A Space for the Unbound (Prólogo) – Análise

a space for the unbound prólogo

Hoje em dia, não faltam jogos indie de qualidade. Para se destacarem dos outros, os novos lançamentos têm de ter algo que os distinga, mas nem sempre é fácil dizer exatamente qual será esse fator chave. Alguns indies têm uma banda sonora ímpar; outros têm personagens cativantes que permanecem na memória de qualquer um que as conheça. Os indies de excelência combinam estes e outros fatores, sendo assim que se transformam em verdadeiros clássicos.

É possível que ainda seja cedo demais para dizer se A Space For The Unbound conseguirá alcançar esse patamar de excelência, mas em determinados aspetos, é certamente promissor.

spaceunbound prólogo 1
Toda a gente tem uma história para contar.

A Space For The Unbound está a ser desenvolvido pela Mojiken e será publicado pela Toge Productions, ambas sendo equipas indonésias, e há que destacar isso por uma razão muito simples: embora o jogo se assemelhe a uma aventura clássica de point-and-click, na verdade, a ênfase está no enredo e na exploração, e o ambiente a explorar é o da Indonésia rural no fim dos anos 90 – um ponto muito específico no tempo e no espaço sobre o qual pouco sei, mas que terá grande significado para alguns. A ligação cultural, no meu caso, não existe para além da mera curiosidade, mas para quem tenha raízes ou viva atualmente no sudeste asiático, o pano de fundo desta aventura será mais um fator que eleva a experiência.

Contudo, novamente, pode ser muito cedo para falar da complexidade do jogo, ou até mesmo atribuir-lhe a etiqueta de Walking Simulator que já consta da página no Steam: conforme mencionado, o jogo ainda está em desenvolvimento. Este artigo trata apenas do prólogo jogável, disponível igualmente no Steam, e que consiste numa sequência de 15 a 30 minutos (dependendo da vontade de explorar e experimentar – no meu caso, foram mesmo 30) que apresenta um pouco das personagens, da narrativa e das mecânicas, culminando num final intrigante que nos faz questionar toda a premissa do que jogámos até agora.

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Não é possível interagir com toda a gente, mas ainda não é claro se é por estarmos no prólogo ou porque o jogo procura não alargar demasiado o seu escopo.

Ou seja, como isto é apenas um prólogo e, claramente, passa-se mais do que aquilo que nos é inicialmente apresentado, é difícil avaliar até que ponto a jogabilidade nestes 30 minutos reflete o resto do jogo. De momento, Walking Simulator não parece completamente inapropriado; existe exploração, mas o gato de uma das personagens garante que não nos perdemos (e, na verdade, ainda não existe muito por onde nos perdermos); existem puzzles, mas envolvem apenas a aquisição de itens e a interação simples com os mesmos. Isto não é necessariamente uma crítica, claro – há quem não goste deste tipo de experiência, mas não é o meu caso.

Sendo que falamos de um “simulador de caminhadas”, é de esperar que a narrativa seja forte. Até agora, as personagens e o enredo parecem tão simples quanto o resto: temos um jovem rapaz no papel principal, temos a sua amiga, uma criança com problemas na escola e em casa, e temos um livro com poderes mágicos que nos permitem explorar, de forma literal, a mente das pessoas. Pessoalmente, este último aspeto é o que me intriga mais; neste prólogo, os exemplos que vemos são bastante básicos, mas novamente, são apenas 15 a 30 minutos de jogo. Para além disso, conforme já foi mencionado, o final do prólogo levanta questões sobre toda a experiência até esse ponto, pelo que se a versão final construir sobre estes alicerces de forma cativante, é bem possível que o jogo aquilo de que precisa para chegar à excelência.

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Sabe bem apenas olhar para as cores, as sombras, os pormenores…

Isto porque o resto já lá está. A direção artística do jogo está muito bem conseguida, com pixel art clara e detalhada, cores agradáveis ao olhar e animações de fácil leitura. O mesmo se aplica ao som e à música; as faixas que o prólogo contém são poucas, mas bonitas e relaxantes, e houve claramente atenção dedicada aos efeitos sonoros, por exemplo, com as diferenças no som das pegadas do protagonista conforme o solo em que caminha. Porém, no meio de todo este charme, falta apontar um erro crasso: com que então, podemos fazer festas a todos os gatos que vemos, menos aquele que nos aponta para o próximo destino? Negligência vergonhosa!

A Space For The Unbound ainda não tem data de lançamento planeada, mas se as personagens e a narrativa florescerem em pleno, pode demorar o tempo que for preciso, porque vai valer a pena. E se se lembrarem de nos deixar fazer festas àquele gato, ainda melhor.

Autor: Cláudia Gandra

Sobrevivi ao tempo em que gostar de jogos e anime era motivo para levar calduços. Agora não consigo parar de falar de Jojo, por isso às tantas os calduços até fazem falta.

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