Afinal, o que significa ser considerado o Jogo do Ano?

jogos do ano 2020

Afinal, o que significa ser considerado o Jogo do Ano? Bem, nada mais do que a opinião de um indivíduo, completamente correta ou, quiçá, redondamente errada, perante os olhos do próximo.

Ora, na minha opinião, ser jogo do ano significa muito mais do que ter excelentes gráficos, uma extraordinária narrativa, uma incrível e revolucionária jogabilidade, ou, até mesmo, estar recheado de inovação nos mais diversos aspetos. Na verdade, muitos de vós já devem estar a suspeitar pelo caminho que isto vai seguir. Para mim, existem, pelo menos, dois tipos de jogos do ano: aqueles que excedem positivamente nos mais variados campos que referi anteriormente; e outros que prezam pelo enorme impacto até fora da (já vasta) bolha dos videojogos. 2020 é um excelente ano para comprovar tudo isto com dois títulos que servem como perfeito exemplo, um mais que o outro. São eles: Animal Crossing e Fall Guys.

Animal Crossing beneficiou, sem lhe tirar o mérito como jogo, de ter saído numa fase em que estávamos todos a começar a ficar por casa, pelas razões que pautaram o ano em que nos encontramos: a quarentena; foi, sem dúvida, um período nunca antes vivido por muitos de nós. Era o jogo ideal para nos distrair de tudo o que se estava a começar a instalar no nosso quotidiano. As suas vendas continuam incríveis e, neste momento, é um dos nomes com mais sucesso de vendas na Nintendo, ultrapassando jogos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild ou Pokémon Sword/Pokémon Shield. No entanto, sim, existe o pequeno senão de que cada consola só pode estar associada a uma ilha, e isso acaba, forçosamente, por impingir a venda de uma nova unidade e respetiva consola, caso a intenção seja ter mais do que uma ilha onde poder passar o tempo. Seja como for, o mérito existe e tem que ser reconhecido.

anime crossing winter update
O sucesso do ano já conta com update de Inverno.

O público utilizou Animal Crossing como forma de interagir, face às limitações determinadas (por razões óbvias) a nível físico. Visitar ilhas dos amigos passou a ser uma tarefa diária para muitos; mas Animal Crossing foi mais longe ainda, chegando a ser transformado num talk show, hosted pelo Gary Whitta, convidando nomes bastante conhecidos fora do gaming, como atores, músicos e muito mais. É um jogo que continua a ter um sucesso tremendo e as suas constantes atualizações, com novo conteúdo referente a determinadas épocas festivas, não irão de todo facilitar que este nome deixe de fazer parte do quotidiano de muita gente, e do gaming em geral.

No caso de Fall Guys, um jogo já bastante falado antes do seu lançamento, acabou por beneficiar de um enorme trampolim ao ter sido disponibilizado de forma “gratuita” no serviço Playstation Plus. De forma surpreendente (ou não), bateu o recorde do jogo com mais downloads feitos através desse mesmo serviço, destronando outros AAA oferecidos previamente (nunca foram revelados números ou nomes). Como se isto já não fosse surreal (mais do que possa parecer à primeira vista), o jogo vendeu mais de 7 milhões de cópias apenas na Steam! Foi, indubitavelmente, e na minha opinião, o jogo do verão. Tudo isto sem esquecer que este jogo não está disponível nas plataformas da Microsoft e Nintendo, o que irá certamente catapultar os números quando esses lançamentos forem anunciados.

the last of us part 2 jogo do ano
The Last of Us Part 2 é uma autêntica montanha-russa de emoções.

Mas esqueçamos agora estes dois prodígios de 2020 (os quais apanharam o mundo de surpresa na sua grande maioria), jogos como Ghost of Tsushima, The Last of Us Part 2 e Hades; são outros dos títulos muito falados este ano (sim, e eu sei que poderia mencionar muitos mais), pelas mais variadas razões. Estes três nomes estão associados, e de forma justa, ao melhor do que se faz na indústria dos videojogos hoje em dia. São títulos que merecem todos os louvores e mais alguns, embora a polémica também faça parte do seu nome, principalmente se estivermos a falar de TLOU 2 – um jogo claramente marcado por grandes controvérsias no que diz respeito à sua narrativa. Ghost of Tsushima é um título que, apesar de não estabelecer novas fasquias na indústria, aquilo que fez, fê-lo de forma excecional; proporcionando uma excelente aventura num Japão feudal, algo que era cobiçado por muita gente há algum tempo (inclusive, a minha pessoa). Confesso que pela altura que estou a escrever este artigo, ainda não tive a oportunidade de jogar Hades, mas conhecendo alguns dos trabalhos da Supergiant Games, consigo facilmente imaginar a qualidade do mesmo (porém, admito que não devo demorar muito até comprar).

hades jogo do ano
Será Hades a surpresa do ano? Talvez só para os mais distraídos.

Muitas vezes também se associa os jogos do ano a produções com um elevado orçamento, conduzindo-nos, inevitavelmente, até aos famosos AAA. Obviamente que nem todos os jogos deste estatuto chegam lá e, muitas vezes, já começamos a ver indies presentes nestas listas anuais. Hades é um dos exemplos, mas se recordarmos anos anteriores, podemos mencionar nomes como Untitled Goose Game (vencendo até Jogo do Ano, em alguns casos), Celeste ou Inside (sim, eu sei, poderia mencionar outros 200, mas o tempo urge). Neste momento, confesso que o meu raciocínio já se perdeu pelo caminho (se é que alguma vez esteve presente neste texto), e o melhor é começar a arrumar o assunto.

Para terminar, quero mencionar um último nome: um jogo anunciado há cerca de oito anos e que está prestes a sair: Cyberpunk 2077. O hype em torno do Cyberpunk é qualquer coisa de surreal, mas tanto pode ser benéfico, como venenoso. As primeiras análises já começaram a sair e, como seria de esperar, num jogo tão falado nos últimos tempos, a polémica já está instalada. (As notas! São sempre as notas!) Afinal de contas, as notas fazem um jogo? Isto, vai ao encontro daquilo que mencionei, literalmente, na primeira linha deste texto. Tudo não passa da opinião da pessoa que experienciou o jogo, muitas vezes, sem sequer refletir a opinião geral de outras pessoas que representam o mesmo outlet.

cyberpunk 2077 jogo do ano
O jogo mais esperado no final de 2020.

O outro ponto que queria referenciar relativamente a este título (e pode-se facilmente aplicar a tantos outros), é o facto de Cyberpunk 2077 tentar instalar variadas mecânicas diferentes no jogo. Ao longo dos últimos meses, temos sido bombardeados com os episódios de Night City Wire, mostrando diversa informação sobre aquilo que constitui o mundo de Cyberpunk. O que quero dizer com isto é que, independentemente da quantidade de opções e mecânicas que um jogo coloque à disposição do jogador, e esquecendo se as mesmas funcionam ou não, isto não quer dizer, de todo, que o jogo esteja automaticamente categorizado como um dos melhores jogos do ano. Obviamente que, conhecendo bem a CD Projekt RED e todo o seu trabalho executado no, não menos excelente, The Witcher 3: Wild Hunt, o hype está a completamente a rebentar pelas costuras.

É possível que tenha chegado ao fim deste texto e não tenha dito nada em concreto, ou algo que vos tenha convencido, mas, tal como as próprias análises e respetivas notas, bem como os louvores de jogos do ano, não passam de uma opinião; e, neste caso, esta foi a minha.

Não se esqueçam que o evento dos The Game Awards irá ser transmitido em direto já amanhã (dia 10) e pode ser visto aqui.

Autor: Pedro Simões

Um apaixonado por videojogos e apreciador de anime. Por vezes, possuidor de opiniões pouco populares. @bakum4tsu

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