Os Jogos de 2020 – Escolhas do Staff

jogos 2020

Depois de doze meses onde vimos a indústria ter um enorme boom pelas razões que todos conhecemos, é importante mencionar também alguns dos nomes que fizeram de 2020, um ano repleto de incrível qualidade. Por entre jogos que rebentaram toda uma escala para além do universo gaming, ou intensas controvérsias pelos mais variados assuntos, não há como negar que foi um ano em cheio. Os nomes que se seguem, refletem, de um modo geral, o quão fantástico este ano foi para os responsáveis dos testemunhos que se seguem.

 

Pedro Costa

No ano de 2020, não só entrámos numa nova geração de videojogos que irá (com certeza) elevar esta media a novos patamares, mas também recebemos várias experiências interativas incríveis. Apesar de não ter conseguido jogar muitos dos excelentes títulos lançados, hoje vou falar daqueles que mais me marcaram.

 Começo com um título que, curiosamente, acabei recentemente e que me deixou completamente em êxtase, tornando-se indiscutivelmente no meu jogo do ano. Estou a falar de Ori and the Will of the Wisps. Esta sequela não só melhorou a fórmula já estabelecida, como a transformou em algo fantástico e com um final inesquecível, evoluindo o género a um patamar mágico. Para acrescentar, o mesmo é visualmente soberbo e sua banda sonora até faz arrepiar (no melhor sentido) o coração.

Ori and the Will of the Wisps

 Por falar em evolução, realça-se nos últimos anos uma tendência de se lançarem jogos remasterizados e até remakes. Final Fantasy VII Remake é um título que reinventa um clássico adorado com uma nova direção da narrativa, onde as possibilidades são imensas. Em conjunto com o seu combate de ação estratégico, o resultado é um regresso emocional e espetacular que me deixou completamente fascinado. Até hoje, continuo empolgado para descobrir o destino das personagens no próximo capítulo deste mundo.

 Após a viagem maluca em DOOM (2016), finalmente consegui voltar à caça aos demónios em 2020 com DOOM Eternal. Sem dúvida que a loucura aumentou exponencialmente, pois a ação é constante e caótica em locais artisticamente fabulosos. A jornada não podia ser mais frenética e adorei cada momento do jogo, incluindo as controversas seções de platforming que são bem-vindas para evitar a repetição do título anterior, algo que o afetou pela negativa. Em suma, é uma festa infernal, eternamente divertida.

Agora vou-me distanciar dos demónios e focar-me na busca da paz, ao ajudar os espíritos que procuram o seu descanso em Spiritfarer. Este título indie surpreendeu-me de uma forma inesperada, através de um mundo colorido e mágico, mas com um tema muito sensível: a vida depois da morte. É uma experiência incrível conviver com as suas personagens carismáticas e este convívio, em conjunto com a sua jogabilidade aliciante, acabam por tornar Spiritfarer num dos melhores jogos do ano.

spiritfarer 2020

Por fim, chegamos ao final da lista com um título polémico (e talvez esta posição também o seja) e, também, um dos mais aguardados em 2020. É claro que estou a falar de The Last of Us Part II, que dividiu a sua comunidade através da narrativa. Sem entrar em muitos pormenores, este jogo dececionou-me no seu aspeto principal. Contudo, o seu nível técnico incansável e a sua jogabilidade refinada, tornaram a minha experiência numa das mais atrativas e divertidas que tive este ano.

Para os restantes jogos que, infelizmente, não consegui jogar a tempo desta lista, ficam (com muita sorte) para o próximo ano. Não será fácil, pois temos uma nova geração à porta que já me cativou e que certamente vai mostrar do que é capaz em 2021.


Tiago V. Marques

O meu ano, a nível de videojogos, ficou um pouco aquém daquilo que perspetivei, isto porque, por motivos profissionais, não tive o tempo necessário para desfrutar da imensa oferta. Ainda assim, termino este ano com o sentimento de dever cumprido, pois consegui jogar a grande maioria dos títulos que mais queria, à exceção de Hades.

A escolha é bastante eclética, desde Call of Duty: Warzone até Animal Crossing, e apesar da falta de tempo, considero que tenha sido dos poucos anos onde procurei expandir os meus horizontes, dando a oportunidade a géneros que antes não me despertavam qualquer tipo de atenção.

