Sakuna: Of Rice and Ruin – Análise

sakuna of rice and run análise

No passado dia 10 de novembro chegou-nos, pelas mãos da Marvelous Europe, e desenvolvido pela Edelweiss, o novo Sakuna: Of Rice and Ruin, um novo RPG de plataformas cheio de ação, e, sim: plantação de arroz. A parte de exploração do mapa, metade do que engloba esta aventura, é capaz de nos levar a variadíssimas dungeons, cada uma delas com a sua ambiência característica, e recompensas também. Por isso, se estavam à procura de um novo simulador de agricultura, com a adição da possibilidade de dar uns socos num bicho ou outro, Sakuna chegou para vocês.

Neste jogo, irás assumir a pele de Sakuna: uma deusa das colheitas com um feitio muito reivindicativo e obstinado que, por motivos do destino, se viu relegada para uma perigosa ilha, com um grupo de humanos marginalizados. Aqui, ela terá de aprender a desenvolver o seu sentido de humildade, trabalho de equipa e trabalho manual; conceitos, convenhamos, são muito novos para a nossa jovem protagonista.

Uma ode ao arroz

O jogo desenrola-se pelas estações do ano, as quais são fulcrais para a segunda principal tarefa que nos é apresentada: obter a colheita perfeita de arroz. Apesar de existir uma falta notória de tutoriais por parte do jogo no que toca a este aspeto, as informações vão surgindo, por via de alguns artefactos ou diálogos que vão surgindo com alguns NPC’s. A jogabilidade divide-se em duas fases: a de exploração, que se desenvolve através do clássico sistema de plataformas em 2.5D, na qual é possível adquirir recursos importantes como alimento ou materiais para a construção de novas armas. Obviamente, aqui, também é o momento de defrontar os mais variados, e caricatos, seres que habitam estas dungeons (spoiler alert: ostras. que cospem. tinta.).

Atenção que a (literalmente) pequena Sakuna, como seria de esperar, inicia o jogo bastante fraca a nível de skills de batalha (e de cultivo); portanto, o ideal é voltar para casa antes do pôr do sol. Quando se passa o lusco-fusco, os monstros que até eram capazes de cair para o lado depois de duas cacetadas, tornam-se autênticos Adamastores que irão enviar Sakuna de volta para o início da dungeon… e de mãos vazias de tudo o que tinha apanhado (e nós não queremos isso, como é óbvio).

SakunaOfRiceAndRuin_01
“Mesmo no pescoço!”

Quando a noite chega, é o momento de não só tratar da plantação em mãos, que engloba tarefas como espalhar fertilizante (e, sim, refiro-me a estrume) pelo pequeno campo de cultivo, arrancar as ervas daninhas que vão surgindo, controlar o nível da água dos brotos, e, finalmente, mas não menos importante, comer. Atenção que, aqui, é importante fazer uma gestão inteligente dos recursos que vão sendo obtidos, sendo que, tal como na vida real, as coisas podem-se estragar. Ao converter alguns alimentos específicos em conservas, estes irão durar mais tempo, e irão manter Sakuna e o grupo de humanos do qual está encarregue de cuidar de barriguinha cheia. A alimentação é importante porque não só lhe proporciona o nível de energia necessário que terá na manhã seguinte, como também atribui certos buffs que poderão beneficiar Sakuna no campo de batalha. Ah, e não se esqueçam de dormir!

Apesar de o jogo não deixar claro qual das duas partes é a mais importante, a realidade é que é possível passar o dia tanto a tratar do nosso arrozal, como a explorar o mundo que nos rodeia. É interessante passar o dia pela homebase, em especial, quando o arroz que cultivámos já está pronto para cultivo e, depois de seco, para o debulho do mesmo. Aqui, é possível escolher o tipo de arroz que a nossa plantação, a qual cuidamos com tanto amor e carinho durante o ano, nos vai dar, e há que ter atenção: cada tipo de arroz dá benefícios diferentes aquando do seu consumo. Façam cuidado!

