RPG Maker MV – Análise

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Com certeza, muitos fãs de RPGs já se deram por si a pensar como seria poder criar o seu próprio jogo. Idealizar os seus próprios personagens. Conceptualizar um mundo, habitantes, e masmorras tiradas da sua imaginação. Apresentar um sistema de combate enraizado nos clássicos, com HP, MP, magias e habilidades, mas com uma particularidade ou outra, únicas.

Outros, até gostavam de o conseguir fazer, mas acham que se iam perder no meio de tanta possibilidade e perder o rumo, e preferiam começar a partir de algo já bem delineado sobre o qual apenas teriam de acrescentar os seus próprios detalhes.

Para ambos estes tipos de pessoas, RPG Maker MV, agora na Nintendo Switch, oferece a solução!

 

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Um exemplo da edição possível na base de dados. Aquela coluna vazia direita, é onde a magia acontece!

 

A fazer RPGs desde 1992

Para aqueles que não conhecem a bem-sucedida série RPG Maker, esta conta já com mais de duas décadas de existência e uma dezena de iterações, espalhadas por outras tantas plataformas.

Não se tratando de um jogo, RPG Maker é um motor de criação de RPGs. Ou seja, é um pedaço de software capaz de criar jogos no formato dos clássicos JRPG, como os ilustres Final Fantasy anteriores ao VII, o célebre Chrono Trigger, o famoso Dragon Quest (antes do 3D) ou as aclamadas séries Suikoden, Shining, Phantasy Star, Mana, etc., etc. e tal…

Este é um género que tem sido alvo de um intenso reavivar nestes últimos anos, não apenas graças à pletora de recentes títulos indie, mas também de alguns AAA tais como Bravely Default, ou Octopath Traveler. Em suma, é seguro afirmar que o formato de jogos capazes de serem construídos com esta nova iteração do RPG Maker para a Switch, não fazem parte de um conceito ultrapassado. Muito pelo contrário!

Além disso, com um pouco de ingenuidade e mangas arregaçadas, é ainda possível usar as ferramentas disponibilizadas pelo programa para se gerar algo derivado, como RPGs táticos, ao gosto dos clássicos Fire Emblem ou Ogre Battle, ou ainda, algo mais virado para ação e aventura ao gosto do Zelda ou mesmo, quiçá, um metroidvania. Se bem que, para esses géneros, não existem ferramentas ou suporte nativos. Graças à flexibilidade do software, isto é de todo possível, mas não sem maior esforço e experiência por parte do criador.

Para colmatar o quão versátil este motor de criação é, basta referir que alguns títulos indie de sucesso foram de facto produzidos utilizando versões deste software, tais como o To The Moon, Ara Fell, ou The Amber Throne, para referir apenas alguns.

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A edição da imagem corre em 3 camadas. Depois temos a camada para definir regiões com diferentes efeitos e ainda a camada onde se colocam os eventos.

Switch versus o mundo (dos computadores)

Claro que, quando pensamos em desenvolvimento de software, imaginamos o mesmo a ter lugar num computador, e, naturalmente, as versões do RPG Maker para PC são bastante superiores. Assim sendo, acho por bem começar por delinear aquilo que a versão da Switch não consegue fazer.

Se as menções dos títulos supracitados deram a ideia de que o RPG Maker MV é a única ferramenta necessária para tornar alguém num autor indie, e permitir a distribuição e comercialização de um título que poderá muito bem vir a ser o próximo Stardew Valley, então, em bom português, é melhor tirar o cavalinho da chuva!

Uma vez que as aplicações para consola residem num ecossistema fechado, não temos acesso aos ficheiros que constituem a base de dados, nem podemos editar o motor propriamente dito com o nosso próprio código. Por outras palavras, somos limitados aos recursos distribuídos com a aplicação e não podemos importar as nossas próprias criações de imagem e áudio. Além disso, como referido, estamos então restritos a ter de utilizar as ferramentas disponibilizadas – se bem que estas são já bem maleáveis.

Por último, é impossível extrair o jogo e distribuí-lo noutra plataforma, apenas sendo possível fazer upload das nossas criações para o servidor proprietário. Consequentemente, ficando limitados a partilhá-lo apenas entre outros utilizadores do RPG Maker MV.

De resto, é mais dinâmico podermos selecionar elementos – quer seja do nosso código ou do mapa – com um rato, bem como escrever texto num teclado. Ter de efetuar seleções com botões ou utilizar o teclado virtual da Switch, não é de todo ideal, embora acabemos por nos habituar e adaptar rapidamente.

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Apesar de não ser ideal, a navegação por botões até funciona. E depois, temos sempre o ecrã tátil.

