Space Crew – Análise

space crew análise

Afinal os homenzinhos espaciais verdes nunca existiram. São é roxos e definitivamente não vieram em paz!

Compete à U.D.F. – United Defense Force – defender a Terra desta ameaça alienígena conhecida como os Phasmids! Nesta batalha pela sobrevivência da raça humana, uma só nave e tripulação fazem toda a diferença! Ou várias, conforme as anteriores forem sendo aniquiladas e substituídas…

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Ele lá treta tinha, mas no fim, a tripulação do Indigo Serenity deu conta do recado!

 Junta-te à U.D.F., faz a tua parte!

Space Crew é um jogo de simulação em que, como o nome indica, assumimos controlo de uma tripulação de cinco cadetes espaciais, numa nave com mais postos de comando do que pessoas para os ocupar. A dificuldade começa por aí e demarca à partida um dos principais aspetos deste jogo que é a o micromanagement.

Neste título que é uma sequela ao Bomber Crew, mas no espaço, não vale a pena ficar muito familiarizado com a tripulação ou mesmo com a nossa nave. Isto porque é muito fácil perder uma ou outra, ou até mesmo ambas ao mesmo tempo!

O jogo é notoriamente difícil. O sucesso das missões depende tanto da preparação prévia – levada a cabo na estação espacial Athena, orbitando o planeta Terra – como da boa gestão e estratégia durante as missões.

Começamos devagar com uma tripulação e nave aleatória; tal qual o fazemos de todas as vezes que a atual é morta ou destruída, respetivamente. Mas, à medida que vamos completando missões, desbloqueamos novas tecnologias, equipamentos para a tripulação e novos sistemas para a nave. Nave esta que é sempre o mesmo modelo, com exceção dos upgrades que vão sendo instalados por nós.

Quem estiver à espera de uma simulação espacial minimamente realista, não o irá encontrar em Space Crew. Em vez disso, temos uma simulação enraizada nos clichés da cultura popular do que seria pilotar uma nave espacial num imaginário futuro distante. Pouco realista, mas seguramente divertida e facilmente reconhecível aos fãs do género.

 

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Um fogo a bordo; o gerador de gravidade a precisar de reparação; sob fogo inimigo constante, dois oficiais tiveram de abandonar os postos e manejar os canhões… Uma terça-feira normal.

 

Cada elemento da tripulação cumpre uma tarefa ou, mais tarde e à medida que adquirem experiência, quem sabe duas. Desde o piloto até ao oficial de comunicações, cada um necessita estar no seu devido posto para ser capaz de cumprir a sua função em pleno; passando pelo engenheiro, artilheiros, e oficial de segurança. No entanto, como já referido, uma vez que existem mais postos que pessoas, a necessidade de rotação dos elementos é um dado adquirido.

Por exemplo, e uma vez que em combate todo o poder de fogo que conseguirmos reunir é bom, enquanto tivermos de remover apenas a engenheira de serviço ou o oficial de comunicações dos seus postos para manejarem dois dos canhões desocupados, já não é mau. Mas usando o mesmo exemplo, já não seria possível gerir a prioridade energética dos sistemas da nave, ou requisitar um esquadrão de caças para providenciar cobertura de fogo, uma vez que removemos dos devidos postos os oficiais capazes de o fazer.

Pior – e muito comum – é este outro exemplo. Se devido ao fogo inimigo se desencadear um incêndio no interior da nave, então um membro da tripulação terá de recolher um extintor para o apagar, ou ainda, se formos abordados por alienígenas, será necessário correr em busca das pistolas lasers para os tentar eliminar.

De facto, é muito fácil perder o controlo. Não existem segundas chances já que o progresso é gravado automaticamente e a morte de um membro da tripulação é permanente.

A alternativa à derrota iminente será utilizar cápsulas de fuga – se estas existirem em número suficiente – e fugir para lutar outro dia, perdendo a nave no processo e, talvez mesmo assim a tripulação toda, na eventualidade da que vier ocupar o seu lugar não os resgatar dos confins do espaço.

Este ligeiro aspeto roguelike faz até das missões mais simples um verdadeiro desafio, já que o risco de perdermos a tripulação e nave nos quais tanto tempo e créditos investimos, é bem real!

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Para além da função de acelerar o tempo – que raramente temos oportunidade de usar… – há também a possibilidade de abrandar o tempo por breves instantes. Útil nos momentos mais críticos!

 

Uma nave e tripulação à tua medida!… ou várias…

Talvez o ponto mais forte desta gestão personalizável é a mesma abarcar o aspeto da nave e dos seus tripulantes. É certo não existir uma enorme variedade de modelos de cabelo, olhos, cor da pele, e afins, à nossa escolha. Mas as que existem, juntamente com o podermos editar os seus nomes, são suficientes para garantir que não haverá duas tripulações iguais – a menos que seja esse o nosso desejo.