Se, por ventura, simplesmente não vos apetecer explorar, há sempre alguma coisa para fazer e alguém com quem falar. Infelizmente, eles não falam muito de volta, e dei por mim, constantemente, a abortar missão e decidir distribuir pancada mundo fora com a minha sachola, até à noite cair.

SakunaOfRiceAndRuin_02
Rice, Rice, Baby.

Explorar até mais não

Apesar de estar, admitidamente, enferrujada no que toca a jogos de plataformas, senti que Sakuna, por várias vezes, se tornou o oposto de intuitivo, particularmente no contexto de deslocação. Os comandos são algo difíceis de controlar (particularmente, no momento em que é para utilizar o seu gancho Divine Raiment para me agarrar a superfícies mais altas; pelo menos, na Switch) e as batalhas também conseguem tornar-se uma salganhada de 10v1 no espaço de segundos (de reparar que isto não é um problema, se estiverem devidamente alimentados e já com alguma experiência no mambo).

Há que ressalvar a existência de uma característica redentora, no meio disto tudo: os grafismos, tanto na parte exploratória, como na parte mais “mãos à obra”, são de louvar; os ambientes são interessantes e as texturas bastante fluidas nas dungeons (por exemplo, conforme a estação do ano em que estás, também o tempo muda), enquanto que, no que toca ao cultivo e colheita, tudo é altamente pormenorizado e esteticamente muito aprazível.

SakunaOfRiceAndRuin_03
“Escolho-te a ti, Divine Raiment!”

O jogo não dá nenhuma instrução clara acerca do progresso na exploração que o jogador está a ter, para além de uma lista de checkpoints e uma determinada percentagem associada a cada dungeon; algo que me deixou, por duas ou três vezes, a coçar a cabeça a pensar no que fazer a seguir, e repetir uma localização ou outra na qual já tinha estado, na tentativa de evoluir o meu nível de exploração. Sendo que o progresso está diretamente ligado com estas quests (que até existem, mas ninguém sabe bem nem onde, nem quando, nem como; até um dia acordarem e elas estarem completas), a progressão de jogo torna-se morosa: vão ter que se ir contentando com a colheita do vosso arrozinho (esmerem-se com o fertilizante, para ele ficar o mais saboroso possível).

Ainda assim, um ano na vida de Sakuna passa relativamente rápido (cada estação do ano desenrola-se em três “dias”), o que permite, pelo menos, atingir um dos objetivos principais da história do jogo: trabalho árduo compensa e o esforço que é investido é devolvido. Neste caso, através de arroz delicioso.

 

Conclusão

Acima de tudo, Sakuna: Of Rice and Ruin proporciona uma nova e refrescante abordagem à mitologia japonesa; destacando-se, também, pela sua capacidade terapêutica. A paciência é algo que se aprende, e este jogo está aqui para isso. Ao apreciar as pequenas coisas (os dois milhares de pequenas coisas), é possível identificar aqui um tanto ou quanto de mindfulness a ser praticado através do jogo no seu todo. Porém, como jogo de plataformas, pode não ser bem aquilo que estão à procura: mas não custa experimentar!

positivo Processo de plantação de arroz é altamente detalhado e educativo
positivo Após algumas horas investidas, o combate pode ser divertido
positivo Fight-Farm-Eat-Repeat

errado Modos de combate e controlos podem ser confusos
errado A falta de tutoriais disponíveis in-game é um pouco frustrante
errado É preciso gostar mesmo de arroz

Data de Lançamento: 10/11/2020
Produtora: Edelweiss
Editora: Marvelous Games
Género: Ação, Aventura, Plataformas
Disponível para: Microsoft Windows, PlayStation 4, Nintendo Switch

Foi disponibilizado um código para análise. (Switch)

Autor: Ana Costa

Para a Ana, tudo o que vem do Japão é bem-vindo: anime, manga, JPRGs e, principalmente, Nintendo. Respira música e não vive sem café. A Ana só não gosta é de falar nela na terceira pessoa. @anacrdcosta

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.