A escolha de Warzone é bastante óbvia, pois sou um entusiasta de FPS, mais concretamente de Call of Duty. Neste contexto, seria impossível deixar de lado este título que, apesar de não ser perfeito, muito por falta de cuidado por parte da Activision, oferece a todos os seus utilizadores uma experiência bastante imersiva, colocando-o, sem qualquer dúvida, como um dos melhores Battle Royal alguma vez feito.

cod warzone 2020

Coloco The Last of Us Part 2 e Ghost of Tsushima no mesmo patamar, pois a nível de experiência single player, foram os melhores que joguei este ano. O primeiro, pelo sentimento que tenho em relação às personagens Joel e Ellie, e por ter sido dos poucos jogos que colocou a minha capacidade emotiva e moral à prova. O segundo, pela sua beleza visual e pela sua narrativa e mecânica de combate. Este é daqueles jogos que me deixou completamente sem palavras ao longo da sua história. O final do segundo ato é uma autêntica obra prima e, o próprio ato em sim, melhor que muitos jogos que já joguei.

A minha surpresa deste ano reside no Animal Crossing, o qual considero que seja uma escolha consensual, dado todo o contexto social dos últimos meses. Eu, juntamente com a minha namorada, decidimos entrar neste comboio de entusiasmo à volta do jogo e, rapidamente, ficámos submersos na experiência. Isto ao ponto de fazer parte da nossa rotina diária, o que nos levou a sentir como se tivéssemos regressado ao tempo dos tamagotchi.

cyberpunk 2077 2020

Não podia terminar esta minha partilha sem falar de Cyberpunk 2077. Obviamente que estava à espera de um jogo diferente, no entanto, passei apreciar o mesmo pela sua oferta e é por isso que se encontra nesta lista. Felizmente, faço parte daquele nicho de pessoas que conseguiu retirar o maior proveito gráfico do jogo, elevando assim a qualidade da minha experiência, tornando-a bastante positiva. Acredito plenamente que iremos chegar à terra prometida e todos nós um dia iremos conseguir jogar aquilo que nos foi prometido, mas até lá, é preciso paciência e alguns updates.


Ana Costa

Começo-vos já por dizer que creio que reduzir um jogo à qualidade “Jogo de X Ano” é um pouco redutor, na minha humilde opinião. Mentiria se não vos dissesse que muitos dos jogos que, no passado, considerei o jogo do ano, ainda não pautam novas visitas aos seus enredos e ambientes nos tempos que correm (Death Stranding, por exemplo, é um ótimo exemplo disso).

Ghost of Tsushima é, e será, certamente um desses casos. A experiência de poder assumir o papel de Jin Sakai e, mais que isso, a Sucker Punch conseguir ter entregue uma capacidade de imersão completa neste sentido (não, não andei a fazer pedidos de take-away no nome do Jin; não cheguei a tanto), tem muito que se lhe diga. Desde os cenários de tirar a respiração a qualquer um (mais, até, aos que têm um particular fascínio pela cultura nipónica), à história, a relação entre as personagens, e, acima de tudo, a empatia que se cria com Jin, ficámos, sem dúvida alguma, com uma autêntica powerhouse em mãos; para jogar, ver e rever. Nem que seja pela paisagem.

p5royal 2020

Persona 5 Royal trouxe-me aquilo que eu tanto queria: mais um bocadinho de Persona 5, só para matar a sede. Ainda que não tenham existido alterações dramáticas a nível de jogabilidade (coisa que esperamos, sim, do Persona 5 Strikers; já está quase!), trouxe-nos novos contornos à história de Joker e companhia; marcada, principalmente, pela adição de Kasumi Yoshizawa (autêntico girl crush material). Mais coisas para fazer, mais sítios para visitar… só vos digo isto, se por ventura ainda não jogaram Persona 5, podem dar o pulo direto já para o Royal. Olhem que vale a pena.

