Yakuza: Like a Dragon – Análise

yakuza like a dragon análise

Ao longo dos últimos anos, a série Yakuza tem vindo a solidificar-se como um dos maiores (e melhores) jogos japoneses no ativo. Por entre remasters e remakes (e até um spin-off com zombies!), o mais recente título a chegar ao mercado ocidental arrisca com algumas novas mecânicas. Yakuza: Like a Dragon (ou somente Yakuza 7, no Japão) transforma o seu habitual e carismático estilo de combate beat ‘em up em algo completamente diferente, numa proposta muito mais pausada e calculista: o combate por turnos. Sim, vamos já falar sobre o grande elefante na sala, sem passar sequer pela casa da partida.

Foi com um grande estrondo que o estúdio anunciou esta drástica mudança num dos pilares mais firmes da série. Tendo em conta que não é propriamente o meu estilo de combate favorito, confesso que fiquei relativamente preocupado com esta alteração ao seu core. Porém, depois de algumas batalhas, consegui facilmente entrar no ritmo da coisa e, inclusive, até achar que o sistema foi muito bem aplicado ao estilo de jogo em si.

Temos várias personagens principais à nossa disposição e cada uma delas pode ter diferentes trabalhos (leia-se “classes”), dos quais resultam diferentes ataques especiais, armas, ou até vestuário a condizer com o mesmo. Tal como as próprias personagens, também estes trabalhos são passíveis de evoluir de nível, desbloqueando novos ataques e benefícios.

São várias as “classes” disponíveis para experimentarmos e podem ir desde chefe de cozinha, a guarda-costas, de músico a host/hostess, entre outros. A oferta é muita, e isso permite que possamos personalizar a nossa party da forma que melhor entendermos. Existem, também, todas aquelas armas, vestuário e acessórios, que podemos equipar, tal como nos jogos anteriores, e que aprofundam ainda mais todo o sistema de personalização.

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Ichiban Kasuga – o novo protagonista principal da série.

 

Fixem este nome: Ichiban Kasuga

Mas falemos, então, da mudança da personagem principal. Kazuma Kiryu é agora um nome do passado. A cara de Yakuza: Like a Dragon chama-se Ichiban Kasuga, alguém bastante positivo, esforçado, amigo do seu amigo, e com um enorme sentido de justiça! (hum… onde é que já vimos isto antes?) Depois de ser traído pela pessoa que o acolheu, Ichiban vê-se numa situação muito complicada, após uma estadia de 18 anos na prisão, em prol de uma família que o renegou posteriormente. Sempre com a convicção que iria ser bem recebido quando saísse da prisão voluntária, quem o recebe de braços abertos é, na verdade, o sentimento de desilusão pura.

A partir daqui, Ichiban começa a descobrir todo um novo mundo, apetrechado de tecnologia que não acompanhou durante a sua clausura. Para além disso, também o mundo da Yakuza sofreu alterações no que toca a poder, famílias, relações, e tudo o que esteja relacionado com o mundo criminoso (que ainda é grande e complexo, convenhamos).

Ichiban é uma personagem pela qual rapidamente começamos a ganhar algum afeto, seja pela injustiça de que foi alvo, mas também pela sua personalidade. De salientar que Ichiban é um grande fã da famosa série Dragon Quest, o que acaba por se ver refletido durante o jogo, tanto pelas conversas que tem, com pelo próprio combate já explicado. Não, isto não são coincidências. Para acompanhar Ichiban nesta aventura, temos outras três personagens, cada uma com a sua história, e é interessante ver a sua relação crescer ao longo dos eventos principais, mas também fora dos mesmos. Isto porque certas atividades no jogo permitem aumentar os laços entre os intervenientes, resultando em benefícios nas mais variadas situações; para não falar que também ficamos a conhecer melhor cada um deles.

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Yokohama é um vasto parque de diversões pronto para ser explorado.

Bem-vindos a Yokohama

No que diz respeito ao local principal do jogo, passamos da tradicional Kamuroucho para Yokohama, uma nova área totalmente pronta para ser explorada (e consideravelmente maior que a zona principal dos anteriores jogos). Na verdade, esta nova zona é também inspirada numa área verídica de Yokohama; mas não será o único local por onde andamos, embora seja o palco principal.

A zona é vasta e tem partes bem distintas umas das outras. Como já é habitual neste tipo de jogos, existe toda uma panóplia de atividades para passar o tempo, incluindo o Dragon Kart, um jogo de corridas, inspirado em Mario Kart. Esta atividade acaba, inclusivamente, por ter uma pequena narrativa associada, o que já é habitual nestes jogos.

