Mars Horizon – Análise

Mars Horizon análise

Se algum dia vos dissessem que teriam a possibilidade de comandar a vossa própria base espacial e reescrever a história da Humanidade, provavelmente não acreditariam. Mas é verdade! Mars Horizon, desenvolvido pela Auroch Digital, dá-vos essa possibilidade.

Desenvolvido para todas as plataformas, este é um jogo que nos permite controlar uma agência espacial no início dos anos 50, onde, nesta corrida, um dos grandes objetivos é sermos os primeiros a colocar o Homem na lua. Acreditem que existe um tremendo sentimento de dever cumprido (mesmo tendo sido o terceiro), quando vislumbramos o nosso pequeno astronauta a cumprir esse feito, tudo isto após muito trabalho árduo e o superar de inúmeros desafios.

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Nesta corrida espacial, o grande objetivo é a exploração.

Um pequeno passo para o Homem …

Mars Horizon é um turn-based management, cujo o objetivo é controlar um programa espacial e liderar a Humanidade até às estrelas, procurando um equilíbrio entre a jogabilidade e o visual. Iniciamos a nossa caminhada com ao escolher uma das cinco agências espaciais possíveis: NASA, URSS, Japão, China e ESA (Agência Espacial Europeia), sendo que cada uma tem objetivos específicos e atribui bónus a diferentes ações. A minha escolha caiu na agência Japonesa, pois é o país com o qual me identifico mais e pensei que seria interessante derrubar as grandes agências espaciais, tarefa a qual se tornou muito desafiante!

Depois desta escolha, a jogabilidade é muito familiar, ou não se tratasse de um jogo de estratégia. Dispomos de três árvores (não de habilidades), mas sim de pesquisa: missões, veículos e edifícios. Todas elas são muito simples de interpretar e os requisitos das missões ajudam-nos a perceber que tipo de pesquisa temos que realizar. Infelizmente, não podemos ir à lua sem fazer um conjunto delas.

Estando ao comando de uma agência, cabe-nos a responsabilidade de tratar de toda a logística, ou seja, expandir a nossa agência, planear e executar missões, e fazer pesquisas. Estas operações só são possíveis através de três fundos principais: dinheiro, ciência e suporte. A ciência é adquirida através da resolução de pesquisas, missões (principais ou secundárias) e de certos edifícios. O dinheiro é importante para todas as operações diárias, pois permite-nos construir todo o tipo de veículos, edifícios e recrutar astronautas. Por fim, o suporte, tal como a ciência, é adquirido através de missões e, neste caso, através de alguns eventos que surgem no decorrer do jogo. Estes eventos não enaltecem a nossa jogabilidade; tratam-se de eventos esporádicos, como por exemplo, a resposta dada a uma jornalista onde o único objetivo é obter apoio e aceitação pública, caso a frase escolhida seja a mais adequada.

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A constante monitorização em tempo real.

…um grande passo para a Humanidade.

No decorrer da minha experiência espacial, cheguei à conclusão que existiram duas grandes componentes que me mantiveram dentro do jogo: as missões principais (e respetiva gestão), e a competitividade entre as agências.

As missões principais, denominadas por milestones, são as que exigem um maior esforço da nossa parte, pois requerem um estudo antecipado das pesquisas, veículos e edifícios a construir. Isto, claro, se quisermos estar sempre um passo à frente em relação às outras agências. Os requerimentos de cada missão ditam o tipo de foguete e payload – pode ser um satélite, sonda espacial ou uma nave espacial – a usar, sendo possível gravar certas configurações de modo a tornar o processo mais rápido para o futuro, pois um tipo de foguete/payload pode dar para mais do que uma missão. A construção dos foguetes não é muito detalhada, como se de um simulador se tratasse. Dá-nos apenas informação sobre a percentagem de fiabilidade para o lançamento, a sua carga, valor, capacidade, etc.

Após este processo, é hora de enviar o nosso payload para a órbita e operacionalizar a nossa missão. O sucesso, ou não, da mesma, está dependente de um minijogo cujo o objetivo é conseguir adquirir o número stats pretendidas. Aqui, confesso que só depois de uma dúzia de jogos realizados é que consegui achar alguma piada. No entanto, acaba por cair na rotina, pois a estrutura dos minijogos é sempre a mesma, independentemente da missão.

