Vampire’s Fall: Origins – Análise

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O jogador de consola que pegar pela primeira vez em Vampire’s Fall: Origins, desconhecendo a sua origem – jogo de palavras intencional – irá estranhar algumas das suas particularidades, principalmente em termos de jogabilidade. Porém, quando se aperceber de que este RPG é uma adaptação de um jogo originalmente criado para os dispositivos móveis, tudo fará sentido.

Na transição, algumas das características predominantes no universo dos jogos de telemóvel parecem fora do lugar num título para consola. Outras, contudo, introduzem mecânicas interessantes, graças à sua peculiaridade.

Vampire’s Fall foi adaptado para PC no início do ano e chega agora à Xbox One e Nintendo Switch. É relativamente à consola da Nintendo que esta análise irá incidir.

 

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Uma direção artística sólida e nostálgica. O humor irreverente, do qual esta imagem é apenas um muito ligeiro exemplo, retrai da ambiência.

Uma alusão aos clássicos num formato atual

Quando se fala em jogos para telemóvel, vem imediatamente à cabeça a noção de compras na aplicação e anúncios periódicos. Naturalmente, estes foram completamente removidos nesta versão, o que gera, logo à partida, a necessidade de se balançar o jogo em conformidade, uma vez que é próprio deste formato a progressão poder ser acelerada mediante microtransações.

Em Vampire’s Fall, o avanço do nosso personagem é então lento, mas estável, quer em termos de níveis, quer de equipamento. Existem algumas exceções a esta regra, tais como itens cosméticos que, por não estarem detrás de acesso pago, estão sim com um exorbitante valor em ouro – a moeda normal do jogo.

Outra das principais diferenças na adaptação, é a total remoção das funcionalidades de comunicação. O jogo agora é inteiramente offline, não contando com PvP, ou chat – embora os criadores tenham admitido a possibilidade destas funções serem adicionadas no futuro.

 

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O mundo aberto está bem conseguido e detalhado.

Vampire’s Fall: Origins é então um jogo de interpretação de personagens, com uma ambiência imediatamente reminiscente das primeiras horas de Diablo II; mas em que a componente de ação em tempo real, típica dos RPGs ocidentais, foi substituída por encontros aleatórios e combates por turnos, um apanágio dos JRPGs.

De facto, conceptualmente, tanto os audiovisuais como as dimensões do mundo aberto são o ponto forte do jogo. Os gráficos bidimensionais incluem pormenores de excelência, tais como folhas a cair das árvores, o movimento dos reflexos de luz na água, a animação de labaredas acesas ou da névoa, a presença de pequenos necrófagos junto a cadáveres, etc…

O mundo é de facto aberto à exploração – após o tutorial – e de dimensões razoáveis para um título desta envergadura, estando os eventuais entraves à visita precoce de certos locais, na forma de inimigos poderosos, por exemplo.

Também a música ambiente é agradável e bem atmosférica. Embora, lamentavelmente, acabe por se tornar enfadonha devido à sua escassa variedade; particularmente, durante os combates.

Por sua vez, o enredo, quer da história principal quer das diversas missões paralelas, é bastante superficial e insípido. As linhas de diálogo são repletas de humor, por vezes bastante satírico ao género a que o próprio jogo faz parte, e cujo apreço fica ao critério do gosto pessoal de cada um.

Todavia, é indiscutível que o excessivo tom jocoso, presente na grande maioria dos diálogos, aliado a uma narrativa central que se apresenta ligeira e carregada de clichés, impede o total investimento do jogador na história.

 

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O ecrã de inventário permite não só gerir o nosso equipamento, como contemplar a aparência do nosso vampiro.

Um formato restritivo

Todo o jogo se centra num só alter ego vampiro e todos os combates são um contra um. A progressão do nosso personagem é feita com o dispêndio de pontos ganhos a cada novo nível, a serem gastos em habilidades passivas ou no fortalecer dos diferentes comandos disponíveis durante o combate, sendo que os pools de ambos são distintos. Este é um método que provou ser bastante eficaz, vezes e vezes sem conta, em permitir ampla personalização dos personagens. Em Vampire’s Fall, a tendência mantém-se.

É possível personalizar a aparência do nosso vampiro, no início do jogo, e escolher uma de quatro linhagens que definem as habilidades disponíveis durante o mesmo. Ao longo da aventura, todo o equipamento, desde as armas à armadura, é bem visível na aparência do protagonista, tanto nos menus de equipamento e estatísticas, bem como durante os combates. Infelizmente, o mesmo não ocorre na aparência deste quando explora o mundo.

É então esta personalização, estética e funcional, que mantém a jogabilidade aliciante. Também a sucessão de diversas demandas e tarefas, geram um ritmo de jogo que, apesar de monocórdico, consegue ser bastante viciante.

Os combates, embora se apresentem num formato original, mas dentro do género, são na mesma bastante simples e limitados em diversidade. Embora a jogabilidade seja interessante, com um leque de opções e mecânicas únicas, cedo se atinge um ponto em que estamos condicionados a usar as mesmas habilidades com o mesmo personagem. Fundamentalmente, este resume-se a escolher as mesmas quatro ou cinco opções, de entre um leque de cerca de uma dúzia, “ad nauseam”.

De salientar que um dos aspetos de maior particularidade e interesse na jogabilidade, proveniente do facto do jogo ter originado como versão móvel, é o de podermos fazer poções em tempo real enquanto exploramos o mapa, falarmos com personagens, ou combatermos.

 

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O ecrã quer permite personalizar as habilidades passivas. Bem característico e detalhado.

Em termos de acessibilidade, a Switch apresenta-se como a melhor plataforma à conversão de um jogo de telemóvel, uma vez que a própria consola é um dispositivo móvel. Podemos dar uso ao ecrã tátil, como faríamos na versão original, ou podemos a qualquer altura passar a usar os comandos. É possível até arrastar itens no inventário só com os botões, mas o seu movimento é insatisfatoriamente lento.

Apesar de tudo, algumas das atribuições de botões são um bocado confusas. A título de exemplo, o facto de o indicador do mapa estar no lado direito e o do menu principal do esquerdo, mas os seus botões estarem em lados opostos no comando – esquerdo e direito, respetivamente.

Como sempre, a possibilidade de jogar em frente ao grande ecrã, ou pequeno, é uma mais-valia, especialmente num título que é focado em investir horas no progresso do mesmo personagem.

 

 

A Origem da Queda ou Queda da Origem?

Em suma, a jogabilidade em Vampire’s Fall: Origins é simplista, mas equilibrada e viciante. A apresentação é de qualidade, bastante nostálgica e remissiva dos clássicos de outrora, mas bem atual e detalhada. A arte gráfica, em particular dos cenários, está muito bem conseguida.
Já o interesse pela história dissipa-se rapidamente, o que acontece para detrimento da estética audiovisual, a qual poderia criar um mundo muito mais imersivo se a narrativa estive em par com o ambiente.

O excessivo jogo de trocadilhos e piadas ligeiras, os quais roubam à seriedade do tema e ao tom sombrio do jogo, não tornam este título indicado para amantes de imersão ou de uma rica narração num RPG.

A jogabilidade, no que toca à consola, perde um pouco devido às influências oriundas do mundo do free-to-play móvel e do suprimir de funcionalidades online. Apesar disso, os ajustes feitos para balançar o jogo foram bem-sucedidos, e a característica híbrida da Switch permite apreciar o formato no pequeno e grande ecrã.

Para apreciadores da versão de telemóvel, que queiram uma forma simples de eliminar as microtransações do seu jogo, não se importem de perder o PvP, e estejam interessados em visualizar Vampire’s Fall no grande ecrã, esta adaptação é certamente bem-vinda.

positivo Arte visual detalhada
positivo Mundo aberto

errado História banal e unidimensional
errado Combate repetitivo
errado Jogabilidade estática
errado Só disponível conteúdo offline

Data de Lançamento: 17 de setembro de 2020
Produtora: Early Morning Studio
Editora: Early Morning Studio
Género: Ação, Aventura
Disponível para: PC, Xbox One, Nintendo Switch, Android, iOS

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Plan of Attack. (Switch)

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