Dar asas à imaginação

Mas nem tudo na versão da Switch é inferior. Agora que as limitações foram tiradas do caminho, falemos das vantagens. A principal, e que é característica patente na consola da Nintendo, é a sua natureza híbrida. Não só podemos estar a criar ou testar o nosso RPG no conforto do lar, sentados no sofá, como podemos muito bem adiantar trabalho numa viagem de metro, na esplanada do café, ou até durante aqueles momentos chatos durante os jantares de família! Nenhum outro sistema oferece esta versatilidade.

Também a facilidade de acesso foi garantida, tirando proveito do ecrã tátil. Desta forma, fica mitigado a impraticabilidade de se utilizar o controlador da consola, ao se poder efetuar seleções e edições diretamente no ecrã com um simples toque. Seguramente, a alternativa superior para quem estiver já habituado ou simplesmente preferir trabalhar em dispositivos móveis.

Fora estas diferenças entre versões, nesta podemos contar com tudo o que de resto o RPG Maker tem para oferecer. Estamos a falar de milhares de recursos à nossa disposição, entre sprites, animações, faixas e efeitos sonoros, predefinições, e muito mais. O que certamente atenua o facto de não podermos importar recursos externos. Existe ainda DLC, à data de lançamento já disponibilizado um gratuito, que acrescenta ainda mais recursos. E ainda, um pequeno bónus diário sempre que nos conectamos ao servidor.

Sem dúvida que os recursos são bastantes e mais do que alguma vez se irá necessitar, garantindo a criação de centenas de jogos diferentes. Se bem que, todos partilhando o mesmo sabor distinto uma vez que usam a mesma arte. Mas talvez o ponto fulcral neste software, seja a sua facilidade de utilização, quer por utilizadores experientes, quer inexperientes.

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Alterar o fundo, modificar as animações, os sprites, o nome das variáveis, a posição dos monstros, os e os comandos disponíveis, são apenas algumas das coisas que se pode editar no ecrã de combate.

 

A ferramenta ideal para criar e aprender a criar

Tracemos então aqui, uma importante distinção semântica. Complexo é bem diferente de complicado. RPG Maker MV é sem dúvida complexo, e até bem completo, graças à miríade de funções, customizações, e recursos que temos ao nosso dispor.

Não é, no entanto, nada complicado de se começar a utilizar. A interface disponibilizada não só é intuitiva como funcional, e o facto de todas as diferentes funções relativas à gestão da base de dados estarem perfeitamente caracterizadas e catalogadas, conferem um ritmo agradável à curva de aprendizagem.

E aprendizagem, é em primeira instância, naquilo que este título brilha.

Imediatamente, mesmo para alguém sem conhecimento prévio em programação ou criação de videojogos, se pode começar a criar algo simples. E, em pouco tempo, somos capazes de dominar funções mais avançadas e dar emprego à criatividade para levar ao limite as capacidades do software, e até fazer aquilo que de início achávamos ser impossível.

Limitações à parte, RPG Maker MV para a Switch é um excelente motor de criação. Permite não só puxar pela criatividade do utilizador, como proporcionar horas de prazer a desenvolver um jogo e posteriormente partilha-lo com a comunidade e amigos, bem como, educar acerca dos processos por detrás do funcionamento de um RPG.

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Para além das ilustrações já fornecidas, é possível facilmente criar os nossos próprios personagens utilizando o editor.

Conforme já referido, não será este o software que permitirá comercializar o próximo indie de sucesso. Porém, é, sem sombra para dúvidas, um primeiro grande passo na direção certa para quem quiser saber mais sobre o tema e, é assim fortemente recomendado, a quem a sua curiosidade tiver sido espicaçada.

É importante referir ainda, que é necessário adquirir a versão paga para se poder criar jogos, mas não para descarregar e correr os criados pela comunidade, existindo para isso uma versão gratuita do software.

Aqueles nossos amigos que possuam uma Switch mas não tenham comprado o RPG Maker MV, já não vão ter desculpas para jogarem e testarem as nossas criações!

positivo Milhares de recursos à disposição
positivo Facilidade de utilização e aprendizagem
positivo Possibilidade de partilhar a criação
positivo Versão gratuita permite jogar jogos partilhados

errado Impossibilidade de adicionar recursos externos
errado Não se pode extrair o jogo para outro sistema

Data de Lançamento: 11 de setembro de 2020 (consolas)
Produtora: KADOKAWA CORPORATION
Editora: NIS America
Género: RPG, Simulação (design de jogos)
Disponível para: PC, Playstation 4, Nintendo Switch

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da NIS America. (Switch)

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