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Mesmo não sendo muito detalhada, a construção dos foguetes é bastante satisfatória.

A competitividade, é, na verdade, uma corrida feroz contra o tempo. Alcançar os maiores marcos da história espacial requer algum planeamento da nossa parte. É necessário perceber que, para cada missão, existem um conjunto de passos a dar para que tudo corra pelo melhor. Existem imensas missões principais para completar e, no final de cada uma, temos a possibilidade de receber uma medalha de ouro se formos o primeiro a alcançar um dos grandes marcos (primeiro animal no espaço ou andar na lua), ou, na pior das hipóteses, recebemos algo semelhante a um emblema bordado com a nossa classificação final. Ser o primeiro implica maior apoio do governo, ou seja, mais dinheiro, maior suporte e alguns bónus de pesquisa.

No entanto, o jogo dá-nos a possibilidade de trabalharmos em conjunto com outras agências. Esta decisão fica ao nosso critério e para o propósito desta análise, decidi aceitar uma proposta feita pela agência russa. Aceitar a proposta aumenta a percentagem de fiabilidade do lançamento e existe a hipótese de voltarmos a realizar uma missão com essa mesma agência. No entanto, como lado negativo desta cooperação, todos os ganhos da missão serão partilhados.

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Construam a agência espacial dos vossos sonhos.

A vista do espaço é surpreendentemente modesta

 Guardei este espaço da análise para expor alguns dos problemas (visuais, menus) que tive com o jogo e que, no final, tornaram a minha experiência algo modesta.

Quando iniciei o jogo, sabia que poderia existir a hipótese de a oferta visual ser algo limitada, até porque capturar toda a essência e magia do espaço acaba por ser um grande desafio. O visual é muito colorido e brilhante, embora seja possível verificar algumas falhas de detalhe na paisagem. É notório o equilíbrio que existe entre a paisagem e a vertente visual dos foguetes e payloads, sendo compreensível dado que são um dos pontos de maior destaque no jogo.

A UI está muito bem conseguida, mas tem tanto de intuitiva como de complicada. As missões são um processo de vários passos e que podem durar meses (no jogo), tal como acontece na vida real. No entanto, deveria ser possível continuar o planeamento da missão enquanto esperamos que o nosso payload seja construído, pois podemos correr o risco de ficar meio perdidos sobre qual o próximo passo a dar.

Por fim, quero falar sobre a construção dos edifícios. Esta vertente, na minha opinião, fica muito aquém de todo o jogo. É certo que podemos escolher os tipos de edifícios a construir e quais vão ao encontro dos requerimentos das missões, existindo ainda a possibilidade de maximizarmos a sua construção. Isto é, ao colocarmos o mesmo tipo de edifício ao lado um do outro, pode dar-nos mais bónus em certas operações (maior % em construção de veículos). Esta gestão, à superfície, dá-nos uma falsa sensação de estratégia, pois não enaltece em nada a nossa jogabilidade.

Mars Horizon é um jogo interessante de gestão, sendo a sua mais valia a temática espacial. Existe algo especial ao vislumbramos o nosso foguete a descolar para os confins do espaço, acabando por ser tornar quase um vício, tal como a sua UI. No entanto, sou da opinião que deveríamos ter mais animações em determinadas partes do jogo.

No final, quero agradecer o esforço de toda a minha equipa espacial, e apesar de não termos conseguido alcançar o nosso principal objetivo em primeiro lugar, ficou um sentimento de dever cumprido. Talvez volte a Mars Horizon, mas desta vez com a ideia de criar a minha própria agência e, provavelmente, chamar-lhe-ei Space Force.

positivo Construção foguetes e payloads
positivo UI muito bem conseguida e cativante

positivo Animações

errado Falta de mais elementos estratégicos
errado Construção de edifícios
errado Planeamento de missões

Data de Lançamento: 17/11/2020
Produtora: Auroch Digital
Editora: The Irregular Corporation
Género: Estratégia
Plataformas: Microsoft Windows, Xbox One, PlayStation 4, Nintendo Switch

Foi disponibilizado um código para análise. (PS4)

Autor: Tiago V. Marques

"Nobody knows what's gonna happen at the end of the line, so you might as well enjoy the trip." -Manuel "Manny" Calavera, Grim Fandango

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