Golden Kamuy – Vale a pena ver?

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Vou começar logo pela parte de: “mas porque razão é que não decidi ver isto mais cedo?! Huh?!”. Quanto estreou a primeira temporada de Golden Kamuy, lembro-me de ouvir falar bastante sobre o quão terrível estava a animação CGI de um urso (que foi alvo de muita galhofa na internet; até parece que não vivemos numa época de memes). A série tinha bom aspeto e a premissa parecia interessante, mas talvez numa fase em que me tinha afastado um pouco da visualização de anime, esta tenha acabado por sofrer por tabela e colocada de lado. Ora, quando recentemente (leia-se: verão) voltei a aderir ao Crunchyroll, reparei que a série estava lá; não perdi muito tempo e lá decidi iniciar a minha jornada.

Golden Kamuy conta uma história inspirada em acontecimentos verídicos e isso, para mim, é logo um sinal no que diz respeito ao meu compromissivo para com a série. Quer dizer, não é a história em si que é verídica, mas sim o espaço temporal e alguns dos eventos relatados. Os holofotes estão direcionados para Sugimoto, um militar que sobrevive à guerra entre os Japoneses e os Russos, durante o período Meiji, com destaque para uma batalha numa colina, letal para a maioria do exército japonês presente nesse local. Só para terem uma ideia: imaginem o desembarque da Normandia, onde os japoneses são a força que chega através do mar (sim, um autêntico massacre). É durante essa mesma batalha que Sugimoto ganha a alcunha de “Sugimoto, O Imortal”, tendo em conta a elevadíssima taxa de mortalidade resultante desse confronto.

Por entre imensos mortos, um deles é o grande amigo de Sugimoto, o qual lhe pede um grande favor antes de suspirar pela última vez. O seu pedido não poderia ser mais simples: cuidar da sua esposa após a sua partida do mundo dos vivos. Com isto, Sugimoto tenta cumprir o desejo deixado pelo seu amigo e, durante um momento onde está a tentar encontrar algo valioso num rio gelado, em pleno inverno, ouve uma história que lhe desperta interesse. Ao que parece, existe uma enorme quantidade de ouro nas montanhas, mas ninguém sabe do seu paradeiro. Foi deixada por um criminoso há vários anos, mas nunca ninguém conseguiu descobrir o local. Acreditando que não passava de uma história de embalar, eis senão quando descobre algumas pistas, que, por sua vez, o levam a acreditar que afinal tudo aquilo é real! Se assim for, poderá então cumprir a sua palavra para com o seu falecido amigo.

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Tudo personagens que inspiram lealdade e irmandade. Ou não.

Após uma determinada cadeia de eventos que se desenrola, vê-se atacado por várias entidades que, aparentemente, também andam em busca desse tal dito tesouro. Mas para quem possa pensar que esta é só mais uma série na onda do “à busca de tesouros recônditos e perdidos”, está severamente enganado.

A mente criminosa responsável pelo tesouro fez com que este fosse muito difícil de encontrar, por diversas razões. Na verdade, existe um mapa que indica a localização do mesmo, mas a solução não é assim tão linear. Este criminoso desenhou o mapa no corpo de outros reclusos, os quais estavam a cumprir pena de prisão ao mesmo tempo que ele. Desenhar não é propriamente a melhor palavra… tatuar é a palavra correta. Sim, os mapas foram tatuados por diversos corpos e de forma a conseguir juntar todas as peças do puzzle, é necessário matar todos estes criminosos e arrancar a sua pele. Sim, é isso mesmo que acabaram de ler.

Esta é uma série que respira pequenos troços de violência, com grandes quantidades de ação e combate, mas também momentos mais pausados e com crescimento da relação entre as diversas personagens. Estamos a falar de uma série seinen, com um público alvo um pouco mais velho, longe da demografia de shounen; mais uma razão para ter tomado atenção a este anime mais cedo do que, efetivamente, o fiz (o que me leva a pensar que tenho de começar a seguir mais aquele gut feeling).

No que diz respeito à narrativa, e sem querer revelar muito mais sem vos dar spoilers, aquilo que posso facilmente afirmar é que esta é uma incrível história de aventura, cheia de personagens principais (as quais evitei falar, exatamente para poderem sentir o mesmo que eu ao conhecê-las pela primeira vez), com diversas reviravoltas na história, traições, amizades por interesse; mas também bons momentos de humor (muito mais do que esperava, sinceramente).

Pronto, vá! Para além de Sugimoto, uma outra personagem bastante importante (se não tão importante quanto ele) é Asirpa, uma jovem rapariga que faz parte de um povo com o nome de Ainu. A história em si acaba por estar relacionada diretamente com este povo indígena, muito mais do que assumi inicialmente. É uma personagem meiga, mas, ao mesmo tempo, com alta eficiência em combate, quando assim é exigido. Os seus momentos de culinária são intensos e as suas expressões faciais hilariantes.

(Certo, agora é que vou parar! Não há cá mais revelações ou levantar do véu. É isto.)

Depois de terminar recentemente a segunda temporada, posso dizer que vale a pena dar uma oportunidade a Golden Kamuy, principalmente se quiserem um plot diferente do habitual, com imensas personagens à mistura, uma considerável dose de ação e um bom sentido de humor. Não é um excelente anime e nem quebra barreiras, mas é bom e divertido o suficiente para me fazer continuar a ver a terceira temporada, que começou em outubro.

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares. @bakum4tsu

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