De facto, a criação de uma história de fundo para cada tripulante, e para a Space Crew em geral, fica ao encargo da nossa imaginação, muito à semelhança de títulos como Etrian Odyssey. É algo que simplesmente funciona para criar afeto e faz-nos não querer perder as nossas preciosas criações – mais do que os níveis, habilidades e equipamento que, entretanto, adquirimos e nelas investimos.

Reiterando, também a nave espacial pode ser completamente personalizável; desde o nome, até aos autocolantes no exterior, passando pelo esquema de cores. Obviamente, não menos importante, são as armas; motores; blindagem; e geradores de escudo, oxigénio, e gravidade artificial que vamos adicionando.

Importante notar que, apesar da envolvência fictícia e reminiscente das clássicas space operas do final do século XX, alguns aspetos da física newtoniana estão presentes e adicionam um realismo deveras desafiante.

É rotineiro desviar a energia do gerador de gravidade para as armas ou escudos, mas depois quando um membro da tripulação – ou alienígena invasor – tenta deslocar-se no interior da nave, fá-lo com muita dificuldade em gravidade zero. Apagar um incêndio com um extintor é fácil com gravidade normal, mas na ausência desta, a emissão dos gases do extintor propela o tripulante no sentido contrário, dificultando a extinção do incêndio.

Ao direcionar o engenheiro para reparar um motor no exterior da nave, estamos sujeitos a que uma súbita mudança de rota da nave – colisão com um asteroide, por exemplo – o arremesse para o espaço sideral. Também quando na nave houver mais focos de incêndio do que o manejável, fazer o oficial de segurança abrir a eclusa de ar e purgar o oxigénio da nave, é uma excelente forma de rapidamente extinguir todos os fogos. Porém, os elementos da tripulação que não estejam devidamente ancorados aos postos, também acabam sendo atirados para o vácuo do espaço…

São bastantes as decisões difíceis que têm de ser tomadas rapidamente.

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Sim a minha nave já teve melhores dias, mas também já teve piores. Bem piores…

As missões em si são diversas, mas ao fim de algum tempo tornam-se repetitivas. Resumem a saltar de jumpgate em jumpgate até ao destino, fazer qualquer coisa, e regressar novamente à base (de preferência intactos), ao mesmo tempo que enfrentamos inimigos no caminho.

A mecânica desses jumpgates é interessante. Retirada da cultura pop da ficção científica, não basta aproximar do portal e saltar para o próximo sector espacial. É necessário fornecer coordenadas para o salto e redirecionar toda a energia (ou quase toda, com um reator melhor) da nave para os motores, desativando assim armas e escudos, e ficando à mercê dos inimigos. Estas coordenadas para o salto, na presença de forças hostis, demoram muito mais a serem transmitidas, uma vez que necessitam de encriptação.

Uma mecânica bem explicada no âmbito da estrutura interna do mundo ficcional que, externamente, cria uma situação de risco-recompensa a ser bem ponderada.

Por último, resta frisar que os controlos estão bem mapeados e facilmente nos habituamos a eles. É uma pena que na conversão para a Nintendo Switch não tenha sido aproveitada a funcionalidade do ecrã tátil.

Já o modo de mira, usado para selecionar pontos de referência para traçar a rota da nave, ou marcar alvos a abater, aproveitou ao máximo todo o potencial dos controlos de movimento. Este modo de navegação e operação é também bastante prático, uma vez que basta selecionar os alvos e não nos preocuparmos mais com isso. Com isto, ficamos livres para lidar com todas as fugas de radiação, ordens à tripulação, ou peripécias inesperadas com que somos confrontados e que exigem todo a nossa atenção.

O cenário espacial está bem adequado, quer para as capacidades da consola, quer com a restante direção artística do jogo, proporcionando boa ambiência à intrépida exploração espacial. Também a faixa sonora, embora não muito variada, cai em linha com toda a atmosfera espacial.

 

Junta-te à Tripulação!

Space Crew é um jogo bem desafiante e que requer uma constante atenção e capacidade de gestão minuciosa por parte do jogador. A temática sci-fi dos anos 80 e 90 está bem retratada e as referências à cultura pop estão por todo o lado, para quem as souber encontrar. Infelizmente, a jogabilidade repetitiva pode limitar a longevidade do título, que de outra forma apresenta-se como uma tirada única nos jogos de estratégia e (ligeira) simulação espacial.

positivo Simulação imersiva e personalizável
positivo Missões desafiantes
positivo Mecânica de morte permanente acrescenta desafio

errado Jogabilidade repetitiva 

Data de Lançamento: 15 de outubro de 2020
Produtora: Runner Duck
Editora: Curve Digital
Género: Ação, Aventura, Estratégia, Gestão
Plataformas: Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise. (Switch)

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