The Red Lantern – Análise

the red lantern análise

Há pessoas que são bastante decididas e sabem bem o que querem do seu futuro. Em contrapartida, temos todos aqueles que hesitam em certos momentos e que levam uma vida de incertezas e dúvidas existenciais. Não é que isso seja um problema. Ninguém é obrigado a obter uma resposta rápida através de uma voz interior que está lá para nos guiar sempre que necessário. Nem sempre essa voz funciona, nem sempre essa voz fala connosco. Nem sempre existe um tapete vermelho estendido à espera de ser atravessado. Às vezes as coisas são bem mais difíceis do que queremos e, numa última cartada, atiramos tudo pela janela e tentamos uma derradeira jogada final para ver se resulta. Isto é The Red Lantern.

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O acampamento – local onde nos podemos alimentar e descansar. Nós e os cães claro!

A caminho de uma nova vida

O jogo é um roguelite com foco na narrativa, a qual nos leva a atravessar o Alasca em busca de uma nova casa. Como já dei a entender, a personagem principal procura dar um novo rumo à sua vida e é essa viagem que vamos poder experienciar. Começamos a aventura juntamente com o nosso amigo canino, mas este não estará só. Podemos escolher outros quatro cães para se juntar à nossa viagem pelas terras cobertas por um infinito manto branco. Cada um destes animais tem uma pequena história associada e, se explorarem bem, é possível que possam ver novos desenvolvimentos de cada uma delas.

Para fazermos o percurso até à nova casa, temos ao nosso dispor uma arma (com algumas balas), alguma comida, um pequeno estojo médico, bem como material para fazer uma fogueira. O nosso objetivo é chegar ao destino, mas isso dificilmente irá acontecer nas primeiras runs, pois eventualmente irá faltar comida para nos alimentarmos, sem esquecer os cães obviamente. É claro que depois encontramos diversos animais pelo caminho e podemos caçá-los para obter comida, mas atenção! A munição ao nosso dispor é bastante reduzida, então não podemos caçar tudo o que nos aparece à frente. Para os animais se alimentarem, é necessário montarmos um acampamento, mas para além deles, também nós podemos fazê-lo nesse momento. Par tal, é necessário criar uma fogueira, mas se por alguma razão não a conseguirmos fazer, podemos na mesma comer a carne crua, mas com o risco de vermos reduzida a nossa barra de energia. A viaja também desgasta a mesma, e só dormindo é que ficará novamente na sua máxima capacidade. Para nós e para os cães claro.

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Para caçar, não basta disparar. Existe um mini jogo onde temos de disparar no exato momento e, mesmo assim, não é garantido que seja bem sucedido.

Explorem e serão recompensados

Cada vez que perdemos, essencialmente porque nós ou os animais não nos conseguimos alimentar, o jogo inicia novamente, mas sempre com determinados itens que tenhamos apanhado no playthrough anterior. Por exemplo, dependendo da zona por onde viajamos, podemos apanhar diversos itens que irão facilitar as runs seguintes. A determinada altura, apanhei uma ferramenta que permitia fazer uma fogueira sem que necessitasse de mais nada para tal. E acreditem, isto é extremamente importante. Outro item bastante essencial que consegui apanhar foi uma cana de pesca. Esta permite que possamos pescar em certas zonas, proporcionado mais uma forma de obter comida para sobrevivermos. O machado é outra ferramenta que podemos encontrar, o qual pode servir para abrir portas, entre outras coisas.

Estes são só alguns dos itens que podemos encontrar e é possível chegar ao fim do jogo sem que tenhamos todos. Quando terminei o jogo pela primeira vez, com cerca de três horas de tentativas (sim, não é muito), penso que só tinha dois destes importantes itens. Acima de tudo, com o progresso do jogo, este fica cada vez mais fácil de ser terminado porque somos recompensados com os equipamentos necessários para o sucesso, caso decidamos explorar sempre que possível.

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É impossível ficar indiferente aos cenários apresentados em determinadas alturas do dia. Ou da noite!

A exploração do jogo fica sempre ao nosso critério e o mesmo faz questão de perguntar o que queremos fazer perante determinadas situações. Avistamos uma casa na colina, vamos lá investigar ou preferimos não correr perigo? Um dos nossos cães farejou qualquer coisa, arriscamos a ver o que é ou prosseguimos viagem? Damos de caras com um enorme veado, vamos matá-lo para obter carne? Isto se tivermos balas claro! São imensas as decisões que somos obrigados a fazer e, no final, acaba por ser toda uma gestão de recursos. Precisamos de descansar? Então vamos a isso. Estamos a ficar com fome, mas não temos comida? Precisamos caçar um animal ou pescar! Isto se a oportunidade aparecer antes de passarmos certas zonas que dão o jogo por terminado, caso tenhamos a barra de vida no vermelho, tanto para nós como para os cães. Não se preocupem, o jogo irá informar-vos dessa mecânica que pode ditar o fim da run atual.