Entretanto, em plena pandemia, a Square Enix lançou também o tão aguardado Final Fantasy VII Remake, jogo que deixou fãs acérrimos da saga (sim, culpada) numa enorme ânsia; não só para ver o que tinha mudado, mas como o tinham mudado (afinal, remake e remaster são coisas diferentes). O Remake faz jus ao original, acrescentando-lhe o fantástico sistema de combate, que surge de forma completamente fluida com o decorrer da exploração, e, acima de tudo, o gigantesco plot-twist (quem sabe, sabe) que o pode eventualmente (ou não) tornar o resto de Final Fantasy VII Remake num jogo completamente diferente daquele que nós conhecemos (se souberem do que estou a falar, ponham a mãozinha no ar). Muita coisa fica por explicar, mas a ansiedade para que a Square Enix lance a segunda parte está bem assente por estes lados.

Mas ao nível de gaming, 2020 foi mesmo um ano recheado de miminhos para a minha pessoa. Falemos de Yakuza: Like a Dragon: apesar da minha necessidade absoluta de ter um título dedicado somente a Goro Majima (sim, necessidade), o Kiryu chegou à idade da reforma e é-nos apresentado o tão carismático Ichiban. Admito que ainda estou no processo de apreciação do jogo, mas facilmente fui conquistada. Desde as novas mecânicas de jogo, à nova história que nos é apresentada (passada a saga Kazuma), tenho a certeza que será um título que me continuará a manter presa do início ao fim (sidequests incluídas); aliás, já está a ocorrer.

animal crossing new horizons update inverno

Animal Crossing: New Horizons foi (e continua a ser) o meu porto de abrigo (ou ilha, neste caso). O caro Sr. Nook voltou, com a sua nova ideia de empreendimento, e eu fui sugada para dentro dela (não imaginam a minha dívida para com o Sr. Nook…). Em tempos tão atípicos, em que a proximidade interpessoal nos foi tirada por razões que fugiram do nosso controlo, foi bom poder visitar a minha pequena ilha e ir cultivando e mantendo as amizades que criei por lá. Sim, posso dizer que gosto de chegar a casa e dizer “vou visitar os meus amigos”, enquanto ligo a minha Switch. Admito, já não passo tanto tempo lá quanto passava (até porque as circunstâncias já não são bem as mesmas que eram quando este me chegou às mãos), mas é sempre bom sentir aquele carinho dos amigáveis vizinhos animais que me rodeiam. Ainda que fictícios.

Agora, falemos do elefante na sala. Cyberpunk 2077. Apesar do esforço Herculano da CD Projekt Red para o lançar ainda este ano, a par das novas gerações de consolas, e, também, apesar de já ter visitado Night City, não creio que seja justo colocá-lo nesta lista; não por falta de mérito, mas por, para todos os efeitos, ser um jogo inacabado. Tem tudo para dar certo, mas acho que devemos dar a 2077 a oportunidade de lamber as suas feridas, após o lançamento atribulado que sofreu, esperar pelos patches que não tardam em sair e aí, sim, avaliá-lo no seu todo. Pode não ter chegado à lista de melhores jogos de 2020, mas algo me diz que estará, e com razão, presente na de 2021. Pelo menos, creio que na minha estará.


Pedro Simões

Este não é, de todo, um texto fácil de fazer num ano tão estranho como 2020. Na verdade, foi um excelente ano no que diz respeito aos videojogos, e aqui ficam algumas palavras sobre alguns dos meus favoritos. De salientar que podem ler no site as minhas análises a todos os jogos que se seguem.

Para começar, escolhi The Last of Us Part II, um jogo para qual tinha grandes expectativas e, mesmo assim, fui completamente atropelado pela inesperada montanha russa de sensações de que fui alvo. Sabia que, à partida, estaria perante um dos jogos do ano (aliás, diria mesmo um dos melhores dos últimos anos), mas continuo a defender algo que me fez render ao jogo: a forma como o estúdio nos colocou na posição de dois pontos de vista opostos, mas, em simultâneo, com o mesmo objetivo final. Conseguiu fazer estremecer a minha firme posição perante uma personagem, ao ponto de duvidar sequer de que lado poderia estar. Acima de tudo, é um jogo extremamente polarizante, pelos vários temas que aborda e respetivos pontos de vista inalteráveis (pois somos forçados a jogar o que o estúdio pretendeu), o que resultou em quentes discussões, durante largas semanas. Para mim, será sempre recordado como a sequela que fez o impensável.