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Vai uma corridinha? A série Yakuza e as suas sempre divertidas atividades secundárias.

Mas por falar em pequena narrativa associada, e tal como já tem acontecido anteriormente, temos também um mini-jogo associado à gestão de um negócio: contratamos funcionários, somos obrigados a enfrentar os investidores em reuniões, entre outras coisas. Acaba por ser mais uma mecânica com uma considerável profundidade adicionada e que oferece mais algumas boas horas de jogo de alta qualidade. Podem ignorar totalmente esta parte do jogo, mas é altamente aconselhável não o fazerem.

De uma forma geral, a jogabilidade continua igual às entradas anteriores, tirando o estilo de combate. Por consequência, muitas das mecânicas acabam por estar associadas a um típico RPG e é com naturalidade que afirmo encaixarem de forma perfeita no espírito do jogo.

Será o combate por turnos algo melhor do que o beat ‘em up que tínhamos? Quanto a isso tenho as minhas dúvidas; mas, acima de tudo, irá depender de cada jogador e, essencialmente, se é fã de RPG’s ou não. Se for, então facilmente poderá abraçar esta entrada. Caso contrário, poderá sentir alguma dificuldade inicialmente, mas nada que não seja de fácil aprendizagem. O próprio jogo torna as novas mecânicas muito intuitivas, o que acaba por ser bastante importante para quem possa estar reticente.

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Não sei quanto a vocês, mas sabe sempre bem visitar o Club Sega e jogar uns clássicos.

Em termos visuais, não há aqui nada que me tenha surpreendido. É o mesmo tipo de cenários que temos visto até agora, embora com toda uma nova cidade, ou zona da cidade, bastante apetecível de explorar. Tive a oportunidade de analisar o jogo na já velhinha PS4 original e digamos que os loadings são atrozes. São, efetivamente, o maior problema que encontrei, o que acaba por ser um sinal positivo de um ponto de vista geral.

Mas se há algo que posso criticar um pouco, embora seja relativo perante a situação e nível de cada jogador, são o facto de alguns combates contra bosses se tornarem relativamente complicados com o passar do tempo. Senti alguns picos de dificuldade mesmo quando a diferença entre níveis não era assim tanta (estamos a falar de dois a três níveis). Quando somos derrotados, o jogo pergunta se queremos recomeçar a batalha ao perder uma determinada quantia de dinheiro, recomeçar a batalha com a vida toda e perder 50% do dinheiro, ou, simplesmente, regressar ao último ponto de gravação, o qual é bem doloroso, principalmente se já passou um bom bocado desde o último save.

Ao contrário dos jogos anteriores, aqui aconselho a gravarem de forma mais regular, e o próprio joga também o indica várias vezes (quem te avisa…). Não senti que houvesse uma dificuldade extrema na generalidade dos combates, mas há casos explícitos, aqui e ali, onde se nota que o jogo exige mais de nós. Seja como for, e como já tinha dito, tudo depende sempre se fazem grind para atingirem níveis mais altos, ou se vão mais diretos só pela história, ignorando as diversas possibilidades que têm para evoluir e ficar mais fortes.

Uma jogada por turno de sucesso

Mesmo com uma jogada altamente arriscada ao mudar o seu sistema de combate, um dos pilares do sucesso da série, Yakuza: Like a Dragon não desiludiu!

A qualidade da narrativa continua tão boa quanto o estúdio nos tem habituado ao longo dos anos, e Yokohama é como um novo parque de diversões pronto a ser explorado! Quer sejam fãs da saga ou curiosos ainda por se estrear, não hesitem entrar no mundo de Ichiban Kasuga, a vossa próxima personagem favorita.

positivo Ichiban Kasuga é uma incrível e carismática personagem
positivo Yokohama é um autêntico parque de diversões
positivo Imensas atividades secundárias de qualidade
positivo Sentido de humor continua no ponto
positivo Sistema de combate por turnos funciona de forma impecável

errado Loadings bastante demorados (na plataforma em causa)
errado Alguns picos de dificuldade em certos combates

Data de Lançamento: 10 de Novembro de 2020
Produtora: Ryu Ga Gotoku Studio
Editora: Sega
Género: Ação, RPG
Plataformas: Microsoft Windows, Xbox (Series e One), PS4 (PS5 em Março 2020)

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise. (PS4)

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares. @bakum4tsu

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