mundo, dependendo do minijogo que se pretende. Porém, estas podem tornar-se repetitivas se forem realizadas a cada oportunidade que surgem.

Para além disso, esta jornada pelo oceano pode ser feita em cooperativo, onde o segundo jogador tomará o papel de Daffodil, o qual também possui uma Everlight de forma a realizar as mesmas ações que a Stella.

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Podemos tocar uma música para as sementes crescerem rapidamente (minijogo).

Esta experiência é longa, durando uma média de 30 horas, consoante o quanto o jogador está disposto a explorar. Contudo, em nenhum momento se torna cansativo, apesar da sua repetição de atividades, pois o foco e o interesse serão sempre nas personagens com quem vamos interagir.

Cada personagem será uma experiência diferente e a sua história irá agarrar o jogador até ao seu momento de partida. Estas também são importantes para descobrir outros mistérios do jogo e, para além disso, é possível encontrar outras pequenas atividades no mundo.

Uma viagem a não perder

Após as primeiras horas com Spiritfarer, é difícil negar que estamos perante um dos melhores jogos de 2020. Uma experiência única que contém alguma inovação dentro das suas mecânicas e que nos oferece uma viagem narrativa, emocional e delicada, sendo capaz de nos deixar agarrados até ao fim. Visualmente fantástico e acompanhado por uma banda sonora lindíssima, este é um jogo facilmente recomendável para todos os jogadores. Uma obra digna de se experienciar e que vai deixar o espírito em êxtase.

positivo Narrativa emocional
positivo Personagens carismáticas
positivo Interação com as personagens e o mundo
positivo Visuais soberbos
positivo Jogabilidade divertida

errado Minijogos podem tornar-se repetitivos

Data de Lançamento: 18 de agosto de 2020
Produtora: Thunder Lotus Games
Editora: Thunder Lotus Games
Género: Aventura
Disponível para: PC, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch

A análise foi feita com base na versão da Xbox One.

Autor: Pedro Costa

Desde pequeno que é fascinado por experiências interactivas que apenas os videojogos proporcionam. Para além disso, é apreciador de vários géneros de anime. @ShingetsuPT

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