The Eternal Castle [REMASTERED] – Análise

eternalcastle

The Eternal Castle [REMASTERED] é um remaster de um jogo de 1987 que nunca o foi.

Talvez as letras “remaster” em maiúsculas, como parte integrante do título, sejam mais que suficientes para se aperceber da importância dada pelos criadores ao facto do jogo ser uma remasterização. Se não, talvez a insistência desse facto na premissa do jogo, no trailer, e até em comentários online dos próprios autores, alegando se tratar de uma recriação de um antigo jogo gravado em disquete – infelizmente agora danificada – e encontrada no escritório do pai em criança, cheguem para indicar ser essa a raison d’être deste título.

Na verdade, para um clássico de há mais de três décadas, é surpreendente não se encontrar nenhuma referência a ele online, exceto as relacionadas com este “remaster”. Eis que, quando colecionadores e aficionados do género encontraram uma única cópia do original num arquivo online, descobriram que não era jogável por faltar o “disco 2”. Uma investigação a fundo expôs que, na verdade, parte dos ficheiros do jogo estavam vazios e outra parte continha código de clássicos da época, tais como Doom ou Prince of Persia, que foram lançados depois de alegadamente The Eternal Castle o ter sido.

Mas os anacronismos não se ficam por aí. Por exemplo, o suposto jogo de 1987 foi compilado com um programa de 91, e os screenshots disponíveis com o executável contém metadados do Photoshop, que foi pela primeira vez distribuído em 1988 – tão perto!

Por último, temos o facto de que a conta que fez upload do “original” e a única outra que comentou no mesmo, foram ambas criadas no mesmo dia e não tinham mais nenhum comentário. Muito provavelmente, tendo sido os próprios autores do jogo que o fizeram. Isso, e o facto de que, entretanto, e depois de tanta especulação, eles lá acabaram por o admitir…

eternalcastle1
O Castelo pode ser Eterno, mas a paciência não. Há que correr!

Uma alucinada epopeia visual

Se a propaganda de ser uma remasterização de um clássico se trata de uma campanha de marketing, ou da tentativa de criação de misticismo em torno do título, é discutível. Não aberto a discussão, é o facto de que The Eternal Castle não necessitava de ser passado como um remaster para se poder apreciar a excelente homenagem aos demais jogos da época a que ele finge pertencer. Não apenas isso, também a considerar que o jogo tem valor por si só.

The Eternal Castle [REMASTERED] é um jogo de Acão cinemático 2D, que poderia ter sido contemporâneo de títulos como Prince of Persia ou Another World. Fora as imperfeições visuais – como o excesso de ruído, granulação, ou pouca resolução – os movimentos no jogo são incrivelmente fluídos. O balanço de cor e luz é soberbo, os fundos minimalistas são imersivos, e toda a ambiência no geral é deslumbrante.

eternalcastle2
Uma imagem parada não faz justiça à beleza das animações dinâmicas.

Mesmo face aos padrões modernos, do qual o jogo também é, a experiência visual é gratificante e capaz de proporcionar muitos momentos de cair o queixo.

Também a banda sonora não lhe fica atrás. Os sons ambientais complementam perfeitamente os visuais sem nunca lhes tirar destaque e a música, quando o há, parece tirada de um antigo filme cyberpunk.

A história assenta numa mescla de estereótipos de ficção científica pós-apocalíptica, estando pejada de alusões vagas, cuja narração é superficial. Propositadamente, ou não, isto encaixa bem no género de narrativa audiovisual patente, e parece definitivamente retirada da época a que o jogo pretende pertencer.

eternalcastle3
Não seria sci-fi pós-apocalíptico sem um deserto, espadas de fogo, lasers e monstros..

 

Jogabilidade do século passado

Apesar das premeditadas imperfeições visuais, contrapostas com a elevada fluidez das animações, proporcionarem uma viagem alucinada e temática, em certas instâncias as imperfeições vão longe de mais para detrimento da jogabilidade. Nomeadamente, no geral, os textos são muito difíceis de ler, as fronteiras entre certas plataformas são difusas, e por vezes até a localização do nosso protagonista é impercetível. Pior ainda, é demorar bastante até se começar a perceber a que arma corresponde cada ícone que é quase igual aos demais, ou o que são aqueles símbolos que aparecem juntos às barras de vitalidade e munição.

Que o jogo nunca o explique, também não ajuda muito. Ou, que sequer indique desde o início que é possível mudar de arma e carregar duas – os menos atentos até o podem nunca detetar.

Outro ponto em que ele falha bastante, principalmente por ser um jogo de ação, é nos seus controlos desajeitados e pouco responsivos. Isto mesmo quando comparado a clássicos do género. Atrasos na resposta a certas funções, arruínam completamente muitas das lutas ou sequências de plataformas, tais como nos saltos, subir ou descer parapeitos, ou mesmo mudar de direção.

eternalcastle4
Os vidros estavam impecáveis antes de começar a disparar a torto e a direito.

Mesmo que um hipotético jogo original tivesse essas limitações – o que, supracitando, os melhores da altura já as tinham superado – este, sendo uma remasterização, deveria se ter livrado delas. Ou seja, mesmo que tenha sido uma escolha calculada para aproximar The Eternal Castle dos clássicos, não foi de todo uma boa escolha.

O título fica ainda um pouco aquém na inteligência virtual, quer dos inimigos quer dos aliados – que ora ficam parados contra paredes ora atiram-se de precipícios. Mais uma vez, algo que não era tão mau assim na época e mesmo que o fosse, uma boa remasterização teria resolvido. Intencional ou pura limitação dos programadores, é algo que ajuda a jogabilidade a agravar o que de outra forma é uma experiência aprazível.

Por último, The Eternal Castle é bem curto. Todo o jogo se pode terminar em pouco mais de uma hora, se bem que existem conteúdos extra no final e sempre a possibilidade de repetir a aventura num modo onde só se tem uma vida. Além de que, certos elementos dos níveis são gerados processualmente, o que ajuda a prolongar a longevidade do título ao conferir um certo grau de particularidade a cada novo jogo.  

 

Castelo em ruínas, mas ainda de pé

Em suma, The Eternal Castle [REMASTERED] é um bom título por si só e ainda mais como tributo aos jogos de outrora. Pena que a fraca jogabilidade afete bastante, o que de outra forma é uma experiência narrativa audiovisual única.

Já a particularidade de simular que o jogo se trata de uma remasterização, pode atrair uns e repudiar outros. O meu conselho, no entanto, é que esse facto seja ignorado por completo. Uma vez que, em última instância, isso não pesa em nada naquilo que The Eternal Castle faz bem.

positivo Audiovisuais temáticos e envolventes
positivo Recriação e homenagem aos clássicos de outrora

errado Jogabilidade fraca
errado Longevidade curta

Data de Lançamento: 21 de agosto de 2020 (Europa)
Produtora: Leonard Menchiari, Daniele Vicinanzo, Giulio Perrone
Editora: TFL Studios, Playsaurus
Género: Ação, Aventura
Disponível para: PC e Nintendo Switch

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise (Switch) por parte de JF Games.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.