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Ghostrunner

Foi em maio que tive a oportunidade de jogar a demo de Ghostrunner e da qual resultou um texto com as minhas primeiras impressões. A demo foi relativamente curta, mas deu claramente para perceber que tipo de jogo estaria à minha espera quando chegasse a hora do seu lançamento. Ora passados mais de seis meses, eis que Ghostrunner foi finalmente lançado e tenho andado a jogar a versão final.

Para quem possa desconhecer, é um jogo que tem como base a vertente parkour de Mirrors Edge e Titanfall, mas em que nos dão uma katana para a mão de forma a assassinar tudo o que se mexe. Diria mesmo kill or be killed, pois o jogo é altamente implacável. A demo já tinha dado a entender sobre a sua exigente jogabilidade e precisão, mas, agora com o produto final, ficou bem claro que este não é um título para os menos resilientes. Na verdade, este é um dos pontos que tanto pode ser visto como positivo ou negativo. A sua extrema letalidade acaba por nos exigir altos níveis de concentração, resultando num sentimento de conquista cada vez que conseguimos sobreviver a mais um confronto. Por outro lado, a frustração faz parte da experiência a tempo inteiro pois é normal morrer muitas vezes. É inevitável. Tirem já os cavalinhos da chuva se acham o contrário.

ghostrunner nivel extra 1
Os detalhes visuais dos níveis estão incríveis.

Este é daqueles jogos de tentativa-erro onde nos vamos apercebendo qual o melhor percurso para abordar certos inimigos e plataformas. Das várias zonas que joguei até ao momento, algumas delas deu para ultrapassar sem eliminar todos os inimigos, mas nem sempre é assim. Na verdade, o jogo requer que eliminem toda a oposição na maioria das vezes, o que acaba por tornar tudo muito mais penoso e, consequentemente, com todas as garantidas mortes, repetitivo.

É certo que vamos obtendo alguns upgrades ao longo do jogo, os quais podem facilitar a nossa movimentação no terreno, bem como nos podem dar alguma vantagem em combate. Porém, continua lá a penalização de sermos mortos em apenas um hit e, relativamente a isso, não há volta a dar. O jogo não dispõe de quaisquer opções de dificuldade e, na minha opinião, é bastante difícil. Não seria de todo extravagante se também fossem adicionadas opções de acessibilidade. É certo que nem todos os jogos necessitam de ser fáceis, mas ter opções é sempre bem-vindo. Isto é sempre um assunto muito sensível nos videojogos porque existe sempre quem defenda aquilo que os developers tinham em mente quando desenvolveram o jogo em causa, e eu percebo totalmente isto. É por essa mesma razão que não faço muito barulho relativamente a este ponto, mas também posso dizer que se houvesse algo que facilitasse a minha experiência em Ghostrunner, facilmente o jogaria com um maior sorriso na cara e sem ter a frustração sentada ao meu lado no sofá.

ghostrunner nivel extra 2
Kill or be killed basicamente.

Infelizmente, a exigente dificuldade não é o único ponto que torna tudo mais complicado. É também a forma como o jogo grava o nosso progresso. A título de exemplo, se sairmos a meio de um nível, o jogo não nos deixa começar a partir desse ponto, obrigando-nos a começar o nível de novo. Ora num jogo com uma considerável dificuldade e um sistema de progresso tão penalizador como este, o qual nos obriga a passar um nível de uma vez só, fica difícil não ficar frustrado. O jogo até tem um bom sistema de gravação durante os níveis, sendo que o único problema neste ponto é simplesmente o facto de não gravar o progresso nos mesmos quando decidimos sair a meio de um.

Todos já sabemos que muitas vezes, principalmente em jogos como este, desligar um bocado e voltar mais tarde, pode fazer toda a diferença para superar um desafio logo à primeira. Ora aqui, apesar de podemos facilmente deixar o jogo ligado e ir fazer outra coisa, não é o mesmo que o desligar e voltar, por exemplo, no dia seguinte. Não! De certa forma, o jogo obriga-nos a superar um nível de uma só vez, sem a possibilidade de voltar dias mais tarde (Ok, agora com o quick resume na Xbox Series S e X a coisa já muda de figura, mas pronto). Na minha opinião, esta decisão não se justifica quando o próprio jogo já é consideravelmente exigente. Ou seja, a jogabilidade poderia manter-se tal e qual, mas com a vantagem de podermos sair dos níveis a qualquer momento, sem que sejamos altamente penalizados. Apesar de gostar imenso do jogo, é com grande pena minha que isto será muito provavelmente a razão pela qual dificilmente irei chegar ao fim de Ghostrunner. Exige algo de mim que não tenho, uma resiliência interior que desconheço perante tais obstáculos e decisões altamente puníveis.

ghostrunner nivel extra 3
Apesar da sua dificuldade, é muito gratificante quando vemos a luz ao fundo do túnel.

Mas como não quero que este seja um texto maioritariamente negativo, quero deixar uma palavra positiva relativamente aos visuais e banda sonora. É impossível ficar indiferente à forma como ambos ajudam a recriar todo um mundo plausível e imersivo, elevando consideravelmente a qualidade da experiência nestes campos. O level design está muito bem concebido e dá um enorme prazer andar a saltar de plataforma em plataforma, ficando apenas mais caótico quando temos inimigos a disparar contra nós. Para além de parkour, também nos podemos movimentar (pelo menos até onde cheguei) com um gancho ao conectar com certos pontos no mapa, tornado a nossa movimentação ainda mais ágil e livre. Sem dúvida, um ponto positivo na jogabilidade e que nos permite ter algumas opções em situações de combate.

De uma forma geral, e como já dei a entender, Ghostrunner está longe de ser um mau jogo. O seu mundo e a sua música são claramente pontos fortes, sem esquecer propriamente a sua frenética, mas exigente jogabilidade. Existe obviamente uma grande sensação de conquista quando tudo corre bem, mesmo após vinte ou trinta tentativas de sucesso, mas não há como esconder que a frustração também poderá acabar por sair vencedora no fim da sessão.

Foi cedida uma cópia do jogo por parte da editora.

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares. @bakum4tsu

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