Falemos então de Ghost of Tsushima. Sim, muitos de vocês já são capazes de saber o quão adoro o Japão e samurais (weaboo alert!). Ora, também é sem grande surpresa que este jogo marca presença como um dos meus favoritos de 2020. A Sucker Punch criou, visualmente, um mundo estonteante e completamente sufocante. É impossível não ficar totalmente rendido aos seus diversos biomas e como, num estalar de dedos, transformam, de forma incrível, todo um cenário quase diretamente impresso da ilha de Tsushima. A forma como somos incentivados a explorar o mundo, para além da cativante narrativa de um samurai que luta interiormente entre a honra e o necessário para completar a sua missão, Ghost of Tsushima faz aquilo que nenhum jogo de samurais fez até hoje, e o qual é bem mais desejado pelo público do que muitos estúdios pensam. Muito provavelmente, é demasiado cedo para pensar numa sequela, mas, por outro lado, diria que muito dificilmente esta não verá a luz do dia.

yakuza like a dragon análise

Continuando o ritmo weaboo (o qual pouco influencia as minhas escolhas nestes momentos), é, novamente, impossível tentar negar a qualidade que o Ryu Ga Gotoku Studio continua a demonstrar ao longo dos últimos anos. Para quem possa não ter percebido ainda, Yakuza: Like a Dragon é o jogo que se segue. Numa jogada altamente improvável do estúdio, e a partir de uma brincadeira do dia das mentiras, esta nova entrada da saga dispensou o sistema de combate beat ‘em up, pelo mais reticente (para muita gente) combate por turnos. Até mesmo a minha pessoa, que não aprecia propriamente este tipo de combate, e, apesar de ser grande fã da saga, fiquei um pouco na expectativa de como seria agora o prazer de andar a rebentar com Yakuzas em plena via pública. A verdade é que todo o jogo encaixa de forma perfeita naquela que acaba por ser o core desta nova entrada. Ichiban Kasuga é o nome do novo protagonista, e o mesmo é conhecido por ser um grande fã de Dragon Quest. Ora, a forma como o jogo foi, mais que nunca, transformado num autêntico JRPG, resultou de forma perfeita naquele que é, facilmente, um dos melhores jogos feitos pela empresa. A pergunta que se coloca agora é: Será que vamos continuar a ver este sistema de combate ou iremos regressar ao estilo antigo? Seja lá qual for a decisão, estarei aqui para jogar.

Alguns de vocês são capazes de saber que sou um fã desta série, embora já tenha estado mais por dentro da mesma do que presentemente. Gears of War 3 é o meu jogo favorito, mas não é dele que estou aqui para falar. Gears Tactics é uma lufada de ar fresco numa série que precisa de nova roupa e cara lavada para voltar a estar na boca do mundo (de forma entusiasmante). Gears Tactics foi uma jogada de risco, mas que, no final, penso ter cumprido de forma eficaz para com o seu objetivo. Para além de dar a conhecer um outro lado da série aos habituais fãs da saga, é uma boa maneira de tentar obter novo sangue dentro da série; neste caso, os fãs de jogos de estratégia. Espero que, muito em breve, possamos ver uma sequela, ou, pelo menos, mais conteúdo para este primeiro jogo.

hotshot racing

Como último jogo, decidi ir mais além e arriscar em algo que acho que merecedor da vossa atenção, principalmente para um público que cresceu no tempo das casas de arcadas. Hotshot Racing é uma autêntica homenagem aos dourados anos 90 e aos seus marcantes arcades. Como fã do género, foi impossível não me derreter logo desde a partir do primeiro minuto, fazendo lembrar nomes como Out Run ou Daytona USA. O jogo tem uma excelente jogabilidade e está recheado de uma panóplia de viaturas e pinturas, imensos circuitos; mas sem nunca esquecer a incrível banda sonora e efeitos sonoros tão típicos da década de 90. Se têm qualquer tipo de memória desta altura, ou se viveram intensamente as arcades, então este é um jogo do qual, decididamente, não se devem de todo distanciar.

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