Aquanox: Deep Descent – Análise

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Aquanox: Deep Descent levou-me até ao fundo do mar para descobrir todo um mundo que desconhecia – a série Aquanox. Confesso que submergi um pouco às escuras sem saber propriamente o que me esperava no fundo do mar. Após várias horas debaixo de água, e a navegar pela zona abissal do oceano, posso dizer que andar de submersível teve os seus altos e baixos (e não, as correntes não foram as culpadas).

O jogo tem uma forte componente singleplayer, com uma narrativa focada num futuro distópico onde o mundo que todos conhecemos está agora submergido e faz parte do passado. Fazemos parte de um grupo de soldados que foi acordado após vários anos num sono profundo (congelação ou, se preferirem, criostase) e deparam-se com todo um mundo completamente diferente. Os recursos são escassos e existem diversas fações a lutar pelo controlo debaixo de água, a nova terra habitável – o tal quase mundo invertido. Sem revelar mais sobre a narrativa, achei que a mesma tem algumas partes interessantes, mas que acaba por arrastar mais do que devia em certos momentos.

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Vale a pena explorar o fundo do oceano.

O fundo do mar guarda muitos segredos

O mundo do jogo está separado por várias zonas com diversos biomas e a deslocação entre elas é feita através de alguns portais que se encontram nas extremidades dos mapas. Infelizmente, este sistema de transporte não funciona muito bem pelo simples facto que nos obriga a viajar mais do que devia, resultando, a médio prazo, em largos minutos perdidos a atravessar o oceano e sem nada para fazer.

Toda a zona explorável contém diversos locais com loot para apanhar, mas uma vez esse obtido, as zonas ficam desertas em termos de atividades. Ora quando o jogo nos obriga a viajar vários portais para chegar a um determinado local, as viagens acabam por se tornar extremamente aborrecidas e que mais parecem não acabar. Não seria muito mais fácil se fosse permitida a viagem direta logo para a zona em questão? Mas não, o jogo obriga-nos a viajar de A a D, passando obrigatoriamente pelas zonas B e C. E atenção que estou a ser bondoso, pois houve missões onde tive de passar por cinco a seis portais para chegar ao destino, provavelmente até mais. Um autêntico exagero completamente evitável e que poderia facilmente ter sido opcional.

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Os submergíveis podem ser melhorados de diversas formas.

Preparem-se para longas viagens submersas

O jogo conta com vários submersíveis à nossa disposição, cada um deles com características específicas. Alguns mais leves e rápidos, mas menos resistentes, outros mais robustos e lentos, mas com uma maior proteção. Estes veículos podem ser melhorados com o loot que vamos apanhando no fundo do mar e também com os créditos que vamos ganhando nas missões. Existem um mercado que permite comprar ou vendas certos itens necessários para as melhorias, caso tenham em falta algo específico.

Todos estes melhoramentos e aquisição de munições, bem como aceitar novas missões, só podem ser feitos numas determinadas estruturas que se encontram em algumas zonas. Por um lado, percebo que resulta de uma decisão para tornar todo o mundo mais plausível. Porém, houve situações em que precisava adquirir mais munição e o jogo colocou-me numa posição de duas ou três missões de seguida, sem a possibilidade de retornar a uma base, o que resultou em enormes dificuldades pois os meus recursos já estavam limitados. Se isto pudesse ser feito através do menu, não teria tido enormes picos de dificuldade em alguns momentos, onde eram constantes as ondas de inimigos para derrotar.

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Existem diversos destroços no fundo do mar, vestígios de uma realidade agora extinta.

Ter vários veículos à disposição é bom, mas senti alguma falta de balanço na hora dos melhoramentos. Mesmo apesar de tentar apanhar o maior número de loot com o qual me ia cruzando ao atravessar o fundo do mar, a dada altura senti que mal chegava para fazer melhoramentos aos submergível que estava a usar, sem mencionar todos os outros que vamos desbloqueando com o progresso da narrativa. Isto porque os recursos parecem nunca ser o suficiente, obrigando ainda mais à exploração, bem como obrigar a fazer missões secundárias. Mesmo tendo utilizado o mesmo veículo cerca de 60 a 70% da campanha, uma vez fui “obrigado” a mudar para um mais rápido para fazer uma corrida, e nem o pude melhorar porque não tinha créditos ou materiais suficientes. Pior ainda foi quando logo após essa missão da corrida, o jogo obrigou-me a fazer mais uma ou duas missões de seguida, o que me colocou numa posição de combate com um submergível rápido, mas menos eficaz em combate a curta distância.

Algumas missões têm picos de dificuldades e a duração dos combates vai muito mais além do que seria necessário, impingindo facilmente alguma fadiga por ser sempre o mesmo. Na verdade, diria que muitos combates estão mal otimizados em termos de balanço. Isto fez-se notar mais ainda nos tais momentos que não me deixavam regressar à base, entre missões, para poder adquirir mais munição e restaurar as condições físicas do veículo.

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Os humanos não são o único perigo no fundo do mar. Eles estiveram sempre lá, nós é que não.

De uma forma geral, o mundo do jogo está bem concebido, com algumas zonas distintas derivado aos seus biomas. O fundo do mar tem um bom layout, sempre com diversas grutas e caminhos para explorar. Como devem imaginar, tirando uma zona ou outra, o mundo acaba sempre por ser consideravelmente escuro, mas, afinal de contas, estamos no fundo do mar, certo? A música presente no jogo é encaixa perfeitamente no ambiente, mas também quero salientar o bom trabalho sonoro do que diz respeito aos barulhos no fundo do mar.

Para além da campanha, a qual pode ser jogada em co-op até quatro jogadores, o jogo oferece um modo multiplayer para todos aqueles que gostarem mesmo do jogo. Digo isto porque o online não oferece nada mais do que os habituais Deathmatch e Team Deathmatch. Não há nada de novo aqui, portanto só os verdadeiros fãs é que deverão dedicar algumas horas à vertente online.

Aquanox: Deep Descent acaba por ser uma proposta com alguma qualidade no que diz respeito ao modo singleplayer. A narrativa não é soberba, mas proporciona facilmente umas boas horas de jogo num mundo diferente do habitual, com diversos veículos à disposição, bem como um vasto arsenal e habilidades por usar. Os combates são intensos, mas contam com alguns picos de dificuldade um pouco estranhos. A exploração aquática é interessante, mas a obrigatoriedade da deslocação entre zonas, acaba por prolongar o jogo muito mais do que devia. Acima de tudo, a experiência tem momentos positivos, mas onde decisões menos boas acabam por impedir que a viagem fosse mais prazerosa e menos atribulada.

positivo Diversos biomas
positivo Vários veículos disponíveis
positivo Boa quantidade de armamento e habilidades
positivo Sistema de crafting

errado Somos obrigados a viajar pelas zonas todas
errado Alguns picos de dificuldade
errado Missões secundárias “obrigatórias” se quiserem evoluir diversos veículos

Data de Lançamento: 16 de outubro de 2020
Produtora: Digital Arrow
Editora: THQ Nordic
Género: Gestão
Disponível para: PC (consolas brevemente)

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise. (PC)

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares. @bakum4tsu

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