Traffix – Análise

traffix análise switch

Não sei precisar exatamente quando chegaram os semáforos a Portugal, mas eu cá sempre me lembro de ver essas estruturas metálicas e com luzinhas. Uma breve pesquisa na internet diz-nos que as suas origens têm quase 150 anos. É como se fossem mecanismos anciães.

Qual não foi o meu espanto quando ouço os meus pais comentarem que, na nossa cidade, não houve nada disso até bem dentro da década de 80.

Por esta altura, grande parte dos nossos leitores deverá estar a perguntar-se… Antes disso, como se controlava o trânsito? A resposta é simples: polícias sinaleiros! Uma das muitas artes e profissões que foram essencialmente extintas com a proliferação da eletrónica e da automatização global.

E aqui estamos. Sentem a necessidade de saber como é a sensação de controlar o trânsito de forma manual?! Vós nada tendes a temer, pois passados quase quarenta anos, o louvado estúdio português Nerd Monkeys vem ao vosso auxílio e traz-nos um verdadeiro Polícia Sinaleiro Simulator! (Fica aqui a minha sugestão para o título da sequela. *wink wink*)

 

Traffix 3
Xangai é um bom exemplo das vantagens que a estética minimalista do jogo oferece. Os gradientes de cor são agradáveis à vista, mas também ajudam a discernir as variadas vias cruzadas no jogo.

Confesso que a versão mobile me passou largamente ao lado e que esta é a minha estreia no Traffix. Com a Switch, temos um ecrã maior – permitindo aos jogadores observar melhor o caos – e a possibilidade de usar o comando. Mal o jogo abriu, deu para ver desde logo que este era claramente um título criado nesse mesmo estilo mobile, tendo uma sequência de níveis estruturada, e também os tradicionais e bem-vindos incrementos no grau de dificuldade e na quantidade de mecânicas. O nosso objetivo é conseguir resultados perfeitos em todos estes, e ir desbloqueando as clássicas três estrelas em cada um.

Temos de fazer com que um certo número de carros brancos passe em segurança para as faixas em que os carros estão em tranquila circulação. Soa fácil? Pois, no início até é! Começamos com um cruzamento muito simples em Berlim, em que temos de indicar quando é que os carros na via secundária devem atravessar a via principal. Olhar para a esquerda, olhar para a direita, siga. Porreiro. Alguns toques no ecrã e/ou no botão A do Joy-Con, e está feito.

Mas é assim que a Nerd Monkeys e a Infinity Games nos apanham: com uma ratoeira na base da falsa sensação de segurança. Bem rapidamente nos temos de acostumar àquele detestável som das travagens desesperadas, do metal em colisão e de condutores impacientes a reclamar, porque minha gente… a curva de aprendizagem é bem “inclinadinha”!

 

Traffix 2
Em Moscovo, é tudo muito bonitinho… Deixar entrar os carros na via mais à direita de uma autoestrada. Acham que vai ser sempre assim tão fácil?

Isto leva-me a dois pontos fulcrais do jogo: o design de som e a repetibilidade.

Sou assumidamente um gamer que presta muita atenção ao design de som nos jogos, não tivesse eu quase 10 anos de programas de rádio pela net. Na verdade, este é um aspeto que passa muitas vezes despercebido, mas fulcral.
Em Traffix, não há muito por explorar neste campo, para além de uma pista de música nos menus e de efeitos sonoros durante o jogo. Mas até fica melhor assim, porque corresponde aos visuais minimalistas do jogo e é tudo o que basta para receber um valente 10/10 neste campo. Os elementos encaixam na perfeição para nos granjear com exatamente aquele efeito de frustração que os desenvolvedores certamente pretendiam.

E com isso, o que quero dizer é que ouvimos uns sons de travagem e de colisão que estão no ponto correto entre o realista e o entretenimento, e a frustração vai acumulando. Até que após mais um grande estardalhaço, os sons dos motores dos carros param, e começamos a ouvir uma composição jocosa – uma espécie mistura de música de elevador que está a gozar com a nossa cara. Dois ou três impropérios depois (que, no meu caso, podem ou não ter perturbado quem reside comigo…), esfregamos as mãos e vamos à próxima. Aqueles carros não são melhores que nós. O jogo não nos irá derrotar!

 

Traffix 1
ACIDENTE! PÂNICO! FRUSTRAÇÃO! Habituem-se.

E o que ajuda também a manter esta sensação é o excelente sistema de aumento gradual da dificuldade. Não estamos perante um exagero brutal na quantidade de níveis, em que pouco é acrescentado ao anterior, mas sim com um considerável acrescento nas mecânicas e na quantidade de situações a ter em conta. No entanto, nunca estamos perante uma subida de inclinação acentuada à volta dos 90%, o que seria desmotivante para os jogadores. O desafio parece sempre adequado à nossa experiência.

 

 

Traffix é uma excelente alternativa para viagens de transportes públicos e/ou emergências pessoais que não requeiram necessariamente o uso dos membros superiores, deixando estes convenientemente livres para agarrar numa Switch e começar a dar luz verde a carros brancos. (Não necessariamente para os deixar ir em segurança, porque semear o pânico e tentar fazer disto uma versão fofinha e em duas dimensões do Crash Mode do Burnout também tem a sua piada.)

Um pequeno post scriptum para mencionar a escolha das cidades que foram usadas como referência. Um verdadeiro jogo “tuga”, Lisboa é o palco fictício do ÚLTIMO nível, em que o trânsito é caótico! Algo me diz que isto reflete alguma experiência pessoal da parte dos criadores…

positivo Estética muito simples e cativante, que ajuda a apreciar melhor a nossa tarefa
positivo Design de som no ponto
positivo Gama extensa e variada de níveis

errado Para uma maioria dos jogadores, não durará mais do que algumas horas

Data de Lançamento: 21/12/2020
Produtora: Infinity Games, Nerd Monkeys
Editora: Nerd Monkeys
Género: Estratégia, Puzzle
Disponível para: PC, Mobile e Nintendo Switch

Foi disponibilizada uma cópia do jogo para análise por parte da Nerd Monkeys. (Switch)

Autor: João Pires (Ravsieg)

Maluco que cresceu com a SEGA e adora os jogos da era da Saturn, agora faz rádio sobre eles. Ex-profissional da indústria com o sonho de voltar. Venham jogos de desporto, de corrida, "fighters" ou TRPGs! Ah, e Virtual On é BAE. :D

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