SpellForce 3: Fallen God – Análise

SpellForce 3 Fallen God análise

Ao longo das últimas gerações, tem sido possível verificar uma prática comum com o objetivo de nos dar a possibilidade de retirar o melhor de dois mundos: a combinação entre os géneros RPG e RTS. SpellForce 3 encontra-se dentro deste género híbrido com a sua nova expansão Fallen God. Esta presenteia-nos uma nova fação (Trolls), uma nova aventura, e a exploração de um novo continente chamado Urgath. De salientar que esta expansão pode ser jogada sem a necessidade de ter o jogo original e a narrativa também não é afetada.

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Urgath é mundo que tem muito para oferecer

Um híbrido muito familiar

 Ambos os géneros (RPG e RTS) oferecem-nos uma jogabilidade familiar encontrada em muitos outros títulos. Começamos por caracterizar a nossa party de quatro elementos, sendo esta muito simples, ficando ao nosso critério a escolha das características faciais e físicas das personagens, bem como a escolha da classe, habilidade e atributos. As nossas personagens sobem de nível e ganham novos pontos de habilidade à medida que vamos combatendo, realizando quests e desvendando novos itens. Esses pontos são, posteriormente, gastos na árvore de habilidades.

A mecânica de combate é, tal como a caracterização, bastante simples e direta, através do sistema click and fight. Ao avistarmos um adversário, as personagens partem para o ataque (básico) de forma automática, mas, no caso de querermos usar uma determinada habilidade, basta selecionar e escolher o adversário.

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Criar uma equipa diversificada é a chave para vencer as nossas batalhas.

A mecânica RTS é introduzida no decorrer do jogo após termos o primeiro contato com a nossa comunidade, mais concretamente com o antigo líder da tribo, e é nossa responsabilidade proteger a capital, caso contrário perdemos o jogo. De forma a expandirmos esta, através da criação de novos edifícios, trabalhadores e soldados, necessitamos de bens essenciais como: madeira, comida, pedra, ferro e oferendas – tributo aos deuses.

Confesso que, numa primeira instância, achei esta vertente “dispensável”, isto porque estava completamente imerso na restante oferta do jogo – a narrativa, as personagens, os diálogos -, e apenas queria avançar com a história sem estar preocupado em defender a nossa capital, principalmente quando os recursos são escassos e os ataques constantes. Porém, no final, a mistura destes elementos enaltece a nossa experiência, tornando-o num jogo de estratégia muito interessante.

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Existem sempre demasiadas surpresas enquanto exploramos Urgath

O renascer de uma capital

A narrativa é muito cativante e bem delineada, com a vertente de ter múltiplos finais. Introduz-nos a tribo de Moonkin, uma tribo nómada, que se encontra em constante fuga devido a uma praga mortal e a ataques constantes de outras raças derivado das características físicas das nossas personagens, mais concretamente os seus dentes. Por serem nómadas, têm características inerentes e diferenciadas em relação a outras raças: podem mudar de localização em instantes e têm a habilidade de forjar e obter itens a partir do equipamento dos nossos adversários.

Nós controlamos quatro personagens ao longo da aventura. São eles: Akrog, o mais recente líder da tribo, Zazka, Noag e Grungwar. A nossa aventura, na sua essência, trata-se de uma pela sobrevivência, não só das nossas personagens, mas também da nossa tribo. Ao longo da nossa viagem enfrentamos uma série de confrontos, a começar logo no início do jogo, quando na cerimônia de posse de Akrog, somos confrontados com uma invasão de uma outra fração. Este ataque teve enormes consequências para a nossa tribo, obrigando-nos a descobrir um novo local para recomeçar.

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A expansão da nossa tribo construindo novas capitais

Tal como mencionado, o nosso objetivo passa por proteger a nossa tribo e para isso temos que conquistar novas áreas – um elemento essencial, pois aumenta o limite da nossa população e ficamos habilitados a colher novos recursos -, evoluir e expandir a nossa capital, combater outras frações e os mais variados animais. Além disso, estes tempos conturbados obrigam a encontrar soluções fora da caixa. Posto isto, a própria narrativa introduz um novo elemento, o qual resulta na aparição de um Elfo. É com a sua magia negra que ressuscita um Deus, o qual por si irá ressuscitar alguns dos membros da tribo que tinham sido mortos no ataque inicial. Apesar de ficarmos, de certa forma, reféns deste Elfo, e do seu poder, esta parelha é essencial caso queiramos salvar a nossa tribo.

Seria difícil imaginar um jogo desta dimensão sem um bom ambiente gráfico. Urgath presenteia-nos com um mundo extremamente imersivo devido aos seus bosques coloridos, às grutas misteriosas e aos seus templos perdidos no tempo. É um ambiente inovador num título de RPG?! Diria que não, mas isso não diminui o poder de imersão que o ambiente cria em nós, isto aliado a uma banda sonora incrível que cria de forma quase perfeita o ambiente para a ação que vamos realizar. Todos estes fatores formam uma harmonia magistral.

SpellForce 3: Fallen God tem uma duração aproximadamente de 15 horas e pode ser jogada em co-op com outros três jogadores. É uma experiência rica que cumpre todos os requisitos para os amantes de RPG. Apesar de não se tratar de um título inovador, a soma de todas as suas partes oferece-nos um produto muito bom, desde a sua narrativa, às suas personagens e tradições, sem esquecer a banda sonora! Além disso, o facto de ter múltiplos finais provoca-nos para voltar a explorar o mundo de Urgath.

positivo Combinação das mecânicas RPG e RTS
positivo Narrativa convincente
positivo Personagens cativantes
positivo Jogabilidade familiar e simples

errado Nada de relevante a salientar

Data de Lançamento: 3 de novembro de 2020
Produtora: Grimlore Games
Editora: THQ Nordic
Género: Estratégia
Plataformas: Microsoft Windows

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise. (PC)

Autor: Tiago V. Marques

"Nobody knows what's gonna happen at the end of the line, so you might as well enjoy the trip." -Manuel "Manny" Calavera, Grim Fandango

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