O mundo conta com diversos eventos aleatórios, alguns dos quais podem passar ao lado caso não decidamos explorar ao máximo. Depois de várias runs, dei com uma situação engraçada. Um dos cães alertou para qualquer coisa que estava por perto e então decidi parar. Quando fui investigar, era um lobo que estava preso numa armadilha. Decidi salvá-lo (bem que podia tê-lo morto para obter comida…) e o nosso cão acabou por ficar contente pela decisão. Mais tarde, após mais algumas “horas” de viagem, voltámos a encontrar esse mesmo lobo e o nosso cão brincou um bocado com ele. Pude observar os dois na brincadeira durante breves momentos, mas quando o jogo me questionou se podíamos seguir caminho, não consegui resistir e deixei-os brincar mais um pouco. E agora perguntam-me: “Sim, e então? O que tem isso de especial?” Ora o que tem de especial é simplesmente o facto de esta não ter sido a primeira vez que salvei o lobo da armadilha, mas na primeira vez nunca me reencontrei com o mesmo, tornando esta segunda vez mais especial. Quem diz isto, diz muitos outros exemplos os quais não irei descrever para preservar o fator surpresa. Isto para dizer que, acima de tudo, vale a pena explorar.

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You can pet your dog!

Há pouco referi que terminei o jogo com cerca de três horas. À primeira vista pode parecer extremamente curto, mas a verdade é que mesmo depois de terminar, existe mais conteúdo por desbloquear, mais itens por apanhar, mais encontros por experienciar. É no Journal que podem verificar tudo isso e tem imensa informação interessante, bem como todos os itens que nos falta encontrar. Acaba por ser uma forma de incentivo para continuar a jogar e, quem sabe, obter novos diálogos nunca antes vistos, bem como eventos no mundo.

The Red Lantern tem um visual muito simples, mas é tão eficiente quanto o necessário para o tipo de experiência que é. Apesar dos cenários minimalistas e pouco detalhados, nunca senti que isso diminuísse a qualidade da mesma. Porém, não posso deixar de mencionar que é durante a noite que as coisas ficam muito mais interessantes de observar, com enormes céus estrelados e incríveis auroras. Isto enquanto ouvimos as conversas solitárias da personagem principal, refletindo sobre o desafio atual e se tudo aquilo valerá a pena ou até se será capaz de superar o atual obstáculo.

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O momento em que damos autorização aos cães para atacarem alguns animais. Tudo pela sobrevivência claro.

Alguns problemas durante a viagem

Infelizmente, também é no departamento visual que existem alguns problemas, nomeadamente queda de frames ou pequenos bugs nas animações. Foram várias as situações em que o jogo apresentou problemas, tais como o menu da pausa ficar encravado no ecrã enquanto o jogo continuava a correr, ou quando estava acampado e continuava a mostrar o trenó a ser puxado do lado esquerdo do ecrã. Outra situação ainda foi quando disparei e matei um veado, mas não mostrou a animação nem ouvi o disparo. A verdade é que deu o áudio como se o tivesse feito e a carne também foi efetivamente adicionada ao trenó.

Para além destas, também tive outras estranhas situações, mas as quais não vale a pena descrever por serem do mesmo género.  Como podem ver, foram demasiadas as vezes que fui assombrado por problemas, embora estes não tenham comprometido a minha experiência.

Não quero, nem posso, terminar a análise sem mencionar a qualidade da banda sonora. Consiste numa relaxante música ambiente, a qual nos transmite uma autêntica paz de espírito enquanto atravessamos locais completamente desertos de presença humana, e com um brutal céu estrelado durante a noite. O voice acting é de alta qualidade e só depois de terminar o jogo é que fui procurar saber quem era a atriz por detrás daquela voz tão cativante. Fiquei a saber que era nada mais nada menos que Ashly Burch, a pessoa que deu a voz a Aloy de Horizon Zero Dawn ou Chloe Price the Life is Strange, entre muitos outros jogos.

The Red Lantern foi praticamente aquilo que esperava. Digo praticamente porque não sei até que ponto não preferia uma narrativa normal sem elementos roguelite. Seja como for, a implementação dessa mecânica está muito bem aplicada à narrativa e também acaba por resultar em algo bastante interessante. Gostei do facto do jogo poder ser terminado rapidamente, mas sempre dependendo da forma como gerimos os recursos à nossa disposição, sem esquecer o fator sorte claro. Adorei o voice acting, bem como a banda sonora, os quais contribuem de forma soberba para elevar a qualidade do jogo. Infelizmente, alguns dos problemas técnicos podem perturbar os mais sensíveis, embora na minha experiência, nunca tenham colocado em risco o meu progresso ou divertimento. Mais do que tudo o resto, acho que este jogo poderá ser bastante importante para muitas pessoas que se identifiquem com o problema da personagem principal, e quem sabe, ajudá-las a tomar uma decisão que melhore a sua vida.

positivo Narrativa simples, mas com uma forte mensagem
positivo Gestão de recursos
positivo O jogo incentiva vários playthroughs
positivo Voice acting e banda sonora

errado Diversos problemas técnicos

Data de Lançamento: 22 de outubro de 2020
Produtora: Timberline Studio
Editora: Timberline Studio
Género: Aventura
Plataformas: Microsoft Windows, Nintendo Switch

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise. (Switch)

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares. @bakum